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Noiserv à MHD | “A tua vida está naquelas músicas”

Prestes a celebrar, dia 5 de Abril no Tivoli, os seus treze anos de vida musical, Noiserv fala-nos da arte que está no coração desta longa e consistente carreira.

No dia 13, fomos convidados para um pequeno e íntimo espectáculo deste homem-orquestra, como lhe chamam. David Santos, mais conhecido por Noiserv, o nome do seu projecto a solo, presenteou-nos com algumas das canções do seu último disco, lançado em 2016. O breve mas indelével 00:00:00:00 foi concebido como a banda sonora de um filme por acontecer, os temas intitulados simplesmente com o número cardinal que assinala a ordem do seu nascimento na mente do criador. Cantado em português e despido da exuberante instrumentação que caracteriza os anteriores longa-durações, One Hundred Miles from Thoughtlessness (2008) e Almost Visible Orchestra (2013), este disco põe a nu o esqueleto do projecto Noiserv, tornando mais audível a alma introvertida do seu autor.

Apercebia-me bem deste traço, ao ouvi-lo tocar três das canções deste quase EP, as mãos entregues ao piano, a voz a cantar suavemente na língua materna, todo recolhido no espaço dos instrumentos que, rodeando-o, o protegiam enquanto o revelavam. Pensei que só podia questionar o David acerca do que está no coração do que faz, sob pena de (como tanto jornalismo) errar o alvo e ficar ao lado e a léguas do que quer que seja de misterioso que se me acabara de oferecer. Pareceu-me a melhor maneira de entrevistar alguém que está para festejar treze anos de vida nestas andanças da arte, que ninguém controla, a começar pelo próprio artista. Que Noiserv está bem consciente de que nem o início, nem o fim desta carreira lhe pertencem poderão ver na conversa que tivemos. Quanto ao que está no meio, poderão ouvi-lo em primeira pessoa, se estiverem daqui a uns dias, sem falta, no Teatro Tivoli BBVA

Noiserv
Noiserv toca três temas de 00:00:00:00 no Sótão do Teatro Tivoli BBVA.

Parece-me que os teus discos anteriores se enquadram mais no género pós-rock – já tens aliás referido, por várias vezes, bandas como Sigur Rós e Explosions in the Sky – enquanto este disco é mais ambiental, na linha, por exemplo, das obras para piano de Philip Glass. Esta distinção descreve bem a diferença entre o novo disco e os antigos? Abre caminhos para a frente?

Em termos de sonoridade, acho que explicaste bem. Em termos pessoais, como tinha lançado o Almost Visible Orchestra em França, em 2015, quando pensei fazer um disco novo, estava ainda a apresentar as músicas do disco de 2013. Portanto, aqueles loops todos, aquelas 80 pistas estavam ainda muito presentes e senti que se fosse fazer um disco naquela lógica iria ser, se calhar, igual. E acho que, passado um tempo, me ia não digo arrepender, mas pelo menos achar que estava a fazer um lado B daquele disco e não um outro disco novo. Fez-me sentido começar a pensar de que forma podia tentar fazer alguma coisa que fosse para mim um crescimento de explorar novas coisas.

O piano era uma coisa de que já gostava há muito tempo. Tinha tido, até 2013, cinco anos de aulas de piano, porque na altura, aos vinte e qualquer coisa, tinha sentido que gostava de começar a tocar um bocadinho mais de piano. A ideia de poder fazer eventualmente um disco de piano sempre esteve na minha cabeça e, de repente, aquilo fez sentido, aquela ideia de “se calhar, a melhor maneira que tenho de tentar, na minha criatividade, fugir desta lógica de somar instrumentos até que não caiba mais nada é precisamente o contrário”. Posso somar eventualmente alguns, mas o som tem que ser apenas um. Se calhar, vou ganhar mais a tentar perceber o bom dos silêncios das coisas do que se for tentar ir para outro registo de loucura de 90 pistas. Então surgiu essa ideia de “porque não fazer uma coisa só de piano?” Comecei a fazer pequeninas coisas até que percebi que dava para fazer um disco assim. Acho que me enriqueceu precisamente nessa ideia dos silêncios que estas músicas têm, que as outras nunca tinham. Acho que um próximo disco, que será claramente outra vez com mais instrumentos, ficará no meio, entre os dois. Porque com este disco percebi que há silêncios importantes para a música respirar que os outros discos não tinham. Não é que não gostasse neles na mesma, mas acho que o próximo passo será precisamente uma junção destes dois.

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De facto, a tua música caracteriza-se pela sobreposição de linhas melódicas em loop, que, na medida em que entram ou saem, adensam ou aliviam a textura. A variedade está acima de tudo no timbre. Mas, neste disco, o timbre manteve-se estável, embora tenha vários pianos.

E isso ajudou-me precisamente a focar, a ter esse limite. Eram as melodias que estavam a dominar o parar e não os timbres diferentes.

E sentiste que isso te obrigou a experimentar com outros aspectos musicais, como melodia, harmonias, secções das canções?

Nunca tenho muita teoria sobre isso. As músicas chegam a um ponto em que, na minha cabeça, parece haver um clique qualquer que me diz “não precisa de mais nada”, mas não analiso “esta parte agora faz sentido vir a seguir a esta parte”. Não, aquilo vai aparecendo e, de repente, sinto “não, agora era bom ir para um sítio em que isto desaparecesse tudo”. E é sempre assim que vou gerindo até a própria estrutura da canção. Portanto, há algumas músicas, tanto neste disco como nos outros anteriores, em que não há a estrutura lógica de AB, depois um bocadinho diferente, depois repete. Às vezes, isso não acontece porque não sinto essa necessidade quando estou a tocar. Neste de piano nunca foi muito teórica a estrutura das músicas. Apenas essa noção de, timbricamente, parecer que me fazia sentido entrar qualquer outra coisa mas não na mesma oitava do piano, portanto deixa-me tentar uma oitava um bocadinho mais acima. Agora se são intervalos de segunda, de terceira, as harmonias que fazem, nunca tenho muito essa teoria. É o experimentar, é o soar-me bem e gravar e passar para a camada a seguir. Claramente aqui, como havia menos timbres ou menos instrumentos, parou mais cedo e fez-me sentido que tudo fosse um bocadinho mais simples.

Ainda que não houvesse outros instrumentos, de algum modo sentiste a necessidade de ter, pelo menos, vários pianos. É importante para ti ter os instrumentos a dialogar?

Não sei. Acho que a ideia dos loops, esta ideia das músicas, tantos estas de piano como as outras, poderem ser pequeninas melodias que se vão somando, é assim que as coisas me fazem sentido, não sei explicar porquê. É giro que uma coisa seja um tin-tin-tin-tin-tin e, de repente, entre um outro. Agora, se calhar, um pianista super-virtuoso toca com duas mãos uma música que eu fiz em cinco pianos. Uma das músicas que não toquei hoje, a “Onze”, foi tocada uma vez num aniversário, em França, numa reitoria em que vários pianistas estavam a tocar a mesma música ao mesmo tempo. Eu tinha feito aquilo com três pianos e, na altura em que escrevi a partitura, disseram-me “mas, ah, tens que pôr tudo só com duas mãos”. Eu posso experimentar fazê-lo no programa mas não o vou conseguir tocar. Passo-lhes as partituras e eles experimentam. A verdade é que eram músicos de conservatório e muitos deles, pelo menos aqueles que vi, conseguiam tocar com as duas mãos, um bocadinho mais rápido, aquilo para fazer o qual tinha usado três pianos. Portanto, a dinâmica das sobreposições vem também de a minha lógica de composição vir muito assim aos bocadinhos. Não consigo, se calhar, ver uma música dum tamanho muito grande. Faz-me mais sentido fazer um pequenino loop e a partir daí somar outro loop. Depois, claro que posso tocar isso só com duas mãos, mas como nas gravações acabo por gravar em blocos, depois ao vivo também toco em blocos. Mas essa parte nunca é assim muito pensada.

NOISERV, OO:OO:OO:OO | “ONZE”

Por ser mais ambiental, a maneira de este disco fazer sentido é diferente da dos outros? Sustenta-se sozinho, como disco?

Tendo a acreditar que o disco ainda é uma coisa importante. Portanto, quando faço um disco, acredito que aquilo funciona como um bloco que se ouve do princípio ao fim, é uma coisa. Este está mais próximo de ser apenas uma coisa, porque o som é sempre o piano, mas mesmo nos outros discos acredito que as músicas todas se juntam pela temática de tudo o que estou a dizer, pelos próprios instrumentos, pela própria altura em que gravei. Em concerto, por ser um disco pequeno, que tem 21 minutos, não é um disco que aguente um concerto, porque não tem tempo para fazer um concerto. Mas enquanto conceito de disco acho que funciona, acho que tem um princípio, meio e fim e que não precisa de outras para o suportar.

Ao mesmo tempo, gostei imenso de ver os vídeos e parece-me haver uma abertura dentro do próprio disco que pede complementaridade.

Sim, acho que uma música instrumental está fechada por quem a fez, mas o conceito do disco, da tal questão da banda sonora ou não banda sonora, vem precisamente de ter sentido que estas músicas, se calhar mais do que as do disco anterior, suportavam bem uma imagem que não fosse só minha. Há várias pessoas que, às vezes, vão fazendo pequeninos vídeos e mos mandam, com ideias de videoclips para músicas minhas. E estas, em particular, parece que encaixam bem noutros suporte visuais. Sim, acho que sim.

NOISERV, OO:OO:OO:OO | “SETE”

Passando agora mais às letras, podias-me explicar a tua obsessão com a morte e o fim?

Não é tanto a morte enquanto morte feia e escura e triste. É mais o fim, que tu não sabes quando é, mas o fim não é o fim de tu morreres. Quer dizer, pode também sê-lo eventualmente, mas aí, nessa questão, sou muito pragmático. Acho que quando morres, morres e acabou tudo e pronto. É o fim das emoções que tu tens, não te sei explicar. Vem de uma coisa que sempre quis fazer desde muito novo. Sei lá, quando ia aos concertos e via os músicos entrar por aquela parte de lado dos palcos (que na altura nem sabia como é que era), por detrás daquelas cortinas, tudo aquilo me fascinava. De repente começo eu a fazer essas coisas e não é que tenha medo que isso acabe, mas eventualmente poderá acabar. Como elas começaram não de um curso que tirei, não de um caminho que me disseram para fazer, mas de uma necessidade quase minha de fazer aquilo, parece que esta necessidade pode deixar de existir. E depois é aquele limbo de “então, e se isto acabar e tu não tiveres percebido?” Não é uma obsessão pelo fim, não tenho medo do fim das coisas, tenho medo de não me aperceber do fim das coisas. Não sei, é complicado de explicar. Mas precisamente por ser complicado de explicar é que há esse dilema nas músicas. O primeiro disco era mais escuro, o segundo disco vinha muito desta ideia de “o primeiro correu bem; então se, para fazer o segundo, falhares nas coisas, não é por isso que não hás de tentar sempre até conseguir fazer”. E correram bem. Agora o terceiro vive muito de “então, e se…” Não sei, não é fácil de explicar. Acho que, quando fazes uma coisa sozinho, a tua vida também está naquelas músicas.

Na “Vinte e três”, falas de “coisas simples e reais”. “Reais” em que sentido?

Serem “reais” de não serem ilusões. Há bocado estavam-me a perguntar isso: “Consegues destacar os cinco momentos mais importantes da carreira que vais tendo?” E, ao longo dos tempos, fui aprendendo e convencendo-me de que não há um momento mais importante do que o outro. Imagina que estás a tocar num sítio, estão mil e tal pessoas e todas elas estão em pé, a bater palmas no fim. Aquilo é uma coisa que está a acontecer mas, da maneira como vais avaliar aquilo, pode não ser uma coisa real. De repente, vais-te sentir mais importante do que o simples e real que era antes daquilo ter acontecido. E como acredito que nada, de um dia para o outro, te muda a vida, as coisas simples e reais são essas. É conseguires analisar todas as coisas quase numa [desenha no ar uma linha horizontal contínua]. Lembro-me, uma vez, de estar num concerto em Almada e, no final ou antes do concerto começar, a rapariga veio-me dizer: “olha, nunca temos quase pessoas nenhumas e estão 150 pessoas.” E eu: “fixe”. E ela: “então é assim que tu reages?” E eu, assim: “então, mas… é fixe”. E ela: “mas isto é incrível!” E eu: “não é incrível; se eu tocar mal, já deixa de ser incrível.” E mesmo que toque bem, isto é apenas uma coisinha no meio de um conjunto que é a tua vida com vários momentos. Portanto essas coisas simples e reais são isso, analisares tudo o que te acontece, as coisas más e as boas, de uma maneira mais verdadeira, sempre.

NOISERV, OO:OO:OO:OO | “VINTE E TRÊS”

“I just want to be glad of this life”, dizes tu em “I Was Trying to Sleep When Everyone Woke Up”. O que é estar contente com esta vida? Quer dizer, que não seja apenas aquela resposta de “satisfeito por poder fazer aquilo que quero”.

Satisfeito não de poder fazer aquilo que quero, mas satisfeito – sou sempre uma pessoa muito autocrítica, portanto, acho que faço 20 coisas bem, faço uma mal, de repente, já sou uma porcaria, e vivo sempre muito nesta coisa – com aquelas tais pequeninas coisas de que estava a falar à bocadinho, que analisas de uma maneira pragmática, e são simples, nada demais, mas que te sentes orgulhoso de terem acontecido. Não é viver bem porque faço o que quero, é viver bem porque as pequeninas coisas que vão acontecendo e vais guardando para ti, todas elas te deixam feliz porque fizeste aquilo.

A certa altura na letra da “Today Is the Same as Yesterday, But Yesterday Is Not Today” dizes que (estou a descontextualizar, claro) “It’s all nonsense”. Como te defenderias de alguém que acusasse disso as tuas letras?

Não podia dizer nada. Aquilo faz sentido para mim…

Como?

Acho que há vários tipos de músicas. Há músicas que são um conjunto, do princípio ao fim, uma história. Há músicas que são blocos ditos mais abstractos, frase a frase, em que cada frase tem um sentido e todas elas têm um mesmo sentido, mas não são uma mesma história. E, portanto, as minhas músicas têm sempre esse sentido. Agora, para quem não esteja na minha pele, aquilo pode não fazer sentido.

Pergunto, porque noto uma diferença na maneira de construíres as letras em inglês e em português.

Acho que isso não vem de ser o inglês ou o português, vem da altura em que apareceram.

Em ambos os casos há muita repetição, mas o formato em inglês é mais progressivo, vai avançando. Em português (por exemplo, na “Quinze” ou na “Dezoito”), a variação tende a ser em torno de certas palavras, recontextualizadas em cada nova ocorrência, havendo muito paralelismo sintáctico.

Acho que vem, não de ser o português ou o inglês, mas por estas músicas terem sido todas feitas numa altura em que, não te sei explicar porquê, essas coisas me fizeram mais sentido. Por exemplo, essa “Quinze” é, se calhar, das letras mais repetidas – este disco também só tem três cantadas, portanto, não posso dizer que é “das mais” porque só há as outras duas [risos] – mas aquele jogo diz mais do que se fossem tudo palavras diferentes. Precisamente porque essa repetição, que pode ter ou não também a ver com a questão dos loops, faz-te analisar a mesma coisa de diferentes maneiras e isso faz-te, no fim, perceber uma coisa diferente.

NOISERV, OO:OO:OO:OO | “QUINZE”

Como essa forma de escrever é mais evocativa pensei se seria isso que teria estado na origem da tua necessidade de escrever em português neste disco, que é mais ambiental e evocativo.

Eu senti que, com o piano, as sílabas em inglês ficavam muito marteladas, as palavras não eram tão bonitas de dizer em inglês como em português. E o piano parecia-me que sentia necessidade de, se calhar, em quatro acordes dizer apenas uma palavra e sílaba a sílaba aquilo ia-se fazendo. E o inglês pareceu-me sempre muito… acho que “quadrado” é a palavra certa. Como se tivesses uma onda quadrada, em que aquilo tem de ser tan-tan-tan-tan, e então uma palavra não pode viajar por entre aqueles acordes todos. E em português, não sei se por ser a língua que falo todos os dias, pareceu-me mais imediato essas voltas com as palavras. E, se calhar, esse vai, não vai das mesmas palavras, da mesma palavra ser dita de diferentes maneiras vem também disso. Nunca pensei muito sobre isso, mas acho que tens razão.

NOISERV, OO:OO:OO:OO | “DEZOITO”

Compões a solo e tocas também a solo nos concertos. Nunca pensaste em contratar uma banda, arranjar músicos que te acompanhassem no tocar estas músicas ao vivo ou sentes necessidade que seja mesmo a solo e, portanto, recorres à gravação em looping?

Já fiz algumas colaborações, mesmo com o Noiserv. Não neste disco, no outro, havia uma música em que cantavam uma série de pessoas comigo. Quando lancei o disco no São Luiz, essas pessoas também foram cantar e, portanto, não estive sozinho a tocar aquela música. Mas parece-me que era “injusto” para todo o trabalho das músicas (isto em termos metafóricos sempre), que a música não ia ser tocada da mesma maneira se estivessem outras pessoas a tocar aquilo que fiz. Sou um bocadinho contra o que é o músico contratado. Acho que, numa banda de seis pessoas, cada um tem a sua identidade e estão os seis a tocar cada um as suas ideias e aquilo tudo junto faz um bloco. Não me faz sentido que outras pessoas façam arranjos para Noiserv. Portanto, outras pessoas irem tocar aquilo que fiz parece-me esquisito só, ou injusto para as músicas, porque se aquilo foi tocado por mim, que posso fazer mal o ritmo porque não sei quê, então faz sentido que aquilo seja feito também por mim assim. Embora a questão dos loops condicione um bocadinho o tocar. Há algumas músicas de alguns discos que nunca toco ao vivo, porque ou tocava só à guitarra ou, como não tem uma estrutura de loops, não consigo sequer tocar aquilo sozinho. Mas, por isso, às vezes prefiro meter a música de fora – em que fica uma música que vive só no disco, em que as pessoas podem ouvir no disco – do que, para a pôr, ter de ter muitas pessoas a tocar. Porque me faz sentido que quem toque as músicas é quem as fez.

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O que ganhas em tocar com os You Can’t Win Charlie Brown?

Acho que em todas as colaborações que se fazem com outras pessoas, quer outras bandas, quer coisas de teatro, de cinema, acho que ganhas sempre qualquer coisa, porque, pelo menos, quando entro a fazer alguma coisa aquilo nunca é muito estanque, de “pronto, só tocas piano, então vais fazer piano”. Não, a minha vertente de criatividade é sempre diferente: “que som é que poderá entrar aqui nesta coisa?”. Em “You Can’t Win Charlie Brown”, como não sou eu o líder da banda, não sou eu que faço a base das canções, apenas faço os arranjos à volta. Os ruídos e os pormenores que vão aparecendo são as minhas coisas. Eventualmente também faria isso nas minhas músicas, mas ali o meu papel é só aquele. Acabo por ter um amadurecimento e uma aprendizagem, tanto de efeitos, como não efeitos, das potencialidades das coisas que não teria se aquilo não existisse. Isto em termos técnicos ou em termos da minha aprendizagem enquanto músico. Depois, enquanto pessoa, acho que tocares coisas com amigos não é a solidão de tocar sozinho – embora eu não veja isto nada como uma coisa triste por ser sozinho. Acho que quem toca, se pudesse ter as duas coisas, era o ideal.

Para celebrar 13 anos de carreira, regressado de uma digressão dentro e fora de Portugal, Noiserv apresenta-se no Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa, dia 5 de Abril de 2018.

Noiserv
Noiserv celebra treze anos de carreira no Teatro Tivoli BBVA.

Estas são as datas de alguns dos próximos concertos de Noiserv, em 2018:

5 Abril | Lisboa, Teatro Tivoli BBVA

19 Abril | Lens [França] , La Médiathèque Robert Cousin

20 Abril | Esch-sur-Alzette [Luxemburgo], Kulturfabrik

5 Maio | Estremoz, Teatro Bernardim Ribeiro

20 Junho | Fall River [USA], Narrows Center for the Arts

Maria Pacheco de Amorim

Literatura, cinema, música e teoria da arte. Todas estas coisas me interessam, algumas delas ensino. Sou bastante omnívora nos meus gostos, mas não tanto que alguma vez vejam "Justin Bieber" escrito num texto meu (para além deste).

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