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O Viking: A História de um Narco, em análise

Da ascensão ao declínio, a Filmin vai estrear uma mini-série documental sobre Claus Malmqvist, o maior traficante de droga que a Europa já viu. Será que “O Viking: A História de um Narco” chega ao nível de outras séries semelhantes? E quem pagou pelos crimes de Claus?

A Filmin começa o mês de Agosto com uma aposta interessante, com a mini-série documental europeia “O Viking: A história de um Narco”. Claus Malmqvist foi um dos maiores traficantes de droga do mundo, com uma rede de distribuição que espalhava-se da Dinamarca até ao Brasil, Espanha, Países Baixos, entre outros. Desde pequeno, Claus sonhava com uma vida melhor, e o que vamos ver ao longo dos quatro episódios, quais são os custos que essa vida luxuosa teve para Claus Malmqvist.

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Em 2007, o maior barão da droga europeu foi sequestrado de uma das prisões mais violentas do Brasil, pelas mãos da Interpol, através de um acordo entre as autoridades brasileiras e dinamarquesas. Sem leis claras sobre a extradição, esta foi a única maneira de ser levado à justiça dinamarquesa. Acabaria por ser condenado a 16 anos de prisão pelo maior caso de contrabando do país, 13 toneladas de haxixe e a tentativa de traficar 500 quilos de cocaína. 

O desenvolvimento da série foi um trabalho árduo e demoroso, se contarmos os anos desde da primeira tentativa de conversação. O jornalista Jeppe Facius, que também é o co-escritor da série, tentou abordar Claus Malmqvist por diversas vezes, sempre sem êxito. Após a sua libertação, o traficante começou a cooperar, e começou a contar a sua história. Entre a ficção e o documental, descobrimos a história de Claus Malmqvist, entrelaçando excertos de entrevistas com o próprio, e também com outros indivíduos que trabalharam com Claus, como é o caso do ex-sicário John Alite, ligado à família Gambino, da máfia norte-americana. Do lado ficcional, vemos a encenação dos momentos que são abordados. Além das entrevistas, Jeppe Facius e a restante equipa levaram uma exaustiva busca pela verdade, através de relatos, entrevistas, fotografias, relatórios policiais. 

Desde de cedo, Claus deixa claro a razão pela qual decidiu colaborar, para mostrar ao seu filho porque é que foi um pai ausente. Sempre com atenção na maneira que respondia, a história foi desenrolando-se, e em certa medida, de forma brusca e com falta de elos de ligação entre acontecimentos. Em certos casos, a informação não foi explorada devidamente, quase superficial. Por exemplo, nos primeiros momentos do primeiro episódio, Claus revela o momento em que decidiu que queria ser criminoso. Quando conheceu Muhammad Ali, pediu-lhe vários autógrafos, que acabaria por vender aos colegas na escola. Quando este recusou, passou a falsificar. Momentos depois, o traficante explica que queria fugir às normas da sociedade. Logo a seguir vemos Claus numa mansão luxuosa, em início de “carreira”. Estas elipses podem exceder o avanço aconselhável. Ao mesmo tempo, conhece o seu mentor, intitulado JFK. Um indivíduo que sabia o que era ser criminoso sem dar nas vistas. Apesar da importância mencionada no desenvolvimento de Claus, essa personagem mal tem tempo de ecrã. Mas não é o único caso durante os quatro episódios.

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Além das lições sobre não dar nas vistas (que acabamos por não ver de todo) explica que a família é o mais importante, mesmo antes de chegarmos às cenas familiares. Ou seja, este género de informações/momentos acontecem com frequência, o que torna difícil a compreensão da história. Além disso, a falta de datas e localidades escritas na passagem das cenas, é um ponto que deveria ter sido incluído. Para não perder-se fio à meada, o espectador tem de ter atenção, sobretudo nas cenas em que se mostra a investigação do jornalista. 

Os dois primeiros episódios conseguiram mostrar, dentro dos possíveis, uma história coerente e minimamente linear sobre a vida criminosa de Claus Malmqvist. Ainda assim, fica a sensação que há sempre algo que faltou dizer, ou que devia ter sido explorado de forma diferente, como é o caso do amor e da família de Claus. É notório, desde do início, a importância que o traficante dá a família, ao seu filho e ao futuro da relação de ambos. Ainda assim, existem momentos relatados que dão a sensação que foram explicados à pressa.

Do lado oposto, estão os últimos dois episódios, que bastava um para terminar a mini-série. Aqui, o foco foi a razão pela qual foi detido, tudo por culpa de uma pessoa. Lars Petersen traiu tudo e todos, quando o dinheiro “falava” mais alto. Além disso, não media as palavras que dizia. Em relação aos atores, as performances foram razoáveis, com claro destaque para Alex Høgh Andersen, conhecido por interpretar Ivar O Desossado em “Vikings”. Aqui, o seu olhar penetrante continua bem presente. Outro ator que se destacou foi Nicolai Jørgensen (Lars Petersen), a sua postura convencida deixa qualquer um irritado, e desde do princípio  desconfiamos das suas intenções.

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Apesar de não chegar ao nível de “Narcos”, a história de Claus Malmqvist é igualmente rica em crime. Com um melhor planeamento, podia ter chegado a esse nível. Ainda assim, são quatro episódios que se vêem rapidamente, ideal para quem queira ver algo baseado em factos verídicos em Agosto. 

TRAILER | O VIKING: HISTÓRIA DE UM NARCO, ESTREIA HOJE NA FILMIN

Conhecias a história de Claus Malmqvist?

O Viking: A História de um Narco

Metade biobic de ficção, metade documentário em código true crime, esta superprodução dinamarquesa segue a história real do maior narcotraficante da Europa: Claus Malmqvist, um homem que tinha tudo e que acabou por perder o mais importante: a sua família.

Quando era criança, Claus Malmqvist já sonhava com uma vida fora do normal. Acostumado a ver o seu pai contabilista a trabalhar incansavelmente durante anos de monotonia, apenas para sustentar a família. Mas Malmqvist sonhou outro caminho, outro mundo e outra vida, repleta de possibilidades.

Pros

  • História Interessante;
  • Excelente escolha de Alex Høgh Andersen;

Cons

  • Alguns temas são apresentados à pressa ou pouco aprofundados;
  • Narrativa confusa;
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