"Guerra Civil" de Pedro Caldas ©Alvalade Cineclube

Alvalade Cineclube exibe filme proibido de Pedro Caldas

O mais recente cineclube de Lisboa apresentou a sua programação para os próximos meses e a surpresa é a projecção de “Guerra Civil”, de Pedro Caldas.

O filme, realizado em 2010, está comercialmente proibido e teve apenas duas projecções públicas, no festival IndieLisboa e na Cinemateca Portuguesa. Outros destaques da programação são “Um Pouco Mais Pequeno que o Indiana”, de Daniel Blaufuks, e uma homenagem a Agnès Varda com curtas metragens, incluindo o filme da realizadora francesa em Cuba.

A convite do Alvalade Cineclube, Pedro Caldas apresentará o seu  filme numa sessão especial dia 5 de Março, no Centro Cívico Edmundo Pedro, às 21h00. A projecção apenas é possível porque todas as sessões do cineclube são gratuitas e abertas à comunidade. “Guerra Civil” foi considerado “um dos melhores filmes portugueses de todas as gerações.”

“Guerra Civil” segue um adolescente isolado no seu mundo e a disfuncionalidade da família nos anos 80. Passado no Verão de 1982, o filme conta com Joy Division na banda sonora. Pedro Caldas afirmava em 2011 que “muito do filme é feito contra o cinema português dessa época e a sua perda, mas também sobre o que se passa agora. Perdeu-se o punk, a liberdade estética e política: é o início do mundo de hoje, em que os valores económicos predominam.”

Lê Também:
Grandes filmes que nunca chegaram aos cinemas portugueses

O filme do português insere-se no ciclo “Ai Portugal Portugal”, dedicado aos portugueses e à imagem que têm de si mesmos no cinema. De Fevereiro a Junho as sessões apresentam filmes de Daniel Blaufuks (Um Pouco Mais Pequeno Que o Indiana), Miguel Gonçalves Mendes (O Labirinto da Saudade), Stefan Lechner (Vadio), Pedro Neves (Água Fria) e Tiago Pereira (Porque Não Sou o Giacometti do Séc. XXI).

Em “Um Pouco Mais Pequeno Que o Indiana”, agendado para 6 de Fevereiro às 21h00 com a presença do realizador e fotógrafo, Blaufuks mostra Portugal em 2004 pela janela de um carro. Para explicar o road movie que não teve distribuição comercial, Blaufuks afirma “a paisagem que percorri era o Portugal pós-Euro 2004 e prestes a entrar no governo provisório de Santana Lopes. É um país parecido com a imagem que todos nós ainda temos da “nossa terra”, mas que já deixou de corresponder à realidade e é quase irreconhecível, como num postal”.

Em paralelo, o Alvalade Cineclube programa o ciclo “As Mulheres e os Outros”, como abordagem ao universo feminino no cinema. A sessão que marca o arranque é dedicada a Agnès Varda, dia 23 Janeiro, às 21h00, com a projecção de “Salut Les Cubains”. O filme de 1963 é o reflexo da viagem que a realizadora francesa realizou à ilha no início da Nouvelle Vague e mostra centenas de fotografias no coração da revolução cubana. Na mesma sessão são apresentadas “Elsa La Rose” (1966), “Resposta de Mulheres” (1975) e “L’Opera Mouffe” (1958), tudo filmes de Varda dedicados às mulheres.

O ciclo decorre até Junho e traz a Alvalade Cláudia Varejão (“Ama-San”, 20 Fevereiro) e Mercês Gomes (“Ilha da Boa-Vida”, 16 Abril). Ambas as realizadoras apresentarão os seus filmes e falarão com os espectadores.

Confirmados estão ainda os filmes de Laura Huertas Millan (“La Libertad” e “Sol Negro”, 16 Abril), Brillante Mendoza (“Lola”, 19 Março), Jennie Livingstone (“Paris is Burning”, 21 Maio), Spike Lee (“She’s Gotta Have it”, 18 Junho) e Ana Lily Amirpour (“A Girl Walks Home Alone at Night”, 23 Junho).

Vais perder este ciclo de cinema? 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.