Depois de ter já passado pelo Primavera Sound de Barcelona por duas vezes em anos recentes, a norte-americana Ethel Cain chegou finalmente ao Parque da Cidade no primeiro dia do Primavera Sound Porto em 2026, como um dos principais cabeças de cartaz a par dos britânicos The XX.
Ethel Cain estreia-se no Primavera Sound Porto
Embora esta tenha sido a sua primeira vez nas lides do Primavera Sound do Porto, Ethel Cain não é nenhuma estranha a terras lusas, sendo um nome que já nos proporcionou diversos espectáculos de qualidade em anos recentes. Em 2025 por cá esteve a promover o seu mais recente disco de originais com a “The Willoughby Tucker Forever Tour” e em setembro de 2023 havia-se estreado em Lisboa com um memorável concerto no MEO Kalorama, o qual até contou com a presença de Florence Welsh em palco para um inesquecível dueto inesperado.
A terceira visita de Ethel Cain a Portugal, neste Primavera Sound, não desiludiu nem ficou aquém dos espectáculos prévios da artista. Esta referência gigante da pop alternativa apresentou um set relativamente curto mas eficaz, tendo saído do Palco Vodafone visivelmente comovida com a resposta entusiasta por parte do público e já a prometer voltar em breve.

Ethel Cain, fora do palco e da sua persona artística, Hayden Silas Anhedönia, tem andado bastante ocupada. Em 2025 lançou “Perverts”, o seu álbum mais experimental e alternativo até à data, feito de sons ambientes terroríficos e paisagens sonoras arrojadas quase desprovidas de voz. “Perverts” funcionou quase como uma rejeição da potencial carreira como estrela da pop mainstream que poderia ter sido. No mesmo ano, Ethel Cain lançou “Willoughby Tucker, I’ll Always Love You”, um álbum mais estruturado e um retorno às narrativas que começou a entregar com a sua estreia em 2022 com o grande “Preacher’s Daughter”, o disco que continua a ser mais sinónimo do seu impacto na indústria musical.
Uma retrospectiva dos primeiro anos no Palco Vodafone
E apesar de ter lançado dois discos no último ano, este concerto de Ethel Cain no Primavera Sound Porto, tecnicamente ainda integrado na digressão “The Willoughby Tucker Forever Tour”, acabou por funcionar mais como uma celebração da sua carreira até então do que como um momento de promoção do mais recente disco. Aliás, apenas três canções deste álbum foram tocadas no Parque da Cidade, com “Preacher’s Daughter” a dominar o alinhamento.
Nas primeiras filas multiplicavam-se os fãs emocionados, que choravam copiosamente enquanto entoavam as letras de Ethel Cain, uma artista que sem dúvida tem vindo a encontrar na mais recente geração uma porção significativa do seu público. Ethel começou logo o alinhamento com o seu maior sucesso até à data, “American Teenager”, uma música animada, não fosse o seu tema uma crítica pujante ao Imperalismo norte-americano. Todavia, no que toca à sua paisagem sonora, é sem dúvida o tema que mais a aproxima da pop convencional.

Todavia, neste espectáculo houve também espaço para a mais misteriosa e tenebrosa Ethel, aquela que criou uma história assustadora para a sua personagem, ancorada em fanatismo religioso, Americana e no interior profundo dos Estados Unidos. Temas como “Ptolemaea” e “Sun Bleached Flies” dão-nos acesso a um imaginário negro muito próprio e traduzem na perfeição a natureza extremamente visual dos discos de Ethel Cain.
Com apenas 11 canções na setlist, algumas delas bastante longas, a norte.americana conseguiu apresentar um concerto feito de momentos distintos, alguns de êxtase, outros povoados pela estranheza e particularidade que a definem. Com “Crush”, vinda diretamente do seu EP inaugural,”Inbred”, temos direito a mais um hino semi-pop que deixa todo o recinto em êxtase.
Mas seja qual for o tema ou a sua aura, algo é sempre garantido: a entrega vocal estupenda de Ethel Cain, uma artista afinadíssima, com um timbre que em nada fica a dever à versão de estúdio, antes pelo contrário, e que roça mesmo o etéreo.
Mal podemos esperar para saber o que se segue, tendo sido Ethel Cain tão prolífica em termos de lançamentos em anos recentes. Algo damos quase por certo, depois deste espectáculo, é muito provável que voltemos a ver esta cantora pisar terras lusas e, mais especificamente, os palcos do Primavera Sound do Porto. Cá estaremos para a receber de braços abertos!
Desse lado, estás a marcar presença nesta edição do Primavera Sound Porto?

