Reacher © Amazon Studios

Reacher, primeira temporada em análise

Às vezes são pequenos detalhes, como o casting, que conquistam. Será que a nova série da Amazon Studios é um novo ponto de partida para Jack Reacher?

Sem ignorar o facto dos filmes de Jack Reacher terem conquistado bilheteiras mundiais acima dos 400 milhões de dólares, há uma questão importante: para quem conhece mesmo a personagem dos livros de Lee Child, seria mesmo Tom Cruise o actor ideal para o papel? Bem… verdade seja dita, não. Resultou, como muitos dos filmes do actor conseguem captar as audiências, mas a essência deste major das forças militares dos EUA parecia um pouco perdida na adaptação.

Por isso, quando a Amazon Studios anunciou pela primeira vez a adaptação televisiva das histórias da mesma personagem, é natural que a curiosidade tenha sido muita; iria seguir a mesma linha ou reinventar totalmente o que já tinha sido apresentado? Claro que as dúvidas ficaram um pouco mais esclarecidas quando se anunciou o casting do protagonista: Alan Ritchson. Corpulento, grande e de olhar duro, Ritchson foi sem dúvida a indicação que “Reacher” iria estar mais fiel aos livros e à própria personagem. E que boa surpresa! Para além de que alguém que já foi um super-herói numa série à partida tem sempre outro appeal como ‘herói justiceiro’.

Jack Reacher
Alan Ritchson deu em tempos vida a Aquaman, em “Smallville” © Prime Video

[Esta é uma análise sem spoilers. A não ser que já conheçam o livro, prometemos que não iremos revelar nenhum ponto chave]

Nos livros de Lee Child é descrito como um homem de ombros largos, com mais de 1,95 metros e, só por essa descrição, a nova série original Amazon Studios já acertou na vibe. No entanto, claro que não basta arranjar alguém grande. É preciso alguém que corresponda à descrição mas que consiga carregar sozinho aos ombros uma série onde o protagonista é alguém que aparentemente não estabelece relações, que é reservado, e que tem um passado de segredos mas uma missão e valores morais bem definidos.

Sem revelar muitos detalhes da narrativa e dos seus contornos em termos de conspiração e eventuais plot twists (sim, há alguns e desde logo um para dar o mote à temporada), podemos dizer que para os leitores mais atentos que a inspiração advém de “Killing Floor”, o primeiro livro da saga; e do que vimos podemos afirmar que a adaptação é leal ao material de origem, fazendo jus à saga.

Jack Reacher é um polícia ex-militar que entrou recentemente na vida civil. Reacher está à deriva, sem telefone e com apenas o essencial, enquanto viaja pelo país e explora a nação que já serviu. Quando chega à pequena cidade de Margrave, Georgia, encontra uma comunidade que está a lidar com o seu primeiro assassinato em 20 anos.

Os polícias prendem-no imediatamente e as testemunhas colocam Reacher no local do crime. Enquanto ele trabalha para provar a sua inocência, uma conspiração começa a emergir, e vai requerer a sua inteligência e as suas mãos. Uma coisa é certa: eles escolheram a pessoa errada para ficar com a culpa.

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E, para além de ser a personificação de Reacher que muitos queriam desde o início, Alan Ritchson conseguiu incorporar a personagem de forma exímia; ao longo de oito episódios conferiu à personagem a profundidade necessária para o espectador se relacionar e querer saber mais sobre a sua enigmática persona, as suas histórias de guerra e os seus ‘demónios’ e memórias pessoais. E especialmente quando a temporada se foca num caso de assassinato com conspirações envolvidas, vinganças e uma cidade pequena onde as personagens secundárias tendem a ganhar relativo destaque ao longo da série.

Mas claro que a sua performance individual não pode ser apontada como a única de relevo nesta série. Se por um lado estas séries costumam ter antagonistas magníficos e que saltam no enredo ao ponto de adorarmos odiá-los, aqui a adaptação da Amazon abre esse caminho para as personagens secundárias aliadas do protagonista. Com polícias íntegros, polícias corruptos e magnatas de pequenas cidades a serem envolvidos na conspiração que procura incriminar Reacher, a série constrói uma base para o desenvolvimento de Finlay e Roscoe, as duas personagens secundárias que se vão unir a Jack. E sim, são as personagens secundárias que ajudam a narrativa a continuar e a tornar-se interessante – Jack Reacher talvez não o conseguisse sozinho.

Jack Reacher
Finlay vai-se desenvolvendo ao longo dos episódios, nunca perdendo a sua essência mas demonstrando como o passado o moldou, nos tempos e moldes certos © Amazon Studios

Mas o que esta série tem de apelativo até é que apesar de toda a acção envolvida ao longo de todos os episódios, esta é verdadeiramente uma história de origem. Nick Santora, o criador, procurou reproduzir fielmente “Killing Floor”, o primeiro livro da saga e, apesar de ter introduzido algumas personagens que só viriam a aparecer mais tarde – Neagley por exemplo, o resultado final convenceu. A temporada tem uma história, tem mistério, suspense, conspiração e uma personagem central que apesar de toda uma reputação é demonstrada como alguém de ‘coração de ouro’ e bastante humana e íntegra.

De resto, apresenta-se como uma série “fun to watch” para quem gosta do género, e que não resiste realmente às cenas de luta e aos momentos ‘gratuitos’ de colocar em exibição o corpo esculpido do protagonista da série (e quem sabe seja talvez mesmo um chamariz para parte do público).

Reacher
No final faltou apenas um vislumbre do que se avizinha para Jack Reacher. Será a segunda temporada uma possibilidade? © Amazon Studios

Para já, depois de um final que ficou fechado em termos de caso mas aberto para o futuro de Reacher (não queremos contar nada, apenas dizer.. vejam a série e divirtam-se), a Amazon Studios já tem também um outro trunfo: há uma segunda temporada a caminho. E muito material de entre o qual escolher a próxima missão pois, afinal de contas, a saga de Jack Reacher já conta actualmente com 26 livros publicados e por isso muitas storylines para escolher e novas personagens para introduzir na televisão.

TRAILER | REACHER, DISPONÍVEL NO PRIME VIDEO

“Reacher” é um original da Amazon Studios e já está disponível na plataforma de streaming Prime Video.

Jack Reacher

Name: Jack Reacher

Description: Jack Reacher é um polícia ex-militar que entrou recentemente na vida civil. Reacher está à deriva, sem telefone e com apenas o essencial, enquanto viaja pelo país e explora a nação que já serviu. Quando chega à pequena cidade de Margrave, Georgia, encontra uma comunidade que está a lidar com o seu primeiro assassinato em 20 anos. Os polícias prendem-no imediatamente e as testemunhas colocam Reacher no local do crime. Enquanto ele trabalha para provar a sua inocência, uma conspiração começa a emergir, e vai requerer a sua inteligência e as suas mãos. Uma coisa é certa: eles escolheram a pessoa errada para ficar com a culpa.

Author: Marta Kong Nunes

  • Marta Kong Nunes - 70
70

CONCLUSÃO

“Jack Reacher” da Amazon Studios oferece finalmente aos fãs o retrato que se sempre se imaginara da personagem. Com Alan Ritchson a manter uma figura imponente, e no entanto relacionável, destaca-se pelos momentos de comédia e ironia. A narrativa de fundo poderá não ser muito elaborada, e muito menos algo fora da caixa, mas monta-se de forma controlada e bem estruturada, mantendo o espectador na dúvida sobre as suas próprias teorias a cada episódio que passa.

Tudo isto alia-se em última instância a cenas de acção cuidadosamente coreografadas, com Jack Reacher a oferecer verdadeiros momentos de luta qual John Wick, mas mais bruto e no entanto igualmente eficaz (ponto a favor o facto de apostarem mais no confronto físico do que recorrerem simplesmente a armas).

Pros

  • A profundidade que Alan Ritchson consegue dar à personagem, apesar de um exterior “duro” e difícil de desmontar;
  • Willa Fitzgerald que tão bem equilibra uma personagem durona mas ainda assim feminina;
  • A relação que Jack Reacher desenvolve com Finlay;
  • A montagem da narrativa.

Cons

  • A clareza com que se identifica os antagonistas da história (ainda que a narrativa transforme as teorias iniciais);
  • O “final fechado”. Não porque é mau mas porque uma série deste género pedia um vislumbre do futuro da personagem principal
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Marta Kong Nunes

Fanática de cinema e séries por pura paixão, sou da geração Disney mas também das Tartarugas Ninjas, Motoratos e afins. Já passei pela obsessão de vários géneros de cinema e apesar de me considerar eclética, nada me tira o gozo de um bom filme de acção (por muito irrealista que seja). Séries também se devoram por cá, mas a magia de um filme, será sempre a magia de um filme!

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