Stan Lee, o herói dos super-heróis, faleceu aos 95 anos

Hoje será sempre o triste dia em que perdemos o maior e mais real super-herói já existente. Aos 95 anos, o coração da Marvel deixou de bater. Stan Lee faleceu.

Stanley Martin Lieber, conhecido por todos como o lendário Stan Lee, cresceu em Washington Heights, com o seu pai, um imigrante Romeno. Começou a sua carreira em 1939, tendo co-criado o Black Panther, Spider-Man, X-Men, Iron Man, Fantastic Four, Ant-Man, Captain America, Doctor Strange e muitos, muitos mais super-heróis.

Para além de poder, as personagens de Stan Lee tinham também personalidade e complexidade psicológica. Eles nunca foram intocáveis, tendo passados e sentimentos com quais os leitores se podiam identificar. Esse foi, talvez, o maior motivo que fez todos ficarem rendidos às criações do escritor e editor da Marvel Comics.

As histórias dele ensinaram-nos que super-heróis como o Homem Aranha e o Hulk têm egos diferentes e problemas com raparigas, e ainda que não vivem nas fantasias de homens fortes 24 horas por dia.

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Muito cedo as suas criações inspiraram as pessoas. Stan Lee tinha imensos fãs de banda desenhada espalhados pelo mundo. Lee colaborou com artistas como Jack Kirby, Steve Dikto e Bill Everett, tendo, juntamente com eles, criado algumas das personagens mais acarinhadas e respeitadas do Universo Marvel.

Para além das suas criações, Stan Lee queria fazer o mundo um lugar melhor e mais seguro. Já na década de 70, o lendário escritor introduziu temas que deveriam abalar a consciência das pessoas e sensibilizá-las. Desde drogas, a violência, entre muitos outros assuntos, Lee, apesar de não ter um “seal of aproval”, lutou para que essas ideias fossem trabalhadas. E conseguiu.

Para alguns, Lee era um génio, para outros nem tanto. Em Manhattan, por exemplo, ele não foi aceite. Stan Lee chegou até mesmo a dizer que as pessoas o evitam como se ele tivesse a peste negra, algo que agora, não acontecia nunca. As pessoas corriam até si. No entanto, até mesmo naquele tempo, algumas pessoas importantes eram interessadas pelo seu trabalho, tendo uma vez sido visitado por Federico Fellini (cineasta italiano) somente porque ele queria falar sobre o Spider-Man.

A forma como ele fazia as coisas na Marvel era através de brainstorming. Ele criava toda a vida da personagem com outro artista, e depois escrevia uma sinopse. Após o artista desenhar várias histórias, ele escrevia palavras e chamadas de atenção nos balões. Esse processo tornou-se conhecido como ‘The Marvel Method’.

Pouco depois de ser nomeado editor principal da Marvel, por Martin Goodman, Stan Lee fez parte do exército, tendo ingressado no Signal Corps, onde escreveu manuais e livros de treino que mais tarde lhe foram úteis para as suas bandas-desenhadas. Depois da Guerra, ele regressou para a Editora e continuou como editor principal durante décadas.

Mais tarde, seguindo as pegadas da DC Comics com Justice League, Lee e Kirby em novembro de 1961, criaram a sua própria equipa de super-heróis, Fantastic Four, e muitos outros heróis se seguiram. Lançaram “The Avengers” em setembro de 1963.

Já em 2002, Lee publicou a sua autobiografia, intitulada “Excelsior! The Amazing Life of Stan Lee”, que vendeu milhões de cópias em todo o mundo.

Assim, esta feliz e atribulada vida, foi, no seu final, tumultuosa e triste. Em julho de 2017, Joan, a sua esposa, a companheira há 69 anos faleceu, deixando a saúde do escritor um pouco mais frágil. Ultimamente, Stan Lee já não era visto em público. Tendo, até mesmo, há alguns meses atrás, divulgado a notícia de que poderia deixar de aparecer nos tão adorados e aguardados cameos dos filmes da Marvel.

Em 2007, no seu cameo, em “Spider-Man 3”, enquanto falava com Peter Parker (Tobey Maguire), em Times Square, Stan Lee disse-lhe “eu acho que uma só pessoa pode fazer a diferença”. De facto, este super-herói da vida real estava certo. Uma pessoa pode fazer diferença e, sem dúvida, que Stan Lee fez toda a diferença na vida de todos aqueles que o idolatravam.

Eu pensava que o que fazia não era importante. As pessoas constroem pontes e trabalham em pesquisas médicas, e eu estou aqui a escrever histórias ficcionais de pessoas que fazem coisas doidas e extraordinárias e usam fatos. Mas acho que acabei por perceber que o entretenimento também tem a sua importância.

Hoje perdemos um ídolo, perdemos uma das pessoas que acompanhou inúmeras gerações e que fez todos nós, em algum momento das nossas vidas, almejarmos mudar o mundo. O seu trabalho permanecerá connosco e também a saudade do seu humor único. Continuaremos a idolatrar este ídolo, continuaremos à sua procura nos filmes da Marvel.

Até sempre, Stan Lee.

IMAGEM | STAN LEE, A LENDA DA BANDA-DESENHADA

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Catarina Novais

Eternamente apaixonada pelo mundo do cinema e por tudo o que está ligado à sétima arte. Seriófila nos tempos livres. A escrita e música também são dois vícios permanentes.

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