© Fox Entertainment Group

The Resident é o regresso que todos devíamos ver

A quarta temporada de “The Resident” estreou esta semana e traz consigo o lembrete de que todos estamos a precisar.

Sim, o pequeno ecrã está cheio de dramas médicos. Mas hoje, escolhemos falar de “The Resident”. Em concreto do primeiro episódio da quarta temporada que estreou esta quarta-feira na FOX Life. Para quem não conhece a série, a mesma tem como palco o Chastain Memorial Hospital, onde um grupo de médicos tenta superar os desafios pessoais e profissionais da sua exigente carreira, mesmo que por vezes tal implique quebrar regras.

A uma primeira vista, a sinopse não acrescenta nada ao universo médico televisivo. Contudo, a série embarca em histórias assentes na realidade hospital dos Estados Unidos, onde o privado impera. Como sabemos, é um pais em que, por vezes, os cuidados médicos dependem da extensão do nosso bolso. E é contra esse cenário que Conrad Hawkins, Nic Nevin, Devon Pravesh e Mina Okafor, entre muitos outros, lutam diariamente. Felizmente, sem grandes romances à mistura, ou pelo menos não tão exaustivos como em outras séries. Paralelamente, o elenco composto por nomes como Matt Czuchry (“The Good Wife”), Emily VanCamp (“Revenge”), Manish Dayal (“A Viagem dos 100 passos”; “Halt and Catch Fire“), Shaunette Renée Wilson (“Black Panther“), Jane Leeves (“Frasier”) ou Bruce Greenwood (“Star Trek”; “Treze Dias”), também contribui bastante para o interesse na série.

Lê Também:
Canais Fox | As novidades para o mês de Fevereiro

A quarta temporada, à semelhança de outras – “This is Us”, “Bull”, “The Good Doctor”, “9-1-1” -, também inclui a pandemia causada pela COVID-19. E acreditamos que, para a realidade portuguesa, tenha vindo vindo na ‘hora H’. Intitulado “A Wedding, A Funeral”, o nosso primeiro pensamento foi quem seria o membro da série sacrificado. A mesma começa num futuro esperançoso – sem especificar quando – e livre do coronavírus, onde Conrad e Nic finalmente se casam. No entanto, essas imagens são rapidamente substituídas por um ecrã preto onde se lê “Março 2020”. O primeiro caso de COVID-19 entra pelas portas do Chastain, ainda sem qualquer tipo de preparação, e tudo começa.

the resident fox life
Matt Czuchry e Emily VanCamp em “The Resident” | ©Fox Entertainment Group

O caos instala-se. Os médicos, enfermeiros e auxiliares lidam com algo que desconhecem e que parece afetar todos, independentemente da idade, género, sexualidade ou raça. Aliás, “The Resident” faz questão de reforçar precisamente esse ponto (entre muitos outros). A dada altura do episódio, Dr. Bell (Greenwood) decide ir para as urgências, uma vez que as cirurgias – a sua especialidade – foram canceladas, onde a Dra. Voss (Leeves) já se encontra. Este pergunta-lhe o que pode fazer, ao que ela responde “devias ir para casa, não tens mais de 65 anos?”, ao que prontamente Bell lhe responde “‘sessentas’, mas estou em forma e sou ativo”. É então que Voss o arrasta para uma sala de um paciente COVID e lhe diz “[…] jovem nos 30, atleta profissional”. A cena não poderia ser mais real. Quantos casos de pessoas “saudáveis”/atletas foram noticiados? Sim, felizmente, a grande maioria tem uma recuperação relativamente mais rápida. Mas é preciso pensar naqueles que não têm. E, claro, em todos os outros.

Lê Também:
Bull vai cantar? Estivemos à conversa com Glenn Gordon Caron

Mas, não é apenas nesse ponto que “The Resident” toca. Também a questão do distanciamento social e do uso da máscara são frisados na série. E outro aspeto que, como não somos formados em medicina não sabemos atestar quanto à sua veracidade, mas que nos pareceu bastante plausível. Observando de fora e através das redes sociais e notícias, não nos lembramos – ou desconhecíamos – que, como é lógico, os médicos estão divididos por especialidades. E, no caso da equipa que protagoniza a série, são praticamente todos cirurgiões, que dada a situação sentiram-se como “peixes fora de água”. “Eu corto, não faço ideia de como salvar uma vida de outra forma”, diz AJ Austin (Malcolm-Jamal Warner) a certa altura. Talvez seja um exagero, mas acreditamos que muitos profissionais de saúde se tenham sentido assim.

Da mesma forma que – outra vez no contexto da série – os médicos não sabiam onde ligar determinados fios para monotorização do paciente, trabalho realizado por enfermeiros. Todos tivemos de lidar com o desconhecido, mas só quem esteve e está na linha da frente sabe como realmente está a situação. O problema é que a grande maioria deixou de ouvir. Por isso, episódios como este merecem ser vistos para nos relembrar que, infelizmente, a luta ainda não acabou.

the resident
Bruce Greenwood dá vida ao Dr. Randolph Bell, um dos médicos que trocou o bloco operatório pelas urgências | © Fox Entertainment Group

Não queremos estar com moralismos, não somos médicos e sabemos que “cada um [deve estar] no seu lugar”. Contudo, somos um meio de comunicação e queremos usar essa ‘mais valia’ para reforçar o apelo que milhares têm feito “Fiquem em casa“. Este cenário já se arrasta não tarda há um ano. Bem sabemos que estamos todos saturados. No entanto, saturado deveria ser diferente de anestesiado. Dormente. Ouvir que a COVID causou 5 mortos em Portugal, não deveria ser igual ao ouvir os mais de 200 que se têm verificado nos últimos dias. Esta parte dizemos com conhecimento de causa, porque temos quem na equipa tenha amigos, familiares na linha da frente: são inúmeros os profissionais de saúde a trabalhar 10-13 horas por dia, outros em turnos contínuos. E a única coisa que nos pedem é que nos limitemos a ficar em casa, a sair apenas para o essencial, a não procurar formas de contornar o confinamento.

O primeiro episódio da quarta temporada de “The Resident” termina precisamente com um aplauso à equipa médica e com uma mensagem de agradecimento a todos os profissionais. Tristemente, parece que a quem outrora aplaudimos, agora viramos as costas…

PARTILHAMOS A MENSAGEM DE THE RESIDENT AQUANDO A ESTREIA NOS E.U.A

Um novo episódio de “The Resident” é emitido todas as quartas-feiras pelas 22h20, na FOX Life

Inês Serra

Cresci a ir ao cinema, filha de pais que iam a sessões duplas...Será genético? Devoro livros e algumas séries. Fã incondicional do fantástico e do sci-fi. Gostaria de viver todos os dias com o mote Spielbergiano - "I dream for a living"

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *