The Umbrella Academy, primeira temporada em análise

“The Umbrella Academy” reúne super-poderes, viagens no tempo, chimpanzés que falam e uma mãe-robot! Consegues lidar com isto tudo ao mesmo tempo?

“The Umbrella Academy” é mais uma história de super-heróis, todos eles “estragados” à sua maneira e com um background que os leva a ser como são. Desconfiados, egocêntricos, obstinados e resilientes naquilo que acreditam ser o correcto… no mundo e na perspectiva deles.

Criada e escrita por Gerard Way, o vocalista da famosa banda My Chemical Romance,  foi editada como banda desenhada pela Dark Horse Comics. A Netflix gostou da história e decidiu adaptar para o pequeno ecrã em formato de mini-série com 10 episódios. Foi um sucesso e é quase consensual: quando se começa a ver, é para ver os 10 episódios seguidos (ou o mais depressa possível).

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Desde o primeiro episódio que percebemos que “The Umbrella Academy” não é uma série como as que temos estado habituados do mundo dos super-heróis. A aura da série distancia-se em tudo do que conhecemos de séries como “Arrow” e “Flash“, do universo DC, ou de “Punisher” e “Jessica Jones” da Marvel. Um misto de aura gótica com um toque de comédia negra, as personagens conseguem ser tão esquisitas como fáceis de criar relação e sentir uma empatia quase instantânea. E a própria diversidade de super-poderes apresentada é mais que coerente com os universos fantásticos que conhecemos actualmente.

A série é tão boa quanto atípica. Não sabemos se tem muitas alterações face ao material original de banda desenhada, mas sabendo que Gerard Way continua aliado ao projecto do pequeno ecrã, acreditamos que a história se manterá fiel à sua ideia enquanto criador deste universo. A riqueza desta história está nas inúmeras histórias, cruzadas ou não. Não estamos num mundo utópico, muito pelo contrário. O tempo presente da série é um mundo normal e onde todas as personagens têm uma vida normal – certo, são vigilantes ou adultos reprimidos por memórias de uma infância sombria, mas são parte integrante da sociedade.

“The Umbrella Academy”, o local onde 7 crianças são incentivadas a usar os seus poderes para ajudar o mundo

O elo comum a todas as personagens? Sir Richard Hargreeves (Colm Feore), o excêntrico bilionário que decide reunir um grupo de crianças que nasceram misteriosamente no mesmo dia, à mesma hora, e todas elas de mulheres que não estavam grávidas quando o dia começou. É precisamente deste mistério que nasce o “Umbrella Academy”. Aos protagonistas principais, os sete membros da academia, juntam-se no entanto outras personagens que ajudam a série a ter uma mística fora do comum. Poggo (Adam Godley), um chimpanzé falante que é o assistente de Hargreeves (um Alfred para o Batman se assim quiserem colocar a questão), a Mãe, ou Grace (Jordan Claire Robbins), uma robô que funciona por inteligência artificial e que mantém sempre um aspecto impecável de dona de casa e uma interessante dupla de assassinos que só pelo nomes, Cha-Cha e Hazel, já nos fazem querer saber mais sobre este mundo.

Jeremy Slater e Steve Blackman apresentam-nos “The Umbrella Academy” com uma reunião da família após a morte inesperada da figura paterna, Sir Richard Hargreeves. É a partir desse momento que ficamos a conhecer a família Hargreeves que, logo aqui, aparenta não ser uma família normal. O passo seguinte numa situação destas é a partilha de heranças, já no caso dos Hargreeves, a história muda e o objectivo é salvar o mundo de um Apocalipse iminente. Incentivados por dicas deixadas por Sir Richard, e pelo frenesim causado pela chegada repentina do membro nº5 do grupo, é nesta missão que se foca o grupo de irmãos como reacção e forma de lidar com a morte do pai (ou o que mais perto tiveram de figura paternal).

Ellen Page
Ellen Page é um dos nomes mais sonantes de um elenco que conta com várias caras novas, e interpreta Vanya Hargreeves, a número 7 do grupo

No elenco podemos ver algumas caras bem conhecidas do público e essas não desiludem por certo. Ellen Page, talvez o nome mais sonante, é Vanya, a número 7 do grupo e aquela que cresceu acreditando ser uma vítima da sua própria situação. Page interpreta na perfeição uma jovem adulta angustiada pelas memórias de uma infância em que foi colocada de parte e considerada a outsider, num mundo onde tudo o que experienciava já era por si mesmo algo invulgar. É claro que desde o início percebemos que o ponto de viragem será através desta personagem. É um cliché mas um bom cliché porque por muito que imaginemos o que será, a resposta só surge quando os criadores da série querem que ela surja. Não há pistas, não há teorias.. apenas aquele feeling natural de quem já vê séries e filmes há algum tempo.

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Um dos pontos fortes da série no entanto é o duo Klaus/número 5, interpretado respectivamente por Robert Sheehan e Aidan Gallagher. Estas são as peças fundamentais da engrenagem da história. Não é que sejam as personagens mais importantes mas são sem sombra de dúvida as que mais captam a nossa atenção. Sheehan é simplesmente magnético e, apesar de interpretar na perfeição um rapaz levado ao limite pelas suas capacidades psíquicas, é uma das personagens mais relatables que encontramos na série – tudo o que ele faz, tudo o que ele diz, pode não ser o mais correcto mas é de facto o espelho da verdade e tem a sua razão de ser. E as audiências gostam sempre de ver a realidade espelhada na ficção.

Robert Sheehan e Aidan Gallagher
Klaus (Robert Sheehan) e Number 5 (Aidan Gallagher) são a dupla de irmãos mais dinâmica e divertida da série, e simplesmente excepcionais.

No entanto, a outra parte do duo, Aidan Gallagher, é o actor revelação do elenco. O jovem actor de 15 anos é exímio no seu trabalho de interpretar uma personagem adulta presa num corpo pré-adolescente. Os maneirismos, a forma de falar e as próprias expressões, como que carregadas e com o peso de vários anos de vida em cima, são notáveis e um prazer de ver.

Os restantes membros do grupo principal no entanto não têm o mesmo appeal. Sim, as personagens estão na mesma linha – angustiadas, frustradas, altamente influenciadas por uma infância fora do comum, culpando os outros pela sua própria vida -, mas ficam um degrau abaixo dos outros actores. As emoções não transparecem da mesma forma e a interpretação não tem a mesma convicção que vemos nos outros. Os poderes também são muito diferentes um dos outros e talvez por isso haja uma profundidade diferente em cada personagem.

Mas não deixamos de realçar a relação construída entre cada protagonista que apesar das diferenças recai essencialmente numa relação de irmãos.

6 das “crianças” Hargreeves. Number 5 (Aidan Gallagher), Vanya (Ellen Page), Allison (Emmy Raver-Lampman), Klaus (Robert Sheehan), Diego (David Castañeda) e Luther Tom Hopper)

O elenco secundário também é de realce pela presença que marca no ecrã. Mary J. Blige e Cameron Britton, a dupla de assassinos Cha-Cha e Hazel, revelam um boa química mas tudo se eleva quando Kate Walsh entra em cena como a chefe por trás da misteriosa organização que controla o tempo. Responsáveis pela história paralela à família Hargreeves, é neles que se centra parte da acção da história. As viagens no tempo do misterioso nº5, a confusão sobre a família disfuncional Hargreeves, e uma missão de não deixar que nada se intrometa no rumo “natural” dos acontecimentos da linha temporal pré-definida são as bases da fundação para o rumo da primeira temporada.

E como em qualquer boa história de super-heróis, a primeira temporada não é estranha a um vilão. Não iremos dizer quem é mas achamos que foi talvez o momento mais cliché da temporada inteira. Se por um lado desconfiávamos da reviravolta que viria a acontecer Vanya, acreditamos também que muitos espectadores souberam desde logo quem é que iria ser o vilão. O lado bom? É que tal como na reviravolta da personagem da Número 7, a história também não nos dá pistas sobre os motivos ou a origem do vilão, pelo que a curiosidade só reforça a vontade de querer continuar a ver a série.

Kate Walsh interpreta a chefe da organização que controla a linha temporal. É a única pessoa que percebe o poder do Number 5 e que está ciente do perigo que pode ser se a família Hargreeves impedir o apocalipse.

A série é complementada com uma banda sonora incrível. As músicas, escolhidas a dedo, são perfeitas para as cenas e as personagens envolvidas. A precisão foi tanta que mesmo depois de vermos a série, é quase inevitável relacionar a cena com a música quando a ouvimos isoladamente na rádio ou no computador.

E, apesar da série nos proporcionar vários flashbacks que explicam o passado de cada uma das personagens, peca por nunca parecer suficiente. A ligação com o tema é apelativa mas a sensação no final da temporada é que ficou a faltar saber… mais! Ficou a faltar saber mais ainda sobre as origens exactas do estranho acontecimento, os motivos reais de Hargreeves para saber que teria de juntar estas crianças, o que levou ao estado actual do número 6, o Ben. Não consideramos no entanto que seja uma série de super-heróis no seu core, mas mais uma série focada nos problemas de uma família disfuncional, que neste caso tem de colocar tudo de parte para salvar o mundo.

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É um pecado não termos ficado a conhecer as origens todas mas acreditamos que esse será o mote para a Netflix continuar com o projecto. Afinal de contas, é um mundo de super-heróis, e storylines não irão faltar certamente. Nós por cá ficamos à espera para saber o que acontece, principalmente porque o destino e o tempo da última viagem dos irmãos ainda é uma página em aberto.

TRAILER | THE UMBRELLA ACADEMY

Já viste? Qual o teu veredicto?

The Umbrella Academy, em análise

Movie title: The Umbrella Academy

Director(s): Andrew Bernstein, Peter Hoar, Ellen Kuras, Stephen Surjik, Jeremy Webb

Actor(s): Ellen Page, Aidan Gallagher, Robert Sheehan, David Castañeda, Tom Hopper, Emmy Raver-Lampman, Mary J. Blige, Cameron Britton , Kate Walsh

Genre: Acção, Aventura

  • Marta Kong Nunes - 75
  • Luís Telles do Amaral - 70
73

Conclusão

"The Umbrella Academy" é uma nova abordagem ao mundo dos super-heróis onde o que é esquisito apenas faz a audiência querer saber mais. Não interessa se é descabido ou irracional, no final é simples entretenimento que nos capta a atenção.

O MELHOR: Aidan Gallagher que, com 15 anos, interpreta um homem com mais de 50 anos preso num corpo de uma criança de 10 anos. Divinal!

O PIOR: Tom Hopper. Não sabemos bem o que é mas as expressões não são as melhores e a personagem cai por vezes no ridículo.

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Marta Kong Nunes

Arquitecta (com um c!) de formação. Coordenadora de profissão. Fanática de cinema e séries por pura paixão.

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