The Witcher © Susan Allnut via Netflix

The Witcher, segunda temporada em análise

Com uma só linha temporal, “The Witcher” promete ser mais elucidativa nesta segunda temporada. Mas será que Henry Cavill é suficiente para liderar a série?

Um dos regressos mais antecipados da televisão em 2021, “The Witcher” regressou para a sua segunda temporada quase dois anos após a primeira temporada (muito devido a atrasos motivados pela pandemia global da Covid-19). Com expectativas altas por parte dos fãs, a série original da Netflix prometeu reunir novamente o elenco principal e foi oferecendo vários teasers, desde monstros, a novas armaduras e ao derradeiro encontro de Geralt de Rivia, Ciri e Yennefer.

[Procuramos não incluir qualquer spoiler ao enredo nesta análise, focando-nos em pontos gerais]

Num reino de fantasia que já havia apresentado witchers, feiticeiras, magos e monstros de outro mundo, a história de “The Wicher” é desta vez mais aprofundada; se já conhecemos alguns detalhes, é nos novos episódios que conhecemos a origem dos vários povos, ou até mesmo a ‘raça’ dos witchers, e temos espaço para dar entrada no mundo dos elfos, percebendo a verdadeira ligação de todos neste mesmo universo.

The Witcher
A segunda temporada aprofunda o passado das várias raças e povos que co-existem neste mundo | © Susie Allnut via Netflix

Com uma única timeline, “The Witcher” proporciona que as audiências acompanhem a série de forma mais ‘descontraída’, mas sem por isso esquecer o que aconteceu no passado. Começando praticamente onde a primeira acabou, a segunda temporada tem na sua essência três pontos que a tornam ainda melhor: o nível de CGI (bastante melhorado), a timeline única, como já referimos, e a vertente mais ‘humana’ da história, com a narrativa a centrar-se nas relações entre as personagens e no crescimento delas mesmas.

Mas, convenhamos, para além destes plus da narrativa, a série original Netflix volta a cativar-nos também em grande parte pelo próprio Henry Cavill. O actor, que nunca se inibiu de mostrar o entusiasmo que tem em interpretar esta personagem, carrega novamente consigo o coração de “The Witcher”, conferindo novas camadas de profundidade a Geralt, e ‘desenvolvendo-o’ de um modo que os fãs não ficarão desapontados.

Para além disso a inclusão de novos Witchers, a desenvoltura atribuída a Ciri e o reaparecimento de Jaskier, são alguns dos momentos que mudam o rumo da temporada, e que lhe conferem ‘uma nova vida’.

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No entanto, a ‘nova vida’ de “The Witcher” não está isenta de algumas ideias mal adaptadas à série. Sim, é certo que a segunda temporada oferece todo um novo vislumbre de Geralt of Rivia e até de Ciri, que é uma das personagens melhor desenvolvidas esta temporada mas por outro peca com Yennefer. Com uma história que segundo os fãs dos livros se distancia da literatura, o percurso de Yennefer parece ficar em suspenso e com pouca explicação; o desenvolvimento é pobre, as acções dela nem sempre compreensíveis e no final quase se sente desnecessária ao enredo da temporada em vários episódios.

The Witcher
A relação de Ciri e Geralt of Rivia é o coração da segunda temporada © Jay Maidment via Netflix

Com a dinâmica da série a centrar-se na relação de Geralt e Ciri, realça-se que os argumentistas conseguiram de algum modo construir um universo de histórias paralelo que se foi desenvolvendo ao longo dos episódios. Com um tom mais sociopolítico, o panorama de “The Witcher” conta a história dos Witchers mas também da sua relação com os restantes povos e reinos; a par disso são revelados mais detalhes do império Nilfgaard, os seus motivos, e também o que aconteceu aos elfos para os levar até onde os encontramos no início da temporada – e tudo isto sem esquecer o plot twist final que dá uma outra visão sobre tudo o que está a acontecer no reino.

De contexto bem construído para o que se desenrola em termos de acção, esta temporada consegue assim acompanhar a importância atribuída ao desenvolvimento das personagens. Os diálogos não são necessariamente os melhores mas apesar disso a série continua a revelar-se intrigante, interessante, divertida por vezes, mas também palco de uma cinematografia acima da temporada anterior, e que nos deixa mergulhar numa série como se de um filme se tratasse (e talvez por isso seja fácil ver a série de uma só vez).

The Witcher
Henry Cavill volta a mostrar porque merece ser Geralt of Rivia | © Susie Allnut via Netflix

Em última análise podemos dizer que as mentes por detrás de “The Witcher” não são de todo indiferentes aos fãs. Esta temporada mostrou que as críticas à primeira foram ouvidas (nomeadamente a confusão das timelines), parte dos efeitos visuais e claro, o querer aprofundar a história de Geralt de Rivia, a personagem central. Ainda que deste lado não consiga fazer a relação directa com a oba de Andrzej Sapkowski, por não a conhecer na íntegra, “The Witcher” continua sem dúvida a conquistar as audiências e parece que o seu universo não irá a lado nenhum – ou não tivesse o episódio final sido palco para o teaser do próximo spin-off.

The Witcher

Name: The Witcher

Description: Convencido de que Yennefer perdeu a vida na Batalha do Monte Sodden, Geralt de Rivia leva a princesa Cirilla para o local mais seguro que conhece: Kaer Morhen, onde passou a infância. Enquanto reis, elfos, humanos e demónios do Continente lutam pelo poder fora das muralhas da fortaleza, ele tem de proteger a jovem de algo muito mais perigoso: o misterioso poder que ela esconde dentro de si.

Author: Marta Kong Nunes

  • Marta Kong Nunes - 88
  • Inês Serra - 85
87

CONCLUSÃO

Depois de uma primeira temporada que se revelou algo confusa para os recém-chegados ao universo, pelas suas timelines diferentes, “The Witcher” convergiu num único tempo e história. A segunda temporada revelou-se uma boa surpresa, suplantando o sucesso dos episódios anteriores e equilibrando de forma exímia a aventura, a fantasia, a acção e a relação humana. Foi uma narrativa que se voltou mais para a família e o ‘coração’ mas de forma criteriosa e justificável, e que deu a oportunidade do crescimento das personagens centrais – algo que nem sempre acontece neste tipo de séries de fantasia.

Pros

  • a inclusão de novos Witchers;
  • a desenvoltura e crescimento de Ciri;
  • as novas camadas de profundidade proporcionadas a Geralt, ‘desenvolvendo-o’ para além da imagem de durão que transparece enquanto Witcher;
  • um maior aprofundar da história do universo, e do que levou à relação actual dos humanos, witchers e elfos;
  • plot twist final dos últimos momentos da temporada

Cons

  • o crescimento atrapalhado de Yennifer, que continua a ser o mais ‘trapalhão’ dos três protagonistas;
  • as motivações de parte das personagens: revelaram-se pouco coerentes por vezes;
  • apesar do espaço de crescimento de personagens, alguns episódios sentiram-se apressados, não mostrando margem de desenvolvimento para a história do passado do mundo de “The Witcher”
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Marta Kong Nunes

Fanática de cinema e séries por pura paixão, sou da geração Disney mas também das Tartarugas Ninjas, Motoratos e afins. Já passei pela obsessão de vários géneros de cinema e apesar de me considerar eclética, nada me tira o gozo de um bom filme de acção (por muito irrealista que seja). Séries também se devoram por cá, mas a magia de um filme, será sempre a magia de um filme!

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