“The Tudors” voltou a ser tema de conversa em Portugal desde que chegou à Netflix. A série acompanha o reinado de Henrique VIII, do seu casamento com Catarina de Aragão até à sua morte, passando pelas seis esposas, os conflitos religiosos e as intrigas da corte inglesa do século XVI.
Jonathan Rhys Meyers protagoniza a série no papel do icónico monarco. Ao seu lado está Natalie Dormer, que interpreta Ana Bolena, uma das personagens mais marcantes da produção. Sam Neill dá vida ao Cardeal Wolsey, conselheiro próximo do rei, enquanto Henry Cavill veste a pele de Charles Brandon, Duque de Suffolk e melhor amigo de Henrique. Maria Doyle Kennedy completa o núcleo principal como Catarina de Aragão, a primeira esposa do rei.
Apesar do sucesso, muitos historiadores apontam vários erros à produção. Alguns são pequenos deslizes de figurino ou linguagem. Outros, porém, mudam factos históricos de forma significativa.
Quais os principais erros na série que chega agora à Netflix?
1. Jonathan Rhys Meyers e o rei galã de ginásio Henrique VIII

Talvez o desvio mais flagrante de toda a produção seja a aparência do protagonista. Na série, o rei é retratado de forma permanente como um galã atlético de cabelo castanho. Contudo, historicamente, o verdadeiro Henrique VIII era ruivo e, mais tarde, tornou-se severamente obeso na sequência de um grave acidente de justas.
Numa entrevista à NPR, o criador Michael Hirst justificou a escolha deliberada: “Não nos demos ao trabalho de colocar Jonathan Rhys Meyers com uma peruca ruiva, torná-lo gordo e pôr-lhe uma barba só para dizermos ‘Olha, aquele é o Henrique VIII!’. Quisemos aproximar-nos mais do espírito da coisa, de um determinado tipo de realidade”.
2. A irmã que desapareceu da história de The Tudors

Henrique VIII teve duas irmãs, Margarida (Gabrielle Anwar) e Maria Tudor. Na série, porém, só existe uma, com o nome de Margarida, mas com uma história que se assemelha mais à de Maria. A produção terá optado por eliminar uma das duas para não confundir o público com demasiadas personagens chamadas Maria, uma explicação que ironicamente não impediu a série de manter nove personagens diferentes chamados Thomas.
3. Uma ligação a Portugal que nunca existiu

Na ficção, a personagem de Margarida casa com o rei de Portugal, e mais tarde mata-o. No entanto, nenhuma das irmãs de Henrique se casou com um monarca português. Margarida Tudor casou com o rei da Escócia, e é precisamente através dessa união que a atual família real britânica descende de Henrique VIII. Maria Tudor, por sua vez, casou primeiro com o rei de França e depois, em segredo, com o personagem de Henry Cavill. Um romance que, aliás, a série transfere quase por completo para a personagem Margarida.
4. O Cardeal Wolsey de Sam Neill não se suicidou na vida real

Um dos momentos mais chocantes da primeira temporada mostra o Cardeal Wolsey a suicidar-se na prisão. Contudo, na vida real, tudo ocorreu de forma muito menos dramática. Assim, Wolsey morreu de causas naturais, provavelmente agravadas pelo stress da sua queda em desgraça, rodeado por monges de uma abadia, e não sozinho numa cela.
5. The Tudors praticamente ignora um filho de Henrique VIII

Henry Fitzroy (Zak Jenciragic), filho ilegítimo de Henrique VIII, surge na série apenas em dois episódios e morre ainda criança. Na realidade, Fitzroy viveu até aos 18 anos, tempo suficiente para testemunhar a queda de Wolsey e a execução de Ana Bolena (Natalie Dormer), acontecimentos que a série sugere terem ocorrido somente depois da sua morte.
O que diz a crítica sobre “The Tudors”?

No Rotten Tomatoes, “The Tudors” soma 69% de aprovação da crítica e 82% junto do público. No Metacritic, a pontuação fixa-se nos 66 pontos.
A imprensa internacional dividiu-se um pouco mais do que os números sugerem à primeira vista. O “New York Post” colocou a série entre as melhores desde “The Sopranos”. Já a “L.A. Weekly” destacou a interpretação de Natalie Dormer como Ana Bolena, descrevendo-a como um dos grandes trunfos da série.
Por sua vez, o “New York Times” foi mais comedido, considerando a série agradável e cativante, mas nunca arrebatadora nem hipnotizante. Mais crítico ainda foi o “Los Angeles Times”, que apontou o grande cuidado com o figurino e a produção, mas concluiu que, apesar de todo esse esplendor, “The Tudors” fica estranhamente vazia por dentro.
“The Tudors” teve quatro temporadas e um total de 38 episódios, emitidas entre 2007 e 2010. A série está atualmente disponível na Netflix e na Prime Video.

