The Last House. Greta Lee as Ann in The Last House. Cr. Courtesy Netflix © 2026

“A Última Casa”, (“The Last House”) chegou à Netflix a 7 de agosto e rapidamente conquistou o primeiro lugar entre os filmes mais populares da plataforma. O novo thriller de ficção científica, protagonizado por Wagner Moura e Greta Lee, parte de uma premissa simples: uma família fica misteriosamente presa dentro da própria casa e precisa de encontrar uma forma de sobreviver.

Qual é o enredo de A Última Casa, com Wagner Moura e Greta Lee?

 

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A história acompanha uma família de quatro pessoas que, de um momento para o outro, fica impossibilitada de sair de casa. As portas fecham-se e as janelas tornam-se praticamente impossíveis de destruir. Entretanto, até os elementos tecnológicos deixam de funcionar normalmente.

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Enquanto isso, a família percebe que não enfrenta uma situação isolada. Os vizinhos também parecem estar presos nas respetivas casas e ninguém sabe exatamente o que está a acontecer no exterior. Assim, aquilo que inicialmente parece apenas uma situação estranha transforma-se, gradualmente, numa luta pela sobrevivência. Na verdade, este filme traz de volta um pouco da sensação provocada entre 2019 e 2020, quando o mundo se viu forçado a ficar em casa. No entanto, esta interpretação do filme apresenta uma explicação menos lógica e mais “mitológica”.

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Na minha perspetiva, o reflexo da pandemia da COVID-19 funcionou como um dos motes desta narrativa. O isolamento, o medo do que está “para lá da porta” e os vírus que causam milhares de mortes continuam a marcar estas novas narrativas. Assim, esta representação, de forma literal ou metafórica através dos filmes, de um vírus e os perigos deste em larga escala chegou para ficar.

Wagner Moura e Greta Lee lideram o elenco de A Última Casa, da Netflix

O filme conta com Wagner Moura e Greta Lee nos papéis principais. Moura interpreta Jason, enquanto Lee assume a personagem de Ann. A dupla interpreta o casal que tenta manter a família unida perante uma situação que ninguém consegue explicar. Além dos dois protagonistas, o elenco inclui Riley Chung, Emma Ho, Gabriel Barbosa, Noah Alexander Sosnowski, Audrey Anderson e Sid Edwards, entre outros.

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Para Wagner Moura, este é mais um projeto internacional de grande dimensão, depois de trabalhos como “Narcos”, “Shining Girls” e “Civil War”. Desta vez, o ator brasileiro assume uma personagem central. Por outro lado, Greta Lee ganhou especial reconhecimento internacional com “Past Lives”, filme que lhe valeu uma nomeação ao Globo de Ouro.

Louis Leterrier é o responsável por “The Last House”. O cineasta francês tem uma carreira particularmente ligada ao cinema de ação e realizou filmes como “The Transporter” e “The Incredible Hulk”. A produção conta ainda com a Chernin Entertainment e a 3 Arts Entertainment, enquanto a Netflix assume a distribuição.

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A Última Casa: A Crítica ao novo thriller da Netflix

The Last House. (L-R) Wagner Moura as Jason, Greta Lee as Ann, Riley Chung as Ruth and Noah Alexander Sosnowski as Graham in The Last House. Cr. Courtesy Netflix © 2026
The Last House. (L-R) Wagner Moura as Jason, Greta Lee as Ann, Riley Chung as Ruth and Noah Alexander Sosnowski as Graham in The Last House. Cr. Courtesy Netflix © 2026

Neste caso, contudo, Leterrier troca a ação convencional por uma história muito mais fechada e dramática. Em vez de colocar as personagens constantemente em movimento, o realizador transforma a própria casa num espaço de tensão. Além disso, o facto de, basicamente, toda a ação decorrer num espaço tão reduzido contribui para aumentar a tensão e reforçar a componente de thriller. Isto acontece porque a narrativa explora o isolamento e procura criar uma espécie de “falso conforto” através de uma rotina que deixa de corresponder à normalidade.

Assim, as personagens precisam de adaptar os hábitos a uma nova realidade, enquanto a narrativa avança de dias para meses e, posteriormente, para anos, através de uma montagem acelerada. Consequentemente, o filme cria uma sensação de engano propositado e de que “vai ficar tudo bem”. No entanto, estamos perante um thriller, e essa aparente tranquilidade esconde uma ameaça constante.

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Infelizmente, é precisamente aqui que surge um dos principais problemas. Estas interações acabam interrompidas pela explicação excessiva sobre o motivo que leva ao confinamento. Consequentemente, a ameaça perde força e “A Última Casa” transforma-se, em determinados momentos, num jogo da apanhada.

Opinião sobre A Última Casa, filme no Top 10 da Netflix Portugal

 

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“The Last House” não é, para mim, o insucesso que a sua classificação no IMDB pode fazer parecer. Pelo contrário, existe uma ideia interessante no centro do filme. A premissa coloca uma família aparentemente normal perante uma situação absurda e, sobretudo, obriga as personagens a lidar com a ausência de respostas. Durante uma boa parte da história, o desconhecido funciona precisamente porque o filme não revela imediatamente o que está a acontecer. Desta forma, a incerteza ajuda a criar tensão e mantém o espectador interessado na evolução da narrativa.

Além disso, Wagner Moura é claramente um dos pontos fortes. O ator consegue dar alguma racionalidade a Jason e torna credíveis várias das transformações da personagem à medida que a situação se prolonga. Greta Lee acompanha bem esse trabalho e ajuda a construir uma dinâmica familiar que funciona melhor quando o filme se concentra nas relações entre as personagens.

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No entanto, “The Last House” também apresenta problemas evidentes. À medida que a narrativa avança, o filme começa a explicar aquilo que anteriormente funcionava melhor como mistério. Consequentemente, parte da tensão desaparece. Além disso, algumas decisões narrativas parecem pouco convincentes e o argumento nem sempre consegue equilibrar o drama familiar com a componente de ficção científica e terror.

Vale a pena ver A Última Casa, novo thriller da Netflix?

 

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A resposta depende, sobretudo, do que procuras num filme. Se esperas um grande filme de terror, provavelmente vais encontrar algumas limitações. Por outro lado, se gostas de thrillers de sobrevivência, histórias de famílias isoladas e filmes que partem de uma situação aparentemente impossível, “The Last House” justifica uma sessão. Além disso, o facto de Wagner Moura assumir um dos papéis principais acrescenta um motivo adicional para os espectadores portugueses conhecerem a produção.

Concluindo, para uma sessão descontraída de ficção científica e suspense, “The Last House” funciona melhor do que a sua classificação crítica pode sugerir. Assim, considero que o filme consegue cumprir uma das suas principais funções: entreter. Não é uma produção particularmente assustadora e também não apresenta uma história tão surpreendente quanto a premissa inicial poderia sugerir. Contudo, tem momentos interessantes, boas interpretações e uma ideia suficientemente apelativa para manter a atenção.

A Última Casa, análise

Summary

A história acompanha uma família de quatro pessoas que, de um momento para o outro, fica impossibilitada de sair de casa. Enquanto isso, eles percebem que a situação não é apenas naquela casa. Ao redor, os vizinhos também estão presos nas respetivas casas e ninguém sabe exatamente o que está a acontecer no exterior e o porquê do confinamento forçado.

Overall
6/10
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