"Venom: Tempo de Carnificina" estreia hoje nas salas de cinema | © Big Picture Films

Venom: Tempo de Carnificina, em análise

“Venom: Tempo de Carnificina” chegou hoje às salas nacionais, e podemos dizer que reúne todas as qualidades para agradar os fãs da personagem, bem como para os deixar ansiosos sobre o próximo capítulo!

Atenção este artigo contém spoilers!

Tom Hardy está de regresso ao seu papel enquanto o anti-herói Venom, ou na versão humana, Eddie Brock. E, desta vez, temos Andy Serkis ao leme desta continuação, em substituição de Ruben Fleischer. Por coincidência, dois dos maiores camaleões de Hollywood, ainda que em planos distintos. Se te recordas, existe uma grande parte dos desempenhos de Hardy – “O Cavaleiro Cavaleiro das Trevas Renasce”, “Dunkirk” ou “Mad Max: Estrada da Fúria“, bem como dos de Serkis (isto enquanto ator, claro)  – “Senhor dos Anéis”, “King Kong” ou “Planeta dos Macacos” -, em que mal vemos a cara (no caso do último na totalidade), mas que a sua presença é inconfundível.

Lê Também:
Venom, em análise

Serkis tem em “Venom: Tempo de Carnificina” uma nova oportunidade para “brincar” com uma das tecnologias que o tornou famoso, o CGI (computer-generated imagery). O ator e realizador britânico tem-se vindo a tornar numa das referências no sector, muito graças à tecnologia de motion-capture (a utilizada para Gollum ou Caesar), tendo inclusive formado o seu próprio estúdio, o Imaginarium, em 2011. E, curiosamente, Hardy já havia ligado a Serkis quando soube que tinha ganho o papel para o primeiro filme precisamente a pedir conselhos a este, segundo uma entrevista do portal Uproxx. Na altura, o contacto entre ambos ficou-se por essa chamada, mas a vontade de colaborarem, quer lado a lado como atores, quer na dinâmica ator-realizador, já existia há alguns anos… Até que Hardy ligou novamente a Serkis, desta com a proposta de realização, à qual o último não resistiu. O resultado está agora nas salas de cinema nacionais.

Venom Tempo de Carnificina
Foi Tom Hardy quem recrutou Andy Serkis para “Venom: Tempo de Carnificina”| © Big Picture Films

Curiosamente, tanto “Venom”, como “Venom: Tempo de Carnificina” não utilizaram tecnologia de motion-capture, mas sim CGI. Esta escolha foi feita de forma a dar mais liberdade de interpretação a Tom Hardy. De acordo com Serkis, seria mais fácil para o ator de 44 anos ter monólogos com uma entidade imaginária à sua escolha. Por isso, e também para melhor controlar certos aspetos fisionómicos de Venom e Carnage, o cineasta optou por recorrer a imagens exclusivamente criadas por computador (CGI).

Lê Também:
Venom | 20 curiosidades sobre os filmes

O segundo capítulo deste anti-herói recomeça três anos depois do primeiro filme, com Eddie Brock e Venom a coexistir. O problema é que isso significa que a vida do jornalista está um completo caos (ainda maior que o anterior), basta ver o seu apartamento. É ao tentar recuperar alguma estabilidade, principalmente na sua carreira, que Eddie consegue uma entrevista com o serial killer Cletus Kasady (Woody Harrelson), preso em San Quentin. Aliás, a cena pós-créditos do primeiro capítulo já tinha antecipado a personagem, mas só quem está familiarizado com o universo reconheceu a dica de Harrelson quando mesmo termina com “there is gonna be carnage” (irá existir carnificina). Pois bem, o prometido é devido, e aqui está ele, Carnage, o pior sonho de Venom.

venom 2 carnage
Carnage é o vilão desta história, criado a partir do próprio Venom | ©Big Picture Films

Mas, para além de todo o universo e referências, é a relação de Eddie e Venom que nos prende ao ecrã. Tom Hardy volta a ter um desempenho único, ao qual já nos habituou. O ator voltou a trabalhar em conjunto com Kelly Marcel para o desenvolvimento da história, que agora ganha um cunho humorístico, capaz de arrancar umas quantas de gargalhadas da audiência. Eddie e o seu simbiótico (que se estivesse a ler isto já estávamos sem cabeça) são verdadeiramente a alma do filme, que desta forma não se torna a típica narrativa do humano transforma-se em herói, conhece o vilão e o mata/vence. Tanto que há espaço para cenas protagonizadas exclusivamente pelo Venom, como uma caricata ida a uma discoteca – felizmente durante uma noite de máscaras-, onde, após uma discussão com Eddie, o extraterrestre se aventura no corpo de outro hospedeiro. Contente por todos o elogiarem pela sua “máscara”, Venom chega inclusive a discursar sobre a sua origem e a sua vida na terra, palavras que são interpretadas pelo público como um discurso sobre inclusão e a importância de sermos nós próprios – uma das melhores cenas do filme.

Lê Também:
Venom + Homem-Aranha | A colisão de universos

Harrelson e Hardy também formam uma boa dupla, já que podemos dizer que ambos partilham um certo grau de loucura que transparece para as respetivas personagens. Contudo, Cletus Kasady, a personagem de Harrelson e vilão desta história, poderia ter tido mais um bocadinho de tempo de antena. E, haveria espaço para tal visto que, para os dias que correm, um filme com aproximadamente 90 minutos é uma absoluta raridade mesmo no universo do terror. Ficamos com a ideia de que não é um personagem importante, quando na realidade ainda é algo relevante no universo do “Homem-Aranha”, de onde “Venom” se tentou afastar, mas que agora parece tomar outra direção.

Venom 2
Qual será o futuro de Eddie e Venom? | ©2021 Sony Pictures

Na realidade, “Venom: Tempo de Carnificina” abre portas para uma fusão entre a Sony Pictures e o MCU, algo semelhante ao que já tínhamos visto este ano na série “WandaVision”, com a inclusão de Pietro/Quicksilver na sua narrativa. Aqui, ao que tudo indica, é bastante plausível que tenhamos a presença do protetor letal (a forma como Venom se quer autodesignar enquanto ‘super-herói’) em “Homem-Aranha: Sem Volta a Casa”, ou no próximo título do franchise agora liderado por Tom Holland. Esta entrada pode ser justificada pela criação do Multiverso na série “Loki”, da Disney+, ou, em alternativa, por um feitiço mal realizado de Doutor Estranho, que resulta na junção de realidades alternativas. Resta saber se a mesma será na qualidade de vilão face Peter Parker, ou de aliado (?), uma vez que Eddie/Venom não aparentam pender para o lado mais tradicional e expectável da sua personagem. Ficamos a aguardar.

TRAILER | VENOM ESTÁ DE VOLTA PARA ENFRENTAR UM TEMPO DE CARNIFICINA

Vais aproveitar o fim-de-semana para ver o segundo capítulo de “Venom”? 🙂

Venom: Tempo de Carnificina

Movie title: "Venom: Tempo de Carnificina"

Movie description: Tom Hardy regressa ao grande ecrã no papel do protetor letal Venom, um dos maiores e mais complexos personagens do universo MARVEL. Realizado por Andy Serkis, este filme tem também a interpretação de Michelle Williams, Naomie Harris e Woody Harrelson, no papel do vilão Cletus Kasady/Carnificina.

Date published: 14 de October de 2021

Director(s): Andy Serkis

Actor(s): Tom Hardy, Woody Harrelson, Stephen Graham, Michelle Williams, Naomie Harris, Scroobius Pip, Reid Scott, Peggy Lu, Sean Delaney, William W. Barbour, Jessie Vinning, Michelle Greenidge

Genre: Ação, Sci-Fi, Thriller

  • Inês Serra - 70
70

CONCLUSÃO:

“Venom: Tempo de Carnificina” volta a ser um filme de super-heróis, não o sendo. Tom Hardy continua a operar no seu próprio ‘universo’ enquanto anti-herói, agora com um toque de humor, que poderá agradar a uns, mas não ir ao encontro das expectativas daqueles que conhecem a história deste (na verdade) vilão. Contudo, e talvez para agrado destes, a cena final pós-créditos poderá inverter essa tendência e unir Venom à sua origem.

Pros

  • A realização de Andy Serkis, com a respetiva mestria nos efeitos especiais
  • Tom Hardy prova novamente o seu domínio na arte de personagens peculiares, principalmente agora que pode explorar em maior profundidade Venom
  • A continuação da expansão da história de “Venom”

Cons

  • A ausência de violência poderá ser novamente sentida por os fãs
  • A história além da relação entre Eddie e Venom poderia ter sido um pouco mais explorada dado que o filme apenas tem pouco mais de 90min
User Review
0 (0 votes)

Inês Serra

Cresci a ir ao cinema, filha de pais que iam a sessões duplas...Será genético? Devoro livros e algumas séries. Fã incondicional do fantástico e do sci-fi. Gostaria de viver todos os dias com o mote Spielbergiano - "I dream for a living"

Inês Serra has 776 posts and counting. See all posts by Inês Serra

Leave a Reply