Acaba de estrear na Netflix o novo romance “Voicemails for Isabelle”, protagonizado por Zoey Deutch e Nick Robinson. Neste momento, a longa-metragem, lançada no dia 19, encontra-se no Top da plataforma de streaming em vários países, incluindo Portugal. O filme é realizado pela norte-americana Leah McKendrick, que também assina o argumento e ainda participa na longa-metragem como atriz, no papel de Breeda.
A Netflix continua a reforçar o catálogo de comédias românticas. Esta recente estreia junta-se a outras produções originais como “People We Meet on Vacation” e “My Oxford Year”, lançadas em 2025 e 2026, respetivamente.
Voicemails for Isabelle reflete sobre a perda e os desafios do amor
A trama acompanha Jill, uma jovem aspirante a chef que tenta construir a sua carreira na área. Ao mesmo tempo, é-nos apresentada Isabelle (Ciara Bravo), a irmã mais nova da protagonista. Através de flashbacks, o espectador acompanha a infância das duas irmãs. As duas são inseparáveis, mas ao mesmo tempo tentam lidar com a doença cruel que acompanha a vida de Isabelle.
Entretanto, já na idade adulta, Jill parte em busca do seu sonho e decide mudar-se para São Francisco. No entanto, logo nos primeiros minutos, Isabelle morre devido à doença terminal, e a irmã mais velha não chega a tempo de se despedir dela. Assim, completamente sozinha, Jill continua a manter a rotina de contactar a irmã através de voicemails. Porém, do outro lado está Wes, um jovem que herdou o número da irmã e fica curioso para descobrir quem é a pessoa que lhe continua a enviar mensagens.
A Netflix segue o padrão de adaptar comédias românticas, um género que continua a ter muito sucesso, tanto nas salas de cinema como no streaming. Aliás, esta não é a primeira história deste género: uma personagem envia mensagens ou e-mails para um número ou endereço que já não pertence à pessoa original, ou que julgava já não existir. Temos, por exemplo, “Love Again” e o clássico “You’ve Got Email”, com Tom Hanks e Meg Ryan, que partem precisamente dessa premissa.
Mas, e o romance?
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Quanto ao romance, ele continua lá. Apenas não é o foco principal do enredo. Ainda assim, o filme reúne muitos dos elementos típicos do género. Para quem gosta de comédias românticas, esta é uma excelente sugestão. A cineasta constrói uma química entre os dois protagonistas que considero bastante bem desenvolvida, embora bastante previsível. Além disso, apresenta uma verdadeira montanha-russa de emoções: num momento estamos perante uma comédia e, logo a seguir, mergulhamos num drama. E, principalmente, termina com o clássico “flashmob”, encerrando o filme em grande estilo, como uma boa e velha comédia romântica dos anos 2000.
A juntar a tudo isto, a relação entre Jill e Wes segue praticamente todos os passos esperados de uma comédia romântica. Como já referi, é previsível. Ou seja, aproximam-se, criam uma ligação, enfrentam um conflito e, por fim, caminham para a inevitável resolução.
No entanto, isso não significa que “Voicemails for Isabelle” não consiga construir a sua própria identidade dentro do género romântico. A perceção com que fiquei depois de assistir ao filme é que McKendrick pretende que o espectador compreenda que o foco central da história não é o romance, mas sim as diferentes formas de lidar com o luto. Neste caso, a cineasta apresenta uma dessas perspetivas, bem como a dificuldade de seguir em frente após a perda de alguém que se ama.
Assim, o filme opta por um caminho mais sensível. A realizadora, através dos flashbacks, conta a história de duas irmãs outrora inseparáveis, enquanto Jill tenta, a todo o custo, encontrar uma forma de manter Isabelle presente nos momentos mais importantes, marcantes ou simplesmente divertidos da sua vida. Nesse sentido, as cenas iniciais que mostram a relação afetuosa, divertida e cúmplice entre Jill e Isabelle são fundamentais para estabelecer a narrativa.
Nick Robinson e Zoey Deutch em Voicemails for Isabelle, mas a surpresa é Nick… Offerman
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Zoey Deutch é uma atriz extremamente carismática. De facto, tem uma presença marcante em cena. Comparando esta interpretação com outra de que gosto bastante, “Set It Up”, ao lado de Glen Powell, considero que a sua prestação em “Voicemails for Isabelle” não fica nada atrás. Aliás, penso que neste caso ajuda o facto de interpretar uma mulher completamente destruída pela dor da perda da irmã.
Ao mesmo tempo, temos Nick Robinson que, na minha opinião, não acompanha o nível de Deutch. Ainda assim, acho que essa opção encaixa na visão da cineasta. Isto porque a produção está claramente mais interessada em falar sobre a saudade, a família e o processo de luto do que propriamente sobre o relacionamento amoroso entre as duas personagens.
No entanto, se há um ator que quero destacar é Nick Offerman. Conhecido pela sua performance em “Last of Us” – que lhe valeu um Emmy -, o ator surge como um chefe de cozinha excêntrico e completamente desvairado, com quem Jill tem de lidar diariamente. A participação de Offerman é pequena, mas praticamente todos os momentos mais divertidos da longa-metragem passam por ele. Menção honrosa também para Lukas Gage que, apesar de ter igualmente uma participação reduzida, conseguiu arrancar-me várias gargalhadas com algumas das suas falas.
Conclusão
Apesar de seguir a estrutura clássica de uma comédia romântica, “Voicemails for Isabelle” destaca-se por colocar o luto, a relação entre duas irmãs e a dificuldade em seguir em frente no centro da narrativa, oferecendo uma história emocionante e sincera. É bem sustentada pela interpretação de Zoey Deutch e pelos momentos de humor de Nick Offerman e Lukas Gage.

