A Bela e o Monstro | O visual dos habitantes do castelo

A Bela e o Monstro pode ser uma história de amor mas alguns dos figurinos mais fantásticos do filme são os das suas personagens secundárias e não dos dois amantes principais.

 


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É verdade que grande parte do elenco secundário de A Bela e o Monstro passa grande parte da narrativa sob a forma de mobília e peças de decoração falantes, mas o filme de Bill Condon, mesmo assim, dá oportunidade aos atores que interpretam os vários servos do Monstro para aparecerem em carne e osso. E que atores!

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Por muito questionáveis que sejam algumas das prestações vocais de alguns membros do elenco, os atores escolhidos para serem os habitantes amaldiçoados do castelo são uma coleção deliciosa de nomes sonantes. Temos Emma Thompson como Mrs. Potts, Ewan McGregor como Lumiére, Ian McKellen como o relógio Cogsworth, sua amada Plumette é interpretada por Gugu Mbatha-Raw, Audra McDonald dá vida à cantora e involuntário armário Madame Garderobe, enquanto Stanley Tucci é Monsieur Cadenza, um músico italiano casado com Garderobe e que se transforma no seu próprio instrumento.

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A primeira vez que os vemos a todos é durante o prólogo, a meio de uma faustosa festa organizada pelo seu príncipe. Nessa festa, quase todos se vestem de branco e doirado, contrastando com a figura ensombrada do seu anfitrião, e, para dizer a verdade, quase nenhum dos membros do elenco tem sequer direito a um plano médio de destaque. Todos, menos a fabulosa Audra MacDonald que enverga um monumental vestido inspirado no desenho convencional do robe à la française só que apetrechado com tanta decoração que, mesmo antes de se tornar num armário narcoléptico, a pobre Madame Garderobe já se assemelha a uma peça de mobília falante.

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Por muito faustosa que seja a aparência da cantora, é no figurino do seu marido que a figurinista Jacqueline Durran mais se divertiu. Para vestir Cadenza, Durran pesquisou os estilos pessoais de músicos de cortes europeias e criou uma versão exagerada da realidade, completada com a adição de enormes quantidades de renda doirada aplicada ao fato no que é uma versão mais exuberante dos bordados tradicionais da época.

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Pela sua profissão musical, Cadenza e Garderobe têm direito a figurinos mais baseados em modas históricas que nos seus respetivos objetos mas o mesmo não acontece com alguns dos outros habitantes do castelo. De certo modo, esse foi o maior desafio de Jacqueline Durran que teve de arranjar modo de traduzir os objetos encarnados pelas personagens nos seus figurinos humanos. Plumette, uma criada que se transforma num espanador emplumado, usa um figurino com uma silhueta de saia reminiscente de um robe à la polonaise do século XVIII. Mas os detalhes da indumentária são pura fantasia, especialmente a sua textura e uso generoso de plumas, penas e penugens como elementos decorativos.

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No caso de Lumiére, a tradução de objeto para figurino é mais fácil e evidente, sendo que o castiçal amaldiçoado é bastante antropomorfizado, tendo até direito a uma casaca setecentista. Como tal, o seu figurino é basicamente uma versão mais detalhada da roupa do castiçal em tons de amarelo e dourado que sugerem a natureza metálica da sua versão amaldiçoada. Cogsworth, o relógio, usa também um figurino claramente inspirado na sua versão de objeto que inclui alguns interessantes detalhes militares. Para tratar de um castelo assim, nada melhor que um mordomo rabugento, obcecado com pontualidade e ares de general do exército.

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Por fim, temos Mrs. Potts e o seu filho Chip em figurinos cujas cores foram escolhidas tanto para lembrarem a porcelana pintada em que os dois se transformam. Um detalhe interessante da indumentária de Emma Thomspon é a relativa falta de decoração em comparação, por exemplo, com o vestido de Garderobe, e o seu estilo muito mais antiquado que o das outras mulheres do castelo. Isto faz sentido dramatúrgico, tanto como indicador da idade da personagem como da sua posição social pois, como descobrimos no final, Mrs. Potts não era uma residente permanente do castelo mas sim da aldeia de Belle onde as mulheres mais velhas mostram uma clara preferência por estilos do início do século XVIII.

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Todas estas personagens têm direito a mais um figurino igualmente faustoso mas, infelizmente, existem poucas imagens desses momentos celebrativos finais. Mesmo sem auxílio visual fica aqui a nota que não haverá em todo o filme uma imagem mais deliciosa que a de Stanley Tucci a tocar cravo, vestido com uma casaca híper decorada, qual Liberace do Antigo Regime, enquanto Audra McDonald canta o tema principal do filme numa nova confeção de puro devaneio estilístico do século XVII com um cãozinho nos braços.

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Depois de tanta ostentação divertida passamos, na próxima página, a uma personagem muito menos inocente e positiva. Não percas!



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