75º Festival de Cannes: Iris Knobloch a nova presidente

A advogada e gestora audiovisual franco-alemã Iris Knobloch, tornou-se hoje a primeira mulher, presidente do Festival de Cannes, substituindo Pierre Lescure. O director-artístico Thierry Frémaux mantêm-se como responsável pela programação.

Iris Knobloch, foi eleita como a nova presidente do Festival de Cannes, numa reunião realizada hoje, do Conselho de Administração da Association Française du Festival International du Film, composto por altos quadros do governo e membros da indústria cinematográfica francesa. De acordo com o regulamento do Festival, a eleição foi realizada por votação secreta e assim Iris Knobloch tornou-se a primeira mulher presidente do Festival Internacional de Cinema de Cannes. Iris Knobloch é uma advogada de formação, trilíngue (francês, alemão e inglês), que ocupou durante mais de 25 anos altos-cargos de liderança mundial na WarnerMedia, tanto nos EUA, como na Europa. Depois de deixar a multinacional de media, com um histórico comprovado em entretenimento, marketing, distribuição e uma forte rede de contactos internacionais, co-fundou a I2PO em julho de 2021, a primeira SPAC (Special Purpose Acquisition Company) europeia dedicada a este setor. Durante os anos em que foi CEO da Warner France, circulou sempre muito próximo do Festival de Cannes, apoiando e promovendo  alguns filmes dos melhores filmes e cineastas-autores franceses e internacionais: Clint Eastwood pelo 25º aniversário de Imperdoável’, Christopher Nolan que supervisionou a restauração digital de ‘2001: Uma Odisseia no Espaço’, de Stanley Kubrick, Steven Soderbergh por Che, que rendeu a Benicio del Toro o Prémio de Melhor Ator, Woody Allen por Vicky Cristina Barcelona’, Baz Luhrmann por The Great Gatsby’, George Miller para ‘Mad Max: Estrada da Fúria’, entre outros. A sua brilhante carreira e as suas apostas de risco na indústria de cinema francesa, pode resumir-se num filme fora-da-caixa, em que esteve envolvida e defendeu com determinação, como tantos outros filmes franceses: O Artista de Michel Hazanavicius, produzido por Thomas Langmann, um filme mudo a preto e branco que foi um sucesso mundial e com o qual Jean Dujardin ganhou o Prémio de Melhor Ator, nos Óscares de 2012. 

Festival de Cannes
Antonin Thuillier © / AFP

O Festival de Cannes, o maior evento cinematográfico do mundo, elegeu-a assim para o próximo triénio, com possibilidade de renovação, de mais um ou dois mandatos. A tomada de posse será 1 de julho, depois da realização desta 75ª edição de 2022 e o seu mandato de três anos abrangerá as edições de 2023, 2024 e 2025. Iris Knobloch agradeceu desta forma a sua eleição, aos membros da Direcção do Festival de Cannes: ‘Sinto-me profundamente honrada por a França ter-me eleito Presidente do Festival de Cannes. Como europeia convicta, sempre defendi o cinema ao longo da minha carreira, tanto na França quanto internacionalmente, e estou muito feliz por poder dar tudo de mim para que este evento mundial continue influente. É um grande evento e fundamental para manter viva a vida cultural de um mundo que, mais do que nunca, precisa desesperadamente dela. Um filme visto em sala de cinema continua a ser uma expressão artística fundamental e o Festival de Cannes, com a sua seleção tão única, mostra esse caminho todos os anos. Mal posso esperar para iniciar um debate coletivo com o Conselho de Administração, com Director Artístico Thierry Frémaux e com todos os players da indústria cinematográfica para continuar o que foi realizado até agora e mapear a história futura, à luz dos novos desafios que estão por vir. Por fim, gostaria de agradecer a Pierre Lescure pelo maravilhoso trabalho que fez para o Festival nos últimos oito anos e, antecipadamente, pelas discussões que teremos para preparar a transição nos próximos meses.

Festivais de Cinema
Thierry Frémaux, director-artístico do Festival de Cannes. | ©José Vieira Mendes

Também o atual presidente Pierre Lescure expressou-se com a sua habitual diplomacia: ‘Quando fui reeleito em junho de 2020, expressei meu desejo de garantir minha sucessão antes do final do meu terceiro mandato, e uma mulher a assumir o cargo seria primordial. Por isso, estou emocionado que seja a Iris Knobloch e com prazer lhe passarei a tocha, pois ela, sem dúvida, mostrará a sua visão e talento neste seu novo cargo’. O Director Artístico Thierry Frambux que se mantêm-se no seu lugar de coordenador da programação, acrescentou: ‘A minha equipe e eu estamos emocionados por ver Iris Knobloch juntar-se a nós. A sua eleição ajudará a fortalecer a determinação do Festival de permanecer o mais próximo possível de suas crenças. Temos muitos desafios pela frente e tudo faremos para que o cinema e o Festival que o encarna, ocupem o lugar que merecem, afirmando fortemente a sua necessidade artística e política’. Pierre Lescure deixará seu cargo em 30 de junho de 2022 findo o próximo Festival de Cannes que vai realizar-se de 17 a 28 de maio, próximos. Entretanto, o Conselho de Administração aproveitou já para lhe agradecer a sua inestimável contribuição, mantendo contudo  os quadros abaixo: Thierry Frémaux e o secretário-geral François Desrousseaux, que passarão agora a trabalhar directamente, com Iris Knobloch.

JVM

José Vieira Mendes

Jornalista, crítico de cinema e programador. Licenciado em Comunicação Social, e pós-graduado em Produção de Televisão, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. É actualmente Editor da Magazine.HD (www.magazine-hd.com). Foi Director da ‘Premiere’ (1999 a 2010). Colaborou no blog ‘Imagens de Fundo’, do Final Cut/Visão JL , no Jornal de Letras e na Visão. Foi apresentador das ‘Noites de Cinema’, na RTP Memória e comentador no Bom Dia Portugal, da RTP1.  Realizou os documentários: ‘Gerações Curtas!?’ (2012);  ‘Ó Pai O Que É a Crise?’ (2012); ‘as memórias não se apagam’  (2014) e 'Mar Urbano Lisboa (2019). Foi programador do ciclo ‘Pontes para Istambul’ (2010),‘Turkey: The Missing Star Lisbon’ (2012), Mostras de Cinema da América Latina (2010 e 2011), 'Vamos fazer Rir a Europa', (2014), Mostra de Cinema Dominicano, (2014) e Cine Atlântico, Terceira, Açores desde 2016, até actualidade. Foi Director de Programação do Cine’Eco—Festival de Cinema Ambiental da Serra da Estrela de 2012 a 2019. É membro da FIPRESCI.

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