Socorro!, A crítica
“Socorro!”, é o regresso de Sam Raimi à sua melhor forma, numa obra que nos evoca o tom do seu clássico “Drag me to Hell“. A narrativa é uma crítica acutilante à cultura corporativa, com prestações excelentes por parte de Rachel McAdams e Dylan O’Brien, num verdadeiro duelo de titãs.
Cultura corporativa tóxica em Socorro!

Tudo começa com Linda Liddle (Rachel McAdams), uma mulher que tem o mesmo emprego há 7 anos, e que sonha com uma promoção a um aguardado cargo executivo. Quando o seu patrão morre e a chefia da empresa de sucesso passa para o jovem Bradley Preston (Dylan O’Brien), num gesto de nepotismo em que filho sucede ao pai, Linda tem esperança de que a promoção possa estar no seu horizonte.
Na realidade, Bradley considera-a repugnante, desprovida de competências sociais e escolhe antes promover um funcionário que se encontra na empresa há menos de um ano. A cultura corporativa que aqui vemos é verdadeiramente tóxica, um típico “boy’s club” e a personagem interpretada por Rachel McAdams, uma mulher mal vestida e muito excêntrica, é colocada à margem apesar da sua competência clara para o trabalho. Compreendemos que é a mais adequada para a dita promoção, mas sabemos que será rejeitada por não encaixar no molde. Um retrato frustrante e honesto daquela que é a cultura laboral.
Send Help e dinâmicas de poder invertidas

Este estabelecer da narrativa e das relações entre os protagonistas é bastante lento, mas muito importante para perceber a dinâmica tóxica que existe entre as personagens de McAdams e O’Brien. Tudo começa verdadeiramente quando, um acidente de avião, num voo para Banguecoque, deixa Bradley e Linda como os únicos sobreviventes, abandonados numa ilha deserta, onde apenas o seu engenho lhes permitirá sobreviver.
Felizmente, a peculiar Linda é viciada no programa de televisão “Survivor”, em livros de sobrevivência, e em geral sabe tudo sobre como pescar, caçar, procurar abrigo e saber que frutos são ou não potencialmente tóxicos. Bradley, por outro lado, é um menino rico incapaz de sobreviver por si próprio e que, a partir de agora, dependerá de Linda para tudo.
Claro que esta figura masculina estereotipadamente tóxica não respeita Linda, mesmo neste ambiente de desespero e dinâmicas de poder invertidas em que se encontram. Mas, para sobreviver, não terá outra hipótese senão ajustar a sua atitude.
A parte mais interessante de “Socorro!”, um filme com alto valor de entretenimento, é mesmo a relação que se estabelece entre os dois protagonistas. Doentia, cheia de zonas cinzentas. Aqui não existem “boas pessoas”, mas sim a vontade de sobrevivência e de poder. É quase primitiva a relação que se estabelece entre os dois sujeitos. O domínio é tudo o que importa.
Rachel McAdams e Dylan O’Brien em estado de graça

Rachel McAdams e Dylan O’Brien são muito poderosos nesta história, que é muito mais um thriller de sobrevivência do que uma obra de terror. Sim, existe gore, sim, existem até breves jump scares, mas a natureza do thriller fala mais alto. E embora Dylan O’Brien mostre um pouco mais da sua versatilidade (depois de nos ter encantado em “Twinless”), a verdade é que este argumento, escrito por Damian Shannon (“Sexta-Feira 13”) e Mark Swift (“Freddy Vs Jason”), é perfeito para Rachel McAdams brilhar. Atrevemo-nos a dizer que esta é uma das suas melhores prestações. Sim, de toda a sua carreira.
A sua estranheza entranha-se debaixo da pele, e é simplesmente inesquecível em várias das sequências desta obra que habilmente mistura CGI com efeitos práticos para convencer quem vê. E louvamos também a equipa de casting, pois a seleção dos dois atores centrais foi inspirada, e ela própria subversiva das tendências de Hollywood. Em “Socorro!” temos dois protagonistas em que a mulher é a mais velha – Rachel McAdams tem 47 anos, enquanto Dylan O’Brien tem 34. E embora este não seja de todo um par romântico, a presença de figuras femininas mais velhas do que os seus companheiros masculinos no grande ecrã continua a ser rara, especialmente sem ser referenciada uma única vez ao longo de todo o filme. E se alguém merece não sofrer de preconceito baseado na idade, é mesmo a luminosa Rachel McAdams, um camaleão com muito para dar.
O excelente ritmo de Send Help
Durante o decurso do filme “Send Help”, há uma sensação permanente de potencial de ruína. As quase duas horas de filme passam sem se fazerem sentir, com um notável ritmo. Sabemos que esta aventura não poderá ter um bom desfecho, mas debatemo-nos a tentar fantasiar o que possa acontecer. “Socorro!” consegue ser sempre surpreendente, com um final que não deixa margem para dúvidas em relação ao sucesso desta narrativa. A visão pessimista da humanidade está no seu pináculo, e não deixamos de nos divertir e também impressionar com esta narrativa negra, onde o pior dentro de todos nós vem à superfície.
Desse lado, viste “Socorro!”? Apreciaste a performance magistral de Rachel McAdams?
Socorro!, a Crítica
Conclusão
- Rachel McAdams e Dylan O’Brien são os protagonistas imperdíveis de “Socorro!”, uma comédia negra da autoria de Sam Raimi. O cineasta volta aqui ao seu período áureo, com reminiscências do seu clássico imperdível “Drag me to Hell”.

