Jenny Hval (foto de Lasse Marhaug)

“Ashes to Ashes” é uma melódica introspecção de Jenny Hval

A cantautora norueguesa Jenny Hval anunciou o seu próximo álbum, The Practice of Love, e revelou a nova direcção seguida com o single “Ashes to Ashes”. Ouve-o aqui.

The Practice of Love sairá no dia 13 de Setembro pela Sacred Bones. O sétimo álbum da cantautora de vanguarda Jenny Hval segue-se ao criticamente aclamado Blood Bitch, de 2016 e, mais recentemente, ao EP The Long Sleep e ao romance de estreia Paradise Rot, editados ambos o ano passado. O disco conta com a participação de três vocalistas convidadas, Vivian Wang, Laura Jean Englert e Félicia Atkinson, e o título do mesmo, bem como em parte o seu conteúdo, deve-se ao filme homónimo de Valie Export, de 1985. Juntamente com o anúncio, Jenny Hval partilhou também o single principal, “Ashes to Ashes”, que podes ouvir abaixo.

Jenny Hval - The Practice of Love - Ashes to Ashes
Capa de The Practice of Love

Segundo um comunicado de imprensa, “dado o horror e o aspecto visceral do anterior álbum de 2016, Blood Bitch, The Practice of Love é quase subversivo na sua gentileza – um mergulho profundo no que significa crescer, questionar a própria relação com a terra e consigo mesmo e colocar sob uma lente a noção de intimidade”.

Acerca do álbum, Jenny Hval disse o seguinte: “Tudo isto soa muito batido, à maneira de uma típica expressão de cartão de visita. Mas, para mim, o amor e a sua prática têm estado profundamente relacionados com o sentimento da alteridade. O amor como um tema na arte tem sido o domínio dos grandes artistas canonizados, e vi-me sempre como uma personagem secundária, uma voz que fala de outras coisas. Mas nos últimos anos tenho querido olhar mais de perto para a prática da alteridade, esta frágil performance e de que modo pode exprimir amor, intimidade, empatia e desejo. Quis colocar questões mais elevadas e latas, um pouco idiotas, como: O que é a nossa tarefa como membros da raça humana? Temos de aceitar esta tarefa? E, caso não, irá alguma vez terminar a pressão para sermos normais?”

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Em “Ashes to Ashes”, sobre um fundo reverberante e suavemente rítmico de sintetizadores, que vai acelerando até se tornar dançável, Jenny Hval canta, em doce soprano, uma ondulante melodia. Mas este delicado artefacto de art-pop é uma estrutura em mise en abyme, onde a canção fala sobre um sonho, primeiro, e sobre uma canção, a seguir, abrindo diferentes níveis de realidade que são, em certo sentido, também planos de ilusão: “We had a dream about this song/ That I had not written yet”. No interior das várias representações fantasmagóricas do real que são o sonho e a arte, como seu conteúdo, está a morte que tende a desfazer quaisquer ilusões, principalmente acerca de nós próprios e da nossa insuflada, aparente grandeza: “Ashes to ashes, dust to dust”. E assim, neste sonho de uma canção ainda por escrever, “even the groove was filled with sadness”.

JENNY HVAL | “ASHES TO ASHES”

THE PRACTICE OF LOVE | Alinhamento do álbum

  1. “Lions” (Feat. Vivian Wang)
  2. “High Alice”
  3. “Accident” (Feat. Laura Jean)
  4. “The Practice of Love” (Feat. Laura Jean & Vivian Wang)
  5. “Ashes To Ashes”
  6. “Thumbsucker” (Feat. Félicia Atkinson and Laura Jean)
  7. “Six Red Cannas” (Feat. Vivian Wang, Félicia Atkinson, & Laura Jean)
  8. “Ordinary” (Feat. Vivian Wang & Félicia Atkinson)

Maria Pacheco de Amorim

Literatura, cinema, música e teoria da arte. Todas estas coisas me interessam, algumas delas ensino. Sou bastante omnívora nos meus gostos, mas não tanto que alguma vez vejam "Justin Bieber" escrito num texto meu (para além deste).

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