Braids (foto de promoção)

“Snow Angel” é o novo épico single dos Braids

Uma epopeia multiforme sobre o desconcerto do mundo, “Snow Angel” é o terceiro vislumbre de Shadow Offering, o novo álbum dos Braids. 

Passados seis anos do lançamento de Deep in the Iris (2014), o trio canadiano Braids está de volta com Shadow Offering, álbum produzido por Chris Walla, cuja data de lançamento foi adiada por causa da pandemia e sairá agora a 19 de Junho, pela Secret City. Depois de despertar a expectativa com “Eclipse (Ashley)”, a banda anunciou oficialmente a vinda do álbum com o segundo single “Young Buck”.

Longe de perder a propensão experimental com o recurso a técnicas mais pop, a banda apenas criou canções mais estranhas e indefiníveis e este terceiro single é a prova clamorosa disso. “Snow Angel” é um épico dificilmente classificável e vem acompanhado de um videoclipe realizado por Kevan Funk, colaborador frequente da banda e do outro projecto de Raphaelle Standell-Preston, os Blue Hawaii.

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Deste single, disse a líder dos Braids num comunicado de imprensa: “‘Snow Angel’ foi escrito no rescaldo das eleições americanas de 2016, quando a nossa consciência colectiva respirava fundo. É uma espécie de entrada num diário – um instantâneo da mente a tentar lidar com a onda infinita de conteúdo e destruição da nossa era, em continentes longe e perto de casa. Este momento, com o nosso mundo no meio de uma pandemia, é seguramente um novo contexto. Mas não consigo deixar de sentir que a canção se dirige a sentimentos que muitos de nós estamos a experimentar – incerteza, angústia e um desejo desesperado de fazer sentido de tudo.”

Para mim, foi profundamente terapêutico escrever e cantar esta canção; dizer as coisas alto pode ajudar a não nos sentirmos tão sozinhos, a validar os nossos medos quanto ao futuro do mundo e a trazer à luz algumas das questões difíceis que muitos de nós nos estamos a colocar. Acredito que a arte pode mudar a nossa relação com o medo. Esperamos que esta canção vos possa oferecer um momento de catarse e alívio, tal como compô-la e interpretá-la o foi para nós.

Ocupando um espaço instável entre ritmos motorik infecciosos, melodias new wave com viragens inesperadas, momentos de fluxo de consciência e improvisação jazzística, “Snow Angel” é um épico proteico, que encontra sempre, a cada instante, um modo novo de contornar e evitar a solução bombástica. Numa viagem por entre o canto, o balbucio e o grito exasperado, Raphaelle Standell-Preston medita sobre o nosso lugar num cosmos desconcertado. Ainda assim, mesmo se às vezes apetece carregar no botão, pedir ao planeta que pare, e saltar fora, as coisas que existem “remind us that life is beautiful still”. Uma coisa é certa, vale a pena trazer filhos ao mundo se esta é a música que eles vão ouvir.

BRAIDS | “SNOW ANGEL”

Maria Pacheco de Amorim

Literatura, cinema, música e teoria da arte. Todas estas coisas me interessam, algumas delas ensino. Sou bastante omnívora nos meus gostos, mas não tanto que alguma vez vejam "Justin Bieber" escrito num texto meu (para além deste).

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