Rebecca Breeds é a nova agente Clarice Starling | © 2021 ViacomCBS

Clarice, primeiras impressões do spin-off de O Silêncio dos Inocentes

“Clarice”, a série que irá dar continuação ao vencedor do Óscar “O Silêncio dos Inocentes”, estreia esta segunda-feira na FOX. A MHD teve acesso aos primeiros episódios e conta-te tudo sobre a nova aposta do canal.

Sem spoilers!

Com dois meses de diferença face à sua estreia nos E.U.A, eis que “Clarice” chega à televisão portuguesa através da FOX. A convite do canal, a MHD teve acesso aos três primeiros episódios da antecipada série. A mesma chega precisamente 30 anos depois do lançamento de “O Silêncio dos Inocentes“, sob uma fasquia (muito) elevada, ou não tivesse o filme conquistado a crítica e o público, bem como a Academia, ao levar cinco estatuetas para casa – incluindo Melhor Filme, Realização e Argumento.

Produzida pela CBS, “Clarice” foca-se na história pessoal nunca antes contada de Clarice Starling, quando a agente volta à vida policial em 1993, um ano após os acontecimentos de “O Silêncio dos Inocentes”. Brilhante e vulnerável, a sua coragem dá-lhe uma luz interior que atrai os monstros e loucos para o seu caminho. Contudo, a complexidade da sua mente, resultado de uma infância atribulada, dá-lhe força para encontrar a sua voz enquanto trabalha num mundo masculino, assim como escapar aos segredos de família que a têm assombrado ao longo da vida.

clarice fox
Michael Cudlitz e Rebecca Breeds em “Clarice” | © 2021 ViacomCBS

Para além de Starling, a série traz de regresso Ardelia Mapp (agora a atriz Devyn Tyler), a companheira de quarto no Quântico da jovem agente, bem como a dupla mãe e filha, a Senadora Ruth Martin (aqui a veterena Jayne Atkinson) e Catherine Martin (agora a atriz Marnee Carpenter), a última vítima e única sobrevivente do serial killer Buffalo Bill. Ruth é agora a procuradora-geral responsável pela formação da equipa Programa de Apreensão de Criminosos Violentos (ViCAP no original), para onde convoca a jovem agente. Contudo, Clarice está longe de estar pronta para regressar ao terreno, sendo constantemente perseguida por flashbacks da investigação de Buffalo Bill. Ainda assim, a agente do FBI vê-se obrigada a enfrentar novos assassinatos brutais, enquanto batalha contra a sua mente.

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Dos episódios a que tivemos acesso, tudo indica que “Clarice” terá um crime principal que irá acompanhar a narrativa da primeira temporada, em paralelo com investigações ‘únicas’, ou seja, encerradas no próprio episódio. Aliás, a série traz um pouco à memória o início de “Mentes Criminosas”, também da CBS, mas sem o grafismo (e sem um Jason Gideon). Este é um dos pontos que sentimos falta, e que fazia sentido tendo em conta o seu legado. Ao invés, somos apenas constantemente bombardeados pela icónica borboleta-caveira de “O Silêncio dos Inocentes”.

Catherine (Marnee Carpenter) insiste em relembrar Clarice dos acontecimentos de “O Silêncio dos Inocentes” | © 2021 ViacomCBS

A atriz australiana de 33 anos, Rebecca Breeds (“The Originals”; “Pretty Little Liars”) foi a escolhida para trazer de volta Starling, papel interpretado por Jodie Foster no grande ecrã. Na altura com 29 anos, este foi o filme que lhe valeu o segundo Óscar para Melhor Atriz – o primeiro foi pela sua participação em “Os Acusados”, de Jonathan Kaplan. E não foi apenas um papel largamente reconhecido pela crítica, Clarice Starling é uma personagem que ficará para sempre associada a Foster. Ou seja, Breeds tinha um grande desafio pela frente para o qual, infelizmente, ainda não estava preparada. Falta-lhe a agudez e destreza, característicos da agente, para nos manter presos ao ecrã, pelo menos no início da série.

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Por outro lado, Marnee Carpenter foi uma agradável surpresa. A jovem atriz norte-americana tem aqui a sua primeira ‘grande’ estreia, após ter sido reconhecida pelo seu papel na curta-metragem “Urges” (2020). Enquanto a única sobrevivente de Buffalo Bill, Carpenter foi capaz de trazer densidade e um lado sombrio à personagem, anteriormente desempenhada por Brooke Smith (“Anatomia de Grey”; “Ray Donovan”). Catherine está longe de ser a rapariga assustada que Clarice resgatou do poço. Uma vez que o brutal serial killer a havia escolhido pelo seu tamanho, a jovem é agora viciada em exercício físico, tendo-se tornado anoréxica e agorafóbica, vivendo confinada ao seu quarto na companhia da sua cadela, Precious (que também sobreviveu).

Em suma, se tivéssemos de incluir “Clarice” num universo, seria o de “Mentes Criminosas” ou “Médium”. O que estávamos a espera? De a poder referir ao lado de séries como “Mindhunter” ou “True Detective“, ambas mais em linha com “O Silêncio dos Inocentes”. Quem sabe se com os próximos episódios – a série tem um total de sete -, tal não será possível. “Clarice” é da autoria da dupla Alex Kurtzman e Jenny Lumet (“Star Trek”; “A Múmia“) e produzida pela MGM Television e CBS Studios em associação com Secret Hideout e é distribuída internacionalmente pela MGM.

“Clarice” estreia segunda-feira, dia 19 de abril, às 22h15, em episódio duplo. Vais assistir? 🙂

Clarice, primeiras impressões
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Name: Clarice

Description: A nova série da FOX, é a história pessoal não contada da agente do FBI Clarice Starling (Rebecca Breeds) quando volta à vida policial em 1993, um ano após os acontecimentos de “O Silêncio dos Inocentes”.

Author: IS

  • Inês Serra - 60
60

CONCLUSÃO

“Clarice” acaba por partilhar o universo de séries como “Mentes Criminosas” ou “Médium”, desprovida de uma ligação ao seu legado. No entanto, ainda poderá ter algumas cartas guardadas… E nós estaremos cá para as ver.

Pros

  • A praticamente estreante Marnee Carpenter
  • Continuidade da timeline de “O Silêncio dos Inocentes”

Cons

  • Rebecca Breeds precisava de ter uma personalidade mais forte/vincada para o papel de Clarice
  • Expetativa da série partilhar a linha de “O Silêncio dos Inocentes”, o que acaba por não acontecer
  • Constantes flashbacks
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Inês Serra

Cresci a ir ao cinema, filha de pais que iam a sessões duplas...Será genético? Devoro livros e algumas séries. Fã incondicional do fantástico e do sci-fi. Gostaria de viver todos os dias com o mote Spielbergiano - "I dream for a living"

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