Orange is the New Black, quinta temporada em análise

A quinta temporada de Orange is the New Black é uma mistura do melhor e do pior que a série tem para dar neste momento. 

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Depois de nos ter presenteado com uma das suas melhores temporadas, Orange is the New Black convida-nos a entrar novamente em Litchfield. Porém, ao contrário das anteriores visitas, o espectador acompanha as reclusas durante 3 dias, ao longo de 13 episódios. É certamente uma decisão arriscada. Afinal, se cada episódio não for bem trabalhado, pode tornar-se aborrecido. E isso não é algo que caracterize a série da Netflix.

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Na quinta temporada, Orange is the New Black torna-se mais intimista do que nunca. A experiência que nos proporciona ao acompanhar os eventos na prisão, ao longo de três dias, possibilita uma imersão muito maior, especialmente para quem vê a série em modo maratona. Outra mais valia que encontramos nesta estratégia utilizada pela série verifica-se nas personagens secundárias da história. Mulheres que numa temporada teriam em média 2 ou 3 minutos de cena, têm agora muito mais tempo de antena.

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Por outro lado, esta estratégia também teve os seus contras. É agradável ver outras figuras a ter mais destaque que o habitual. Contudo, em determinada altura, este interesse esgota-se. Não há mais nada que certas personagens possam dar à série para além de umas breves piadas. Mas não só. Esta decisão de pôr o espectador a ver 3 dias durante 13 episódios de uma hora cada, tornou a temporada mais desorganizada e desorientada. Pelo menos a primeira parte é uma confusão. Um pouco como a própria revolta das reclusas. Isto para não falar dos episódios totalmente irrelevantes para o foco narrativo desta temporada. Por exemplo, será que era mesmo preciso um episódio como Litchfield’s Got Talent? Sim, teve a sua piada. Mas tendo em conta a temporada em questão, diríamos que há coisas mais importantes a explorar.

Isto obriga-nos a falar sobre uma questão, e um problema, que tem assolado Orange is the New Black. Está a chegar a altura da série da Netflix decidir se quer ser uma comédia ou um drama. E neste quinto capítulo isso torna-se mais evidente do que nunca. Não podemos ter uma temporada onde se fazem apelos aos direitos humanos, à luta por melhores condições nas prisões, e depois intercalar estes assuntos com momentos bacocos. Nas temporadas iniciais, esta mistura de comédia com drama funcionou bastante bem. Mas nessas temporadas a narrativa predispunha-se a isso. Agora não. E embora já se começasse a sentir uma maior oscilação para o drama, depois da morte de Poussey (Samira Wiley), Orange is the New Black mudou drasticamente. E a série tem de encarar essa mudança, e evitar regressar àquilo que era antigamente.

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A principal linha narrativa deste capítulo centra-se na revolta das reclusas após o falecimento de Poussey Washington. E na liderança desta parte do enredo encontramos a melhor personagem da temporada: Taystee Jefferson. Danielle Brooks, a atriz que dá vida à personagem, tem nesta temporada o seu melhor desempenho de sempre na série. E honestamente, esperemos bem que lhe valha pelo menos uma nomeação para os Emmys de 2018. Especialmente pelo seu desempenho no episódio 5, Sing It, White Effie. Temos a certeza que não fomos os únicos a ficar completamente arrepiados com o seu emocionante discurso. 

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Durante toda a temporada, Taystee não só tem de lidar com o processo de luto por ter perdido a sua melhor amiga, como também dá tudo de si para honrar a memória de Poussey, e garantir os direitos básicos para todas as reclusas de Litchfield. Ela é uma verdadeira líder. Com a sua forte capacidade argumentativa e noites sem dormir, Taystee vai conseguindo todas as demandas das reclusas. Ao longo de várias discussões, a personagem dá vários exemplos de como os direitos básicos de humanidade não existem naquela prisão. Não há uma verdadeira educação. Não há oportunidades de trabalho, e quem trabalha, é mal pago. Nenhuma das reclusas é minimamente preparada e apoiada para ser capaz de recomeçar a sua vida quando sair da prisão. Não existe alimentação com o mínimo de qualidade. E no que toca a condições de higiene o caso repete-se. 

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Todas estas condições impostas pelas reclusas são garantidas. Menos uma. Que se faça justiça pela morte de Poussey e que o culpado seja responsabilizado. Por causa desta última exigência, começam a criar-se algumas discordâncias entre as reclusas que estão a acompanhar as negociações. Embora a maioria dos requisitos das reclusas já esteja assegurado, para Taystee tudo será em vão se o guarda Bayley não for responsabilizado. E aqui não estamos perante uma atitude egoísta. É claro que a parte emocional está muito presente. No entanto, o que está aqui em causa é a constante impunidade que o sistema garante, neste caso mais específico, aos guardas da prisão, face às injustiças sujeitas às reclusas.

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Paralelamente a esta narrativa central, encontramos mais histórias protagonizadas por outras personagens. Uma das mais angustiantes é a de Gloria Mendoza (Selenis Leyva). Durante a confusão que se cria com a revolta das reclusas, Gloria é informada de que o seu filho Benny se encontra nos cuidados intensivos e vai ser operado com urgência. O tumulto em Litchfield não podia ter acontecido em pior hora. Gloria tenta fazer os possíveis e os impossíveis para sair da prisão. Incluindo estragar os planos das reclusas que lideram o motim. Porém, acaba por ser tudo em vão quando a personagem baixa a guarda e mostra o seu lado mais vulnerável.

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Um dos momentos mais belos da temporada é sem dúvida o memorial que certas personagens fazem a Poussey. Elas precisavam dele e, de certa forma, nós também. É nessa cena que nos conseguimos despedir apropriadamente da personagem, ao mesmo tempo que preservamos a memória dela.

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Nesta temporada tivemos ainda algumas histórias que em nada contribuíram para a narrativa geral. Falamos por exemplo da história de Piper (Taylor Schilling). Se em tempos a série não funcionaria sem a personagem, já que era através dela que nós, espectadores, conseguíamos conhecer a prisão de Litchfield, as suas regras internas, as suas reclusas, agora já nada disso é preciso. E portanto, Piper também já não é tão essencial para a série. Ainda para mais, quando há outras figuras a ganhar um maior relevo para a história. Deste modo, pareceu-nos um grande desperdício de tempo dedicar vários minutos de cada episódio à personagem e à companheira Alex (Laura Prepon). Não estamos a exagerar quando dizemos que as personagens não fizeram nada durante toda a temporada, a não ser manterem-se afastadas ao máximo do motim. Mas calma. Esta não foi a única narrativa paralela da série que se revelou completamente inútil. Temos também a história de Pennsatucky, de Red, de Angie e Leanne, e ainda das skinhead neonazis. E já agora, o que é que aconteceu a Sophia Burset?

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O último defeito que temos a apontar a esta quinta temporada de Orange is the New Black são os flashbacks. Este é outro elemento da série que em tempos já foi tremendamente útil. Dava-nos a conhecer a vida das reclusas antes de estas estarem presas, e o que é que aconteceu para elas acabarem em Litchfield. Era uma técnica fundamental para a construção das personagens. Infelizmente, nesta nova temporada, o flashback é algo que quebra o ritmo e a fluidez do episódio. E muitas dessas viagens ao passado não revelam nada que seja importante para o presente da história. No futuro, se quiserem continuar a usar esta técnica, os argumentistas da série terão de ser mais selectivos. Usar os flashbacks em novas personagens, ou simplesmente se a história que for contada nesse flashback tiver algum impacto na personagem ou na narrativa geral da série.

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Mas nem tudo foi mau na quinta temporada de Orange is the New Black. Neste capítulo tivemos grandes momentos dramáticos. Mas também tivemos grandes momentos de comédia. Todos eles protagonizados pela dupla Flaca (Jackie Cruz) e Maritza (Diane Guerrero). Ou como nós preferimos, Flaritza. No meio de tanta confusão e stress, estas duas mulheres surgem como uma lufada de ar fresco, enquanto descobrem o poder da Internet e do Youtube. Conseguindo acesso a um telemóvel, Flaca e Maritza criam um canal de beleza na plataforma de vídeos e tornam-se vloggers. Os conteúdos dos vídeos giram principalmente em torno de dicas de maquilhagem utilizando apenas os materiais que têm disponíveis na prisão. E até temos direito a uma versão alternativa de um selfie stick. Garantimos que estas serão as cenas mais hilariantes que vão ver na temporada.

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Este capítulo termina com um grande suspense e coloca um grande ponto de interrogação no futuro das personagens. Mas é um final que deixa muito a desejar. Num dos últimos minutos, há uma personagem que pergunta se tudo o que aconteceu valeu a pena. Esta também é uma questão que o espectador faz quando o episódio e a temporada terminam. Depois de 13 episódios, valeu a pena? Parece-nos que desta vez, Orange is the New Black não passou da cepa torta. A temporada começou e acabou sem sofrer qualquer tipo de evolução progressiva no âmbito narrativo. Resta-nos esperar que na sexta temporada, vários dos erros apontados anteriormente seja rectificados e que voltemos a ter a mesma qualidade a que Orange is the New Black nos habitou.

Trailer | Orange is the New Black T5

Orange is the New Black, quinta temporada em análise
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Name: Orange is the New Black

Description: A quinta temporada de Orange is the New Black acompanha as reclusas de Litchfield e a sua revolta ao longo de três dias.

  • Filipa Machado - 75
75

CONCLUSÃO

O MELHOR: Danielle Brooks e a sua interpretação da personagem Taystee Jefferson.

O PIOR: Falta de equilíbrio no tom da série. A mistura entre comédia e drama já não funciona como antigamente.

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Filipa Machado

Uma fã da 7ª Arte, adora ler e passar as suas folgas a fazer maratonas de séries e não pode viver sem um pouco de anime no seu dia a dia.

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