This Is Us, terceira temporada em análise

Chegamos ao final de mais um capítulo de “This is Us” e saímos com a sensação de que andámos numa daquelas diversões de queda livre: uma subida lenta seguida por uma descida a pique…

Em 2016, Dan Fogelman (“Isto é Vida!”; “Amor, Estúpido e Louco”) apresentava “This Is Us,” um drama familiar protagonizado por Mandy Moore e Milo Ventimiglia. O sucesso foi praticamente instantâneo e, desde então, que tem estado nos tops das séries mais vistas. Só nos E.U.A, em Fevereiro contava com 15.9 milhões de espectadores. No entanto, ficamos com a sensação que esta terceira temporada foi como andar naquelas diversões em que a subida é lenta e a descida a pique…no sentido positivo, obtido pela descarga de adrenalina!

Comecemos pela subida. “This Is Us” sempre nos entrelaçou por várias linhas temporais da família Pearson. E, em cada uma dessas linhas, existia um ponto relacionável. Existiam situações pelas quais é comum passarmos, em que nos revemos. É essa a essência e alma da série. Por isso, a partir do momento em que somos afastados de uma realidade próxima ao ser humano comum, surge o desconforto. E este emergiu na terceira temporada.

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As duas primeiras temporadas, habituaram-nos a um ritmo de montanha-russa, com altos e baixos, curvas e contra-curvas. Como o comum dos mortais descreveria a vida. Acompanhávamos o desenrolar natural da família Pearson. Íamos conhecendo cada um dos membros e as suas ligações, bem como os respectivos conjugues. O espaço temporal não linear permitia-nos ver a evolução de cada um dos personagens, compreender o seu passado e consequentemente as suas atitudes. Tudo isto contribui para a sensação de harmonia que caracteriza “This Is Us.”

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Rebecca (Mandy Moore) revela-se o verdadeiro elo dos Pearson

Desta forma, entramos na terceira temporada à espera de encontrar respostas para as pontas soltas da segunda. Arrancamos com mais um aniversário dos ‘Big Three,’ desta vez o seu 38º. O filme de Kevin chega às salas de cinema. Queremos saber o que aconteceu a Deja, depois de ter espatifado o carro de Randall. Mas, o grande ponto de interrogação foi aquela cena final em que somos transportados para o futuro com Randall e a já adulta Tess. Pai e filha preparavam-se para ir visitá-la. Assumimos que poderia ser Beth, que talvez o casal maravilha se tivesse separado… No entanto, e como a segunda temporada já tinha dado a entender, o foco era, sem dúvida, o passado de Jack. Quem foi o seu irmão, Nicky? Como morreu? Qual era a relação entre ambos? O que aconteceu no Vietname? É nesta cruzada/obsessão que Kevin embarca.

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Acompanhado pela nova namorada, a prima de Beth, Zoe, o ator decide viajar até à remota aldeia do Vietname em que o seu pai e tio serviram, e onde o último terá perdido a vida. Porém, em vez de encontrar respostas, regressa com uma bagagem cheia de novas perguntas. E aqui começa o ‘desconforto’ que não sentimos nas temporadas anteriores. Compreende-se que, no contexto, norte-americano esta narrativa faça sentido. Mas qual é a probabilidade de alguém se encontrar na situação do Kevin? Para além do mais, e infelizmente, Justin Hartley não é capaz de atingir a densidade emocional necessária a esta cruzada. Ainda assim, poderíamos acompanhá-lo, não fosse o ritmo de “This Is Us” quebrado e substituído por um arrastar de sequências que pouco ou nada acrescentam à narrativa global. Algo que é intensificado pela divisão da própria temporada.

This is Us
A obsessão de Kevin (Justin Hartley) pelo passado do seu pai torna-se o foco da primeira metade da 3ª temporada

Assim, entre o 1º e o 9º episódio, emitidos ainda em 2018, acabamos por navegar por uma lagoa, que só ganha corrente com o ocasional soprar da brisa. Entramos em 2019 sem a mesma curiosidade das temporadas anteriores. Os dois primeiros episódios continuam em torno da mentira/omissão de Jack, mas falta-lhes força para causar o impacto de outras revelações semelhantes. Acompanhamos, igualmente embalados, a campanha de Randall, que nem o talento de Sterling K. Brown é suficiente para nos despertar. Temos ainda um ocasional ‘check’ da gravidez de Kate e do estado de Toby. E, é então que “This Is Us” atinge o cume e nos larga numa descida repentina, libertando o pico de adrenalina.

Falando exclusivamente sobre as histórias dos personagens, penso que chegamos ao meio destas. Se estivesse numa sala de cinema, seria [o correspondente] à primeira hora do filme.” – Dan Fogelman em entrevista à EW

É nesta altura que somos presenteados com “Our Little Island Girl,” a lufada de ar fresco pela qual ansiávamos. Não por ser a primeira viagem ao passado de Beth, mas sim pela sua construção e fortes desempenhos que a acompanham. Recuperamos a essência da série e assistimos à afirmação de Susan Kelechi Watson (Beth), que parecia aguardar o momento para libertar a sua potência máxima. E eis que “This is Us” ganha uma nova direcção: a relação de Beth e Randall.

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Randall (Sterling K. Brown) e Beth (Susan Kelechi Watson)

Enquanto A relação exemplar de “This Is Us,” sempre assumimos, inconscientemente, que nada poderia abalar o casal e, muito menos, a sua família. A dinâmica entre ambos sempre foi um dos pontos altos da série, atingindo nesta temporada o exponencial máximo (pelo menos até agora). Claro que nada disto seria possível se os próprios atores não tivessem criado uma certa química. A prestação de K. Brown nunca nos deixou com muitas dúvidas, aliás o ator representa o único Golden Globe da série. Mas, Kelechi Watson provou (se é que já não o tinha feito) que consegue ser igualmente brilhante. Assistimos a um verdadeiro confronto de egos de personagens igualmente fortes e somos relembrados que realmente ‘ninguém é perfeito,’ nem mesmo Randall Pearson.

No entanto, não podemos deixar de destacar o magnífico discurso de Déjà (Lyric Ross) ao filho adotivo de Rebecca e Jack, o qual não poderia ser mais preciso e oportuno. Randall ganhou, de facto, a lotaria duas vezes: uma quando teve a sorte de ser adotado pelos Pearson e outra quando encontrou Beth. E, naquele momento, era algo que precisava de ser relembrado. Lógico que um discurso que poderia muito bem ter sido escrito pelo próprio Randall, não teria o mesmo impacto se Ross não estivesse à altura. Felizmente, a jovem atriz tem-se revelado e afirmado uma agradável surpresa na série.

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É pelo meio deste entrelaçar das linhas temporais do casal que entramos no último episódio intitulado de “Her.” Quando pensávamos que o flashfoward de Randall e Tess iria ficar para temporadas futuras, eis que surge um título que poderá ser a resposta para o ‘visitá-la’ – no original “It’s time to go see her.” Mas, desta vez, sabemos que Beth e Randall conseguiram superar a terceira temporada. Por isso, a menos que tenham atravessado outra tempestade, não era a mãe que Tess iria visitar. Chegamos então ao elemento surpresa desta temporada, que desencadeia uma verdadeira cascata de perguntas, que, de acordo com Fogelman, só serão respondidas entre a quarta e quinta temporada (ou possivelmente na sexta e última).

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Rebecca no 18º episódio, “Her”

O pronome “Her” refere-se na realidade a Rebecca (Moore). A matriarca da família surge nos seus 80 acamada num quarto da casa de Kevin, parecendo sofrer de algum tipo de demência. Antes de mais, este é mais um exemplo do excelente trabalho da equipa de maquilhagem. Moore está irreconhecível, mas Becca não. Abrimos aqui um parênteses antes da análise da cena propriamente dita, referente à prestação da atriz. O seu desempenho em “This is Us” já lhe valeu uma nomeação aos Golden Globes em 2017, mas nenhuma vitória. Contudo, temos de reconhecer o seu mérito. A densidade e oscilação de estados emocionais que a sua personagem requer, permitiu a Moore evoluir notavelmente enquanto atriz, algo que tem vindo a transparecer de temporada para temporada. E chegamos à conclusão, também através deste episódio, que a ‘cola’ da família é na verdade Rebecca e não Jack.

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Regressando à cena final do 18º episódio, vamos explorar as perguntas com que ficámos… Em primeiro lugar, é plausível que o estado de Rebecca se deva à sua idade. Porém, é lógico que queremos saber se existe algo mais como, por exemplo, alzheimer? Uma vez que Randall reforça por duas vezes o seu nome à mãe, ainda que sem resposta. Ainda assim, esta dúvida é algo que se torna ‘suportável’ quando comparada às seguintes.

Nessa mesma cena, em que Randall entra no quarto onde a matriarca se encontra, quem vemos sentado ao seu lado é Nicky e não Miguel. Terá o casal separado-se? Ou terá Miguel morrido? Como é que Nicky voltou à cena? À parte deste ponto, ficámos igualmente sem saber o que aconteceu entre Kate e Toby, uma vez que este surge sozinho e sem aliança na casa de Kevin, informando que falou com o Jack (filho) e que ele e a mãe vinham a caminho. Por último, temos a confirmação que Kevin escolheu de facto ser pai, levantando-se a pergunta de quem será a mãe: Zoe ou Sophie? Ou outra personagem que ainda não conhecemos?

Vamos ter de esperar até setembro para ver se Dan Fogelman nos dá algumas respostas…

TEASER | THIS IS US REGRESSA EM SETEMBRO PARA A QUARTA TEMPORADA

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This Is Us - Temporada 3
This Is Us

Name: This Is Us

Description: This is Us segue um grupo de pessoas únicas e as formas como os seus caminhos e histórias de vida se cruzam maneiras inesperadas: desde partilharem o mesmo dia de aniversário a muito mais, de formas impensáveis.

  • Inês Serra - 80
80

CONCLUSÃO

O MELHOR - O discurso de Déjà (Lyric Ross) no último episódio, provando mais um vez o talento da jovem atriz. Os episódios "Our Little Island Girl," "R & B" e o culminar em "Her." A contínua evolução dos personagens, em especial de Beth (Susan Kelechi Watson) e Rebecca (Mandy Moore).

O PIOR - O tempo que Kevin passa no Vietname e a falha na construção daquele que deveria ter sido um dos 'impactos-chave' da série.

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Inês Serra

Cresci a ir ao cinema, filha de pais que iam a sessões duplas...Será genético? Devoro livros e algumas séries. Fã incondicional do fantástico e do sci-fi. Gostaria de viver todos os dias com o mote Spielbergiano - "I dream for a living"

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