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Decisão de Partir | As influências de Hitchcock

Park Chan-wook adapta a técnica de Alfred Hitchcock em “Decisão de Partir”. Não é a primeira vez que presta homenagem ao mestre do suspense.

“Decisão de Partir” recebeu o Prémio de Melhor Realização no Festival de Cannes em 2022 prestigiando o trabalho complexo e competente do seu criador Park Chan-wook, que por sua vez, soube aproveitar o seu amor pela filmografia de Alfred Hitchcock a seu favor. Nesta recente obra, Chan-wook juntamente com o seu co-argumentista, Jeong Seo-Kyeong, reformula o modelo de “Vertigo” (1958) do cineasta britânico.

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O realizador sul-coreano já tinha falado abertamente sobre como “Vertigo” foi uma das obras que o levou a querer realizar filmes. E com esta nova obra essa confissão ganhou forma – não só pela estrutura única do filme, mas também pelo tratamento do desejo humano como algo que oscila entre os espectros do destrutivo e do romântico. Tal como na construção da narrativa do clássico de Hitchcock, as elipses e os espaços não preenchidos acabam por ser mais importantes do que aquilo que é explícito, dando espaço ao espectador de também ser interventivo, no sentido em que, tem de interpretar aquilo que fica subentendido. Claro está que a escolha de centrar a história num mistério de assassinato não é inocente para este efeito:

Um homem cai do pico de uma montanha e morre. O detective responsável, Hae-joon, conhece Seo-rae, esposa do falecido. A morte do marido não parece perturbá-la. Face ao comportamento tão atípico de um familiar enlutado, a polícia considera-a suspeita. Hae-joon interroga Seo-rae e decide vigiá-la. À medida que a observa sente-se cada vez mais interessado nela.

O exercício de colocar os dois filmes lado a lado traz conclusões surpreendentes que denotam a compreensão do realizador face à técnica do mestre do suspense. Mas atenção o filme não é uma cópia do trabalho do cineasta britânico, pelo contrário, consegue adaptar ideias complexas, aprofundá-las e construir algo novo. Antes de iniciar a sua carreira no cinema, Park Chan-wook escrevia críticas, por isso, sempre teve o cuidado de trabalhar o seu olhar até chegar ao ponto de ser ele próprio um autor.

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Na sua longa-metragem de estreia “The Moon Is… the Sun’s Dream” (1992) já haviam alguns indícios do seu fascínio por Hitchcock, especificamente pelo filme “To Catch a Thief” (1955). No entanto, é no filme “Joint Security Area” (2002) que essa presença inspiradora é mais vincada, lembrando os clássicos “Lifeboat” (1944) e “Rope” (1948) que criam drama a partir de um único set e dos detalhes fornecidos no decorrer da trama.

A vingança é um dos temas recorrentes na filmografia de Park Chan-wook. Um tópico não tão comum nas histórias de Hitchcock. No entanto, até nos filmes em que o cineaste sul-coreano se focou nesse aspeto há ares do cineasta britânico. Lembremos, por exemplo, o filme “Oldboy”, um dos mais conhecidos e aclamados do realizador, até aqui podemos reconhecer um género de personagem já visto no trabalho da sua musa: o do “homem errado” que lembra o filme “North by Northwest”, de 1959. Muitas outras comparações podem ser feitas, mas também cabe à imaginação de cada um. Há quem veja semelhanças onde não há por intenção direta do realizador, como o inverso também acontece.

O elenco é constituído por Park Hae-il (“Memórias de Um Assassino”) e Tang Wei (“Sedução, Conspiração”) que protagonizam o filme. Juntam-se, entre outros nomes, Lee Jung-hyun, Go Kyung-pyo, Park Yong-woo, Kim Shin-young, Jung Young Sook, Teo Yoo, Jeong Min Park, e Seo Hyun-woo.

Em Portugal o filme será distribuído pela Alambique com estreia marcada para dia 1 de dezembro nos cinemas portugueses. O filme teve a sua antestreia na edição deste ano do Lisbon & Sintra Film Festival (LEFFEST). Depois da sua estreia mundial no Festival de Cannes, poderá voltar a ser premiado internacionalmente, estando já indicado para representar a Coreia do Sul nos Óscares, na categoria de Melhor Filme Internacional.

TRAILER | “DECISÃO DE PARTIR” ESTREIA EM DEZEMBRO NOS CINEMAS

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Rafaela Teixeira

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