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Especial | O Cinema às Voltas com o Futuro (6) | Gil Santos

De regresso à distribuição de cinema para registarmos a opinião de experientes profissionais como Gil Santos, administrador da PRIS Audiovisuais. Como será o regresso às salas nos próximos tempos, o futuro do cinema e do streaming?

Gil Santos é uma figura presente há vários anos nos mercados de cinema e tem uma carreira profissional praticamente dedicada à administração das empresas do grupo PRIS Audiovisuais, sediadas em Vila Maior, Santa Maria da Feira. Fundada em 1984 foi a pioneira na distribuição de home video em Portugal. Desde então  expandiu-se em outras áreas, como o cinema, televisão e new media. Ao nível da distribuição de cinema e home enteertainment, representa conteúdos de alguns dos mais importantes licenciadores mundiais: Endeavor Contend, Filmnation, Lionsgate, Miramax, Pathe, Sierra Affinity, Solestice Studios, Studi 8, Studio Canal, SPHE (Sony Pictures), NBCUniversal for Home Entertainment,  entre outras. Entre os seus lançamentos em Portugal estão filmes ‘oscarizados’ como ‘La La Land: Melodia de Amor’ ou ‘Green Book-Um Guia Para a Vida’, filmes das sagas The Hunger Games-Os Jogos da Fome, ou ‘John Wick’, ou as obras de cineastas-autores como Pedro Almodóvar. 

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‘ Continuam a estrear filmes que nos transmitem encanto e magia e esses continuam e continuarão a afirmar-se’. | © Gil Santos

Cinema face ao coronavirus: A pandemia provocou o fecho temporário das salas criando alguma incerteza quanto ao futuro em virtude de alguma insegurança que a mesma possa causar no espectador, enquanto a situação não estiver ultrapassada; pelo bom ‘andar da carruagem’ e o perfil que o português tem em tempos de desafios, acredito que vá correr bem e que rapidamente se volte a encher as salas; os desafios em relação ao streaming aparecem em paralelo e acredito que o cinema continuará a ser a grande montra da 7ª arte, com os ajustes naturais que as empresas de streaming causarão e não esquecer que muitas têm grandes interesses em ambos os domínios.

Blockbusters, super-heróis e cinema de arte & ensaio: Na verdade são as mais bem sucedidas comercialmente….ao passo que as outras rendem poucas receitas e fazem pouco espectadores… O cinema em Portugal (bem como na maioria dos países do mundo) vai muito ao ritmo dos americanos e sobretudo das ‘majors’ americanas, suas grandes produções e maiores planos de marketing e publicidade e é evidente que o cinema dito independente tem muita dificuldade em afirmar-se em tal contexto; algumas excepções positivas de filmes americanos e não só que pela sua qualidade e/ou originalidade, etc. conseguem afirmar-se.

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Um cinema ‘infantilizado’ vs. séries de televisão: Continuam a estrear filmes que nos transmitem encanto e magia e esses continuam e continuarão a afirmar-se; é evidente que as pessoas hoje em dia tem inúmeras opções de como ver e o que ver e esse é certamente um amplo desafio para a área do cinema e do audiovisual.

O cinema de arte & ensaio e o streaming:  Sim, uns poucos conseguirão singrar nas salas, etc. outros optarão por negócios mais ou menos interessantes no streaming de um dos operadores (para já); o futuro trará melhores ajustes.

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‘…a médio prazo (um ano e picos) a pandemia estará ultrapassada e voltaremos aos moldes normais dos festivais, etc..’ | © Gil Santos

Festivais, mercados, coberturas e entrevistas em streaming: Acredito que a médio prazo (um ano e picos) a pandemia estará ultrapassada e voltaremos aos moldes normais dos festivais, etc..

Os agentes do sector andam desanimados: Ando nisto há mais de 30 anos e já acompanhei e vivi tantos desafios que é mais um; é evidente que não é um desafio qualquer e muito menos esperado mas, mais depressa ou mais devagar, vai ser ultrapassado.

O fim de uma era no cinema: Sinceramente não acredito; o Covid é novo mas nós os players, espectadores, etc. somos os mesmos.

Transição para plataformas de streaming: É natural que as pessoas estando confinadas em suas casas se virem para o pequeno ecrã, não só para o streaming mas também para os canais premium, cabo, redes sociais, etc. Quando a segurança/confiança for recuperada vão voltar ao cinema, ao teatro, concertos, etc.

Lotações limitadas vs. receitas de bilheteira: Não será, nem bom para o distribuidor nem para o exibidor; será certamente uma situação temporária e acredito que, se mantivermos educação/comportamento adequados não será por muito tempo.

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Estes são alguns dos filmes representados e do catálogo da PRIS Audiovisuais. | ©PRIS Audiovisuais

Um regresso às salas sem receios: Sim, se as pessoas se sentirem suficientemente seguras/confortáveis para o fazer.

O futuro da distribuição de cinema: Acredito que a maioria dos filmes importantes continuarão a passar pela distribuição e pelo cinema, etc. e é esse o sentimento dos nossos principais parceiros internacionais. Esperem para ver!

Cineclubes, salas especializadas e drive in: Todas as iniciativas são válidas e bem vindas se lhes imprimirem inovação rigor e qualidade; sem essas premissas não sobreviverão certamente.

O futuro do cinema
A imagem das empresas do grupo que vai da distribuição de cinema, home entertainmemt à new media. ©PRIS Audiovisuais

Operadoras de serviços de plataformas: Costuma dizer-se ‘o que é demais é moléstia’ pelo que o cinema sobressairá !

O regresso à normalidade das filmagens e rodagens: Que os portugueses continuem a respeitar as orientações sanitárias, etc. de forma a diminuir/eliminar os riscos de contágio e assim chegarmos quanto antes à referida ‘certa normalidade’.

JVM

José Vieira Mendes

Jornalista, crítico de cinema e programador. Licenciado em Comunicação Social, e pós-graduado em Produção de Televisão, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa. É actualmente Editor da Magazine.HD (www.magazine-hd.com). Foi Director da ‘Premiere’ (1999 a 2010). Colaborou no blog ‘Imagens de Fundo’, do Final Cut/Visão JL , no Jornal de Letras e na Visão. Foi apresentador das ‘Noites de Cinema’, na RTP Memória e comentador no Bom Dia Portugal, da RTP1.  Realizou os documentários: ‘Gerações Curtas!?’ (2012);  ‘Ó Pai O Que É a Crise?’ (2012); ‘as memórias não se apagam’  (2014) e 'Mar Urbano Lisboa (2019). Foi programador do ciclo ‘Pontes para Istambul’ (2010),‘Turkey: The Missing Star Lisbon’ (2012), Mostras de Cinema da América Latina (2010 e 2011), 'Vamos fazer Rir a Europa', (2014), Mostra de Cinema Dominicano, (2014) e Cine Atlântico, Terceira, Açores desde 2016, até actualidade. Foi Director de Programação do Cine’Eco—Festival de Cinema Ambiental da Serra da Estrela de 2012 a 2019. É membro da FIPRESCI.

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