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Falcon and the Winter Soldier, em análise

Estreou mais tarde do que o previsto, mas até pode ter sido a salvação de “Falcon and the Winter Soldier”. Depois de “WandaVision” a curiosidade era muita, ou não fosse esta a série que todos esperavam para dar um final à história do Capitão América. E a verdade é que faz mais que isso. A série é apenas o início do futuro da MCU e promete, promete muito!

Se “WandaVision” estranhou-se pelo modo como montaram a narrativa, “Falcon and the Winter Soldier” manteve-se fiel à dinâmica de um filme da MCU e não estava longe da premissa que a série seria como um filme… ainda que durasse 6 horas. Com seis episódios (mas que poderiam ser muito mais), a série que juntou os maiores aliados do Capitão América é o palco para as novas histórias da Marvel no âmbito do grupo dos Avengers.

Com algumas repescagens de histórias antigas e o regresso do antagonista Zemo, e com uma dinâmica ainda a surgir entre Falcon (Anthony Mackie) e do Winter Soldier (Sebastian Stan), a série não se esquece de ir buscar personagens secundárias que poderão apresentar novos enredos, como a ‘perdida’ Sharon Carter, ou de apresentar novas. Afinal de contas, a MCU tem de continuar e essa parece a ideia motora por detrás de “Falcon and the Winter Soldier”.

[AVISO: Há spoilers daqui em diante!]

À semelhança da primeira série original MCU e Disney+, esta nova história volta a levar-nos aos acontecimentos pós-“Avengers: Endgame”, nomeadamente nos tempos que sucedem ao Blip e ao reaparecimento de todos os que haviam sido “evaporados” por Thanos. Num mundo que se habitua a uma nova realidade, e onde os super-heróis deixaram de ter algum poder, vemos Sam Wilson (Falcon) e Bucky Barnes (Winter Soldier) a procurarem algum conforto numa vida “normal”, enquanto procuram também algum conforto após a perda de Steve Rogers, o Capitão América.

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Os primeiros episódios parecem-nos algo dispersos, já que a narrativa se foca nos dois de forma isolada durante bastante tempo. Mas, por entre missões e momentos de vingança, os dois lá se encontram com o propósito de fazer algo pelo mundo, ainda que unidos não pelos valores mas pelo amigo em comum, Steve. Tal parece até um pouco perdido, não fosse o facto de toda a relação se basear unicamente e exclusivamente num símbolo: o escudo de Capitão América. A força motora da série, o escudo, ou neste caso a devolução do mesmo ao Governo americano, é o que motiva o reencontro de Sam e Bucky, e em última instância o que os leva novamente a entrar no mundo dos super-heróis, e a lutar por um mundo melhor.

Falcon Winter Soldier
A história de “Falcon and the Winter Soldier” tem por base o escudo e, acima de tudo, o seu simbolismo © Marvel Studios 2021

Mas é a partir da entrega do escudo que começa tudo: há novas personagens, descobrem-se antagonistas, são reavivadas antigas relações de aliança ou rivalidade e a Marvel começa a criar as ligações para o futuro e de forma a manter os fãs interessados na história. E é neste seguimento que conhecemos John Walker (Wyatt Russell). Apresentado como um homem das forças especiais americanas, soldado de elite e homem de honra, é o ‘poster’ ideal para ser o novo Capitão América, num novo mundo. Só que não! (Perdoem-nos a expressão como se fossemos adolescente a responder a algo que não gostamos). John Walker não é o Capitão América, nem tão pouco atinge os calcanhares, e é de longe a personagem mais difícil de engolir em toda a temporada.

Arrogante, sem valores ou princípios, um tanto shady e claramente pomposo demais para ser um Avenger (só o Tony Stark tem direito a essa postura!), Walker quase que nos fez ter vontade de desistir de alguns episódios a meio. Porque não havia coerência, os discursos eram pobres e convenhamos… aquela última frase dele no episódio final, como se fosse um homem altruísta e como se aquele acto remediasse o enorme erro que ele cometera com o escudo anteriormente, não, não resulta. Nem de longe nem de perto.

Falcon Winter Soldier
John Walker não é apresentado como o grande antagonista mas no final, para nós, ele foi o maior vilão desta temporada e não Karli Morgenthau © Marvel Studios 2021

Claro que há que procurar algo de bom numa personagem tão má, e aqui só vemos uma coisa, a introdução de novas histórias na MCU. Afinal de contas, é pelos (inexistentes) valores de Walker que nos é apresentada Valentina Allegra de Fontaine (Julia Louis-Dreyfus), caracterizada como uma personagem em muito semelhante ao Fury, mas com o seu dark twist. E por isto, apenas por isto, aceitamos um pouco melhor a presença de Walker; porque como Capitão América não faz nada, mas é o ponto de partida para uma nova história inspirada na banda desenhada.

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Mas falar apenas de John Walker e Valentina não estaria certo numa análise à série. Pela primeira vez, a grande antagonista apresentada, Karli Morgenthau, não se enquadrou no típico quadro de vilões da Marvel. Sim, a dada altura tornou-se extremista e fanática, mas a essência não era essa e por aí agradou-nos. O seu objectivo era real, palpável e, no final de contas, extremamente relacionável. E a sua storyline foi eficaz para nos relacionarmos com ela e em falta ficou apenas uma coisa: a sua origem enquanto super soldado.

E Marvel não é Marvel sem remexer no passado, por isso não foi apenas as referências a Wakanda que nos captaram a atenção. O regresso de Zemo (Daniel Brühl) e de Sharon Carter (Emily VanCamp) revelaram-se as maiores surpresas mas certamente boas adições ao enredo.

O Falcão e o Soldado de Inverno
©Marvel Studios 2021. All Rights Reserved

Enquanto que Zemo teve um papel relativamente passivo, foi essencial para o contexto da história. Afinal de contas, quem melhor para explicar e perseguir super soldados? E há que realçar que Zemo foi a grande figura de destaque nas cenas em que entrou, arrebatando sempre o centro das atenções aos co-protagonistas. Já Sharon Carter, a familiar distante do amor do Capitão América, Peggy Carter, passou mais pelos pingos da chuva quando no final tudo o que queríamos é que tivesse sido ao contrário. Apareceu de fininho, claramente com algo obscuro em redor dela, e revelou-se no final um dos grandes players deste novo mundo pós-Blip. Mas será que a personagem é forte o suficiente para uma história a solo? Infelizmente, não. Ainda não revela ter o carisma necessário e a nossa aposta é que a porta aberta tenha sido para um futuro a dois, com o novo Capitão América.

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“The Falcon and the Winter Soldier” estava previsto ser a primeira série MCU a chegar à plataforma de streaming da Disney+, mas os seus atrasos derivados do impacto da pandemia global da Covid-19, foram talvez o percalço mais feliz que poderia ter acontecido. O timing da sua estreia revelou-se absolutamente perfeito para a storyline que nos foi apresentada: um mundo onde as sociedades estão quebradas, onde há medos de ditaduras e, acima de tudo, ainda um grande preconceito com a raça e com os estereótipos criados sobre o que, quem ou como é que os símbolos devem ser apresentados ao mundo. E foi aí que a série da Marvel ganhou. Foi neste timing e na forma como apesentou a história e deu continuidade ao legado do Capitão América. Conquistou por ser uma história de super-heróis num tempo actual e pelo impacto que tem junto do público que, quer queiramos quer não, existe e certamente se fez ressoar com o grande final do 6º episódio. Não foi apenas importante a revelação de outros super-soldados do tempo de Steve, foi igualmente importante a revelação do novo Capitão América, que não é um super-soldado, não tem super-poderes e é, na sua essência, um símbolo de esperança e união.

Anthony Mackie
Sam Wilson vai continuar o legado de Steve Rogers, ao tomar o lugar de Capitão América © Marvel Studios 2021

Pecou no entanto por ter deixado muitas portas em aberto, embora concordemos que seja melhor ser uma série a fazê-lo do que um grande filme de cinema. No final, a nosso ver, revela-se o grande ponto de partida para a quarta fase da MCU e sem dúvida muito interessante. Não só queremos continuar a saber do futuro de Sam e Bucky, como de todas as histórias spin-off que parecem surgir destes 6 episódios de “Falcon and the Winter Soldier”.

Falcon and the Winter Soldier

Movie title: Falcon and the Winter Soldier

Movie description: Depois dos acontecimentos de “Vingadores: Endgame”, Falcon e o Winter Soldier unem forças numa aventura mundial onde testam as suas capacidades, e a paciência de cada um.

Date published: 19 de March de 2021

Country: EUA

Duration: 6 episódios

Director(s): Kari Skogland

Actor(s): Anthony Mackie, Sebastian Stan, Daniel Brühl, Erin Kellyman, Emily VanCamp, Wyatt Russell, Julia Louis-Dreyfus,

Genre: Acção, Aventura, Drama

  • Marta Kong Nunes - 75
75

CONCLUSÃO

“Falcon and the Winter Soldier” é a história que continua o mundo dos Avengers na sua essência, e que carrega em si todo o simbolismo de uma era de maior esperança e união. A narrativa não podia estar mais adequada à sociedade actual, e os protagonistas, ao pouco, conquistam o público. Há alguma química, já existe uma ligação emocional de trás e o caminho para criar o magnetismo dos filmes começa claramente a ser trilhado. Será que esta vai ser a primeira série da MCU com mais temporadas?

Pros

  • A apresentação de novas personagens para a continuação da MCU
  • Zemo, que embora antagonista foi um prazer de se ver e que tinha a capacidade de roubar a cena
  • A redenção de Bucky Barnes
  • A transformação de Sam Wilson no novo símbolo de esperança, continuando o legado de Steve Rogers como Capitão América

Cons

  • John Walker. Pobre de espírito, carácter e sem inspirar confiança
  • Os pequenos vislumbres de Wakanda mas sempre muito num “toca e foge” ; queremos saber o que de especial tem o novo fato do Capitão América (vem de Wakanda, TEM de ser especial!)
  • Abrir a storyline de Sharon Carter e deixar em aberto por completo
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Marta Kong Nunes

Fanática de cinema e séries por pura paixão, sou da geração Disney mas também das Tartarugas Ninjas, Motoratos e afins. Já passei pela obsessão de vários géneros de cinema e apesar de me considerar eclética, nada me tira o gozo de um bom filme de acção (por muito irrealista que seja). Séries também se devoram por cá, mas a magia de um filme, será sempre a magia de um filme!

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