O IRS não para de mexer em 2026. Depois de vários ajustes já aplicados este ano, o Governo prepara agora um novo corte no imposto. A medida deverá chegar já em novembro, através de uma redução nas retenções na fonte. Por isso, muitos trabalhadores vão notar um salário líquido mais alto ainda antes do fim do ano.
Um novo alívio fiscal

O Executivo anunciou um desagravamento que abrange até ao sexto escalão de IRS. No total, a medida representa um impacto orçamental de cerca de 400 milhões de euros. Além disso, deverá chegar a mais de dois milhões de agregados familiares em todo o país.
Contudo, quem está acima do sexto escalão não fica necessariamente de fora. Isto acontece porque o IRS funciona de forma progressiva. Ou seja, mesmo um contribuinte no sétimo, oitavo ou nono escalão continua a pagar as taxas mais baixas sobre a primeira fatia do seu rendimento. Consequentemente, também essas pessoas devem sentir algum alívio no bolso.
Corte no IRS, subida no salário?
O corte não se traduz num aumento do salário bruto. Em vez disso, o efeito surge através de uma retenção na fonte mais baixa. Na prática, a entidade patronal desconta menos IRS, e o trabalhador recebe mais no final do mês. Ou seja, o ordenado mantém-se igual no papel, mas o valor que cai na conta é maior. Este alívio não se limita ao salário mensal. Na verdade, vai também refletir-se no subsídio de Natal, o que deverá reforçar ainda mais o rendimento disponível nos últimos meses do ano.
Quanto recebo a mais com o corte no IRS?

Por agora, ainda não existem números fechados. Para calcular o impacto exato em cada recibo de vencimento, o Governo precisa primeiro de publicar as novas taxas e as respetivas tabelas de retenção na fonte. Só depois será possível perceber, com rigor, quanto sobra a mais para quem ganha, por exemplo, 1.200, 1.500 ou 2.000 euros.
Aliás, convém não confundir esta medida com simulações anteriores. Essas contas referiam-se a descidas de IRS já aprovadas em fases anteriores do ano. Este novo corte, anunciado em setembro, é distinto e ainda depende de regulamentação adicional.
No entanto, há um pormenor que vai tornar novembro num mês fora do comum. O Governo garantiu que o alívio terá efeitos retroativos a janeiro de 2026. Isto significa que as retenções de novembro e dezembro terão de compensar também o imposto pago a mais nos meses anteriores. Por isso, a diferença sentida no salário desses dois meses poderá ser maior do que um simples ajuste mensal.
O que pesa no valor final?

O montante que cada pessoa vai receber a mais depende de vários fatores. Entre eles estão o salário bruto, o estado civil, o número de dependentes e a quantidade de titulares de rendimento no agregado. Assim, dois trabalhadores com o mesmo ordenado podem sentir um alívio diferente, consoante a sua situação familiar. Para já, resta aguardar pela publicação oficial das novas tabelas. Só então ficará claro, escalão a escalão, quanto vai efetivamente aumentar o rendimento líquido de cada português.


