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MOTELX ’21 | The Night House, em análise

A secção Serviço de Quarto funciona como uma espécie de revista das melhores e mais conceituadas obras de terror realizadas no espaço do último ano. Encontramos, nesta secção, a obra “The Night House”, que exibiu no Cinema São Jorge a 12 de setembro e deverá chegar às salas nacionais brevemente pela mão da NOS Audiovisuais. 

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Rebecca Hall (“O Despertar”, esplendorosa em “Christine”) está perfeita e é a rainha das nuances na pele de Beth, uma jovem viúva que procura compreender o inesperado suicídio do seu marido. Começamos a nossa breve análise com a constatação de que, não fosse o Terror um género menosprezado no que diz respeito a prémios e troféus, Hall estaria bem posicionada para a corrida do ano seguinte.

“The Night House”, que em português recebe o apatetado subtítulo “Segredo Obscuro”, é um thriller sobrenatural extremamente emotivo da autoria de David Bruckner (“V/H/S” e “Southbound” – exibidas na selecção de curtas do MOTELX no passado). Acompanhamos a história de Beth, viúva que tenta compreender os eventos que levaram ao suicídio inesperado do seu marido. Sarcástica e cética, Beth irá ver a sua personalidade e crenças transformarem-se à medida que a sua cénica casa no lago, construída pelo marido, se torna cada vez mais bizarra durante a noite.

Com o título bastante literal, eis que “The Night House” honra a tradição clássica das casas assombradas e apenas expressa presenças extra-humanas durante a noite, à medida que a nossa protagonista deambula num sono sonâmbulo e revelador. Beth começa a jogar com a duplicidade, o “outro”, o reservo da medalha da sua bela casa, à medida que procura uma casa que é o seu exato oposto e descobre segredos que parecem querer indicar que o seu marido lhe escondia uma outra vida.

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Perante os conselhos sensatos dos seus amigos e colegas, Beth procura levar a sua investigação até às últimas consequências e, mais tarde ou mais cedo, acaba por conseguir descobrir a verdade pela qual tanto ansiava. À medida que Beth vasculha os bens do marido, tudo no enredo se vai tornando mais pesado e confuso. Cada vez são mais as peças do puzzle, os elementos a unir.

Ao fim de contas, a resolução de “The Night House – Segredo Obscuro” (2020) acaba por nos levar por caminhos improváveis – transportando-nos para uma conversação que até ao final não parecia estar em cima da mesa. A certo ponto, a linha narrativa torna-se algo embrulhada, confusa e destaca-se um final pouco satisfatório e que machuca a genial progressão até então.

Ainda assim, a obra vence pela sua capacidade notória no sentido de criar uma tensão crescente e avassaladora. Os jump scares são bem orquestrados, a montagem é ágil e as sequências mais assustadoras são longas e vagarosas, com vários climaxes, de forma a intensificar o “sofrimento” de quem vê. É esta capacidade pura e dura de gerar terror que torna “The Night House” numa boa obra de horror, para lá de algumas das suas limitações de enredo.

 

TRAILER | THE NIGH HOUSE (2020) NO SERVIÇO DE QUARTO DO MOTELX ’21

The Night House, em análise
The Night House Poster Motelx

Movie title: The Night House

Movie description: Em choque pela morte inesperada do seu marido, Beth é deixada sozinha na casa à beira do lago que ele construiu para ela. Ela tenta o melhor que pode para não se deixar ir abaixo – mas então começam os sonhos. Visões perturbadoras de uma presença na casa chamam-na, acenando com um fascínio fantasmagórico, mas a forte luz do dia elimina qualquer prova de assombração.

Date published: 14 de September de 2021

Country: EUA

Duration: 108'

Director(s): David Bruckner

Actor(s): Rebecca Hall, Sarah Goldberg, Vondie Curtis-Hall

Genre: Terror, Thriller, 2020,

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  • Maggie Silva - 78
78

CONCLUSÃO:

“The Night House” vence pela capacidade de construir sequências terroríficas longas e munidas de jump scares sucessivos bem ritmados.

O MELHOR:

A grande capacidade para criar tensão.

Os sustos bem arquitetados e colocados no momento exato – David Bruckner sabe como criar terror.

A fotografia impressionante.

O PIOR:

O desfecho final.

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Maggie Silva

Comunicadora de profissão e por natureza. Dependente de cultura pop, cinema indie e vítima da incessante necessidade de descobrir novas paixões. Campeã suprema do binge watch, sempre disposta a partilhar dois dedos de conversa sobre o último fenómeno a atacar o pequeno ou grande ecrã.

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