Sarah Bolger em "A Good Woman Is Hard to Find" (2019) |©February Films/ MOTELX

MOTELx’19 | A Good Woman is Hard to Find, em análise

Qualquer Festival de Cinema é em grande parte feito da sua secção competitiva, e o MOTELx’19 não é excepção. Na competição europeia, um dos filmes que encontramos é “A Good Woman is Hard to Find”, de Abner Pastoll.  Uma narrativa simples, que segue um modelo reconhecível nos últimos tempos. 

No cinema de terror, e também no género do drama, há um arquétipo de narrativa feminina que se tem vindo positivamente a multiplicar nos últimos, digamos, 15 anos. É ela a narrativa de vingança, na qual uma mulher maltratada por um homem se vinga de forma feroz ou até caricatural. Temos o influente filme do género com Ellen Page em “Hard Candy” (2005), ou mais recentemente “Vingança” (2017). Outro exemplo pertinente é a saga “Millenium”, na qual a heroína Lisbeth Salander paga na mesma moeda e para além disso aos “homens que odeiam as mulheres”.

Sarah Bolger em “A Good Woman is Hard to Find” (2019) | © MOTELX’19

Sarah Bolger (“Na América”, “Once Upon a Time”) protagoniza esta agradável  surpresa, de um novo realizador emergente. Um thriller intenso, que vem precisamente na linha das obras mencionadas anteriormente. Contudo, tem uma energia mais sóbria e realista do que qualquer uma destas outras criações. O filme centra-se em Sarah, uma jovem viúva. Sarah tem dois filhos e é uma viúva recente. O seu marido foi assassinado, mas Sarah recusa-se a reconhecer que o motivo se prende com as suas actividades problemáticas. Assim, esta narrativa de retribuição está também envolta num mistério. Quem matou o seu marido, e porquê? Estava ele de facto a traficar drogas, ou há um motivo mais nobre para a sua morte?

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Sarah move-se num mundo dominado por homens, e terá de jogar o seu jogo para conseguir sobreviver, bem como fazer com que os filhos recuperem do trauma recente. O seu filho mais novo não fala, não desde que foi testemunha do homicídio do pai. Tudo isto já é complicado o suficiente, até ao dia em que, por azar, um traficante de droga entra pela casa de Sarah a dentro, e a força a deixá-lo lá esconder drogas. Bem feitor de gema, até a deixa ficar com uma parte dos lucros.

Começa uma luta pela sobrevivência, onde Sarah acaba por ter de fazer escolhas muito difíceis para defender a sua fragilizada família. O que se segue é um festim para os olhos, mas acima de tudo para os ouvidos. O filme é dominado por uma banda-sonora que tudo consome, ominipresente e avassaladora, e a qual define o ambiente onde se move. É uma intromissão bem-vinda, e que acrescenta intensidade narrativa à obra de uma forma particularmente competente. Há que destacar, contudo, o final de “A Good Woman is Hard to Find”, que acaba por se mostrar um pouco previsível e até apressado. Os nós são todos atados, isso é certo, mas talvez uma certa delicadeza fosse importante para tornar o clímax da história um pouco menos… abrupto.

“A Good Woman is Hard to Find” é uma história particularmente simples, mas contada com a mesma simplicidade e despretensão que a tornam mais valiosa. Não é um “filmão”, mas cumpre a sua premissa. Acima de tudo, diz-nos que a jovem atriz irlandesa Sarah Bolger tem muito para mostrar, e merece papéis de maior relevo. Ela carrega o filme, como em qualquer narrativa de vingança no feminino, e fá-lo de forma exímia.

Ambas as sessões de “A Good Woman is Hard to Find” no Motelx’19 aconteceram já, mas quem sabe, talvez saia vitorioso na secção competitiva!

MOTELx’19 | A Good Woman is Hard to Find, em análise

Movie title: A Good Woman is Hard to Find

Date published: 2019-09-13

Director(s): Abner Pastoll

Actor(s): Sarah Bolger, Edward Hogg, Andrew Simpson

Genre: Crime, Thriller

  • Maggie Silva - 75
  • Cláudio Alves - 65
70

A Good Woman is Hard to Find

"A Good Woman is Hard to Find", detentor de um irónico título para lá de apropriado, é um filme competente, que coloca em movimento uma narrativa de vingança, para lá de pertinente no mundo no qual nos movemos.

O MELHOR: Sarah Bolger é uma protagonista bastante solitária, ocupando o ecrã quase sempre sozinha e mesmo assim, alguém que consegue brilhar inequivocamente

A Banda-Sonora merece também o devido destaque

O PIOR: O final é bastante apressado

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Maggie Silva

Comunicadora de profissão e por natureza. Dependente de cultura pop, cinema indie e vítima da incessante necessidade de descobrir novas paixões. Campeã suprema do binge watch, sempre disposta a partilhar dois dedos de conversa sobre o último fenómeno a atacar o pequeno ou grande ecrã.

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