Matt Berninger no Palco Mundo do Rock in Rio | © Anne Karr/ Central Video RIR

Rock in Rio Lisboa 2022 | The National rendidos à Cidade do Rock

Uma das bandas de indie rock e rock alternativo por excelência, a trupe The National formou-se em 1999 e por Portugal passou já umas impressionantes 18 vezes. A 18 de junho, perante uma vastíssima plateia do Rock in Rio Lisboa 2022, apresentaram-se frente a uma multidão expectante, de perder a vista e conseguiram convencê-la. 

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Os The National formaram-se em 1999, em Brooklyn, Nova Iorque, mas as suas raízes encontram-se em Cincinnati, no Estado Norte-Americano do Ohio. Composta pelo vocalista Matt Berninger, pelos irmãos gémeos Aaron Dessner (guitarra, piano e teclista) e Bryce Dessner (guitarra, piano, teclista), bem como pelos irmãos Scott Devendorf (baixo) e Bryan Devendorf (bateria), esta é uma banda coesa, que se tem vindo a manter intacta na sua composição ao longo de todo este século XXI e que é assim se apresentou na Cidade do Rock, perfeitamente pronta para uma 1h15 de puro rock melancólico.

Da massa humana já acumulada – mais de 70 000 pessoas circularam no primeiro dia pelo recinto do RIR, que há quatro anos não se fazia festa em Lisboa – muitos não arredavam já pé, a aguardar pelo concerto de Muse que se seguiria. Os The National, que atuaram na Cidade do Rock pelas 21h00, são tipicamente banda de outros “carnavais”, embora bastante ecléticos: a sua relação longa de amor com o público português começou logo em 2005 no Paredes de Coura (onde entretanto já voltaram); já passaram em nome próprio por salas mais ou menos intimistas como a Aula Magna, o Campo Pequeno ou o então Pavilhão Antlântico e já marcaram presença em outros grandes festivais como o Alive ou o Super Bock Super Rock.

O ambiente no início do concerto de The National |© Anne Karr/ Central Video RIR

Todavia, a festa exuberante que é o Rock in Rio poderia, à primeira vista, não ser o seu palco mais natural. Que se desengane quem assim pensa: embora os The National, menos afastados da cena do mainstream, nunca tenham editado grandes êxitos de rádio e embora não tenham canções conhecidas pela generalidade do grande público, e mesmo que no Parque da Bela Vista apenas alguns entoassem a sua setlist, estes grandes senhores do rock conseguiram atrair as atenções até de quem não tinha familiaridade com o seu repertório.

E como artistas que não se vêem presos a grandes hits comerciais, os The National dispõe da libertadora vantagem de não estarem cingidos a uma máquina discográfica que force à promoção intensa de um ou outro álbum. Daí advém o facto do seu alinhamento do espectáculo se ter caracterizado por uma enorme liberdade e dispersão ao longo do tempo – da sua carreira –  e, claro, dos seus discos: num total de 16 belas músicas entoadas no Palco Mundo, apenas uma canção do CD mais recente (“I am Easy to Find”) – “Light Years” teve direito a atuação. Esta bela melodia repleta de mágoa existencial foi recebida com entusiasmo pelo público, que acolheu a banda com telemóveis no ar  e com um sentimento geral de envolvimento emocional profundo que se fazia sentir entre quem assistia.

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Matt Berninger é um frontman, um representante de primeira linha da banda, ligeiramente acanhado, tímido, mas munido de um sentido de humor peculiar e cativante e capaz de se entregar de alma e coração ao público que testemunha a sua performance. Para quem assista à competência em palco destes cinco músicos centrais da banda pela primeira vez, como foi o caso da afortunada redatora deste artigo, é arrebatador compreender como as belas versões de estúdio se tornam mais viscerais e dilacerantes quanto cantadas e tocadas ao vivo.

As guitarras, teclas e restante panóplia instrumental ecoam por um Parque da Bela Vista de ouvidos cheios, à medida que Berninger puxa pela sua voz até quebrar ao chegar ao clímax de cada música. Em concordância com o arranjo musical e as composições textuais líricas dos The National, o momento em que a sua voz é levada ao limite vê-se imbuído de uma emotividade profundamente sincera e quase capaz de nos devorar.

Matt Berninger sente cada uma das sílabas cantadas, o que é intoxicante |© Anne Karr/ Central Video RIR

Há uma fragilidade abraçada que se faz sentir e também um calor muito grande. Os membros da banda recordam, já lá mais para o fim, que Portugal foi o último sítio onde haviam tocado todos juntos antes da pandemia lhes trocar as voltas. Foi um regresso glorioso, que visivelmente não desiludiu nenhum dos lados da barricada, e é bem possível que os The National tenham aqui conseguido conquistar novos fãs a acrescentar à legião considerável que já os segue em terras lusas.

“Trouble Will Find Me” (álbum de 2013) e “Boxer” (já de 2007), dois dos álbuns criticamente mais aclamados da banda, foram os que mais espaço tiveram reservado na lista de temas do concerto. De “Trouble Will Find Me”, destaque para as interpretações inesquecíveis de “Graceless” e “Pink Rabbits”. Já do conjunto de temas presentes em “Boxer”, três foram selecionados para a setlist do Rock in Rio – “Fake Empire”, Mistaken for Strangers” e “Slow Show” Todas estas interpretações merecem ser vistas e revistas. Porque não guardar na box, bem protegida, a gravação deste dia? O tocante concerto contou com emissão em direto na SIC Radical.

Os The National recordaram-nos de que o rock alternativo – que rótulo é esse afinal? –  pode bem ser para todos, quando subiram ao Palco Mundo do Rock in Rio no dia 18 de junho de 2022. Estiveste presente? 

Maggie Silva

Comunicadora de profissão e por natureza. Dependente de cultura pop, cinema indie e vítima da incessante necessidade de descobrir novas paixões. Campeã suprema do binge watch, sempre disposta a partilhar dois dedos de conversa sobre o último fenómeno a atacar o pequeno ou grande ecrã.

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