Sem Limites © Prime Video

Sem Limites | Entrevista exclusiva com Rodrigo Santoro

Rodrigo Santoro é Fernão de Magalhães na nova série Prime Video. Numa entrevista exclusiva, falou do projeto e de como foi interpretar um português.

Uma mini-série, “Sem Limites” é uma das novidades da temporada do catálogo da Prime Video. Com Rodrigo Santoro e Álvaro Morte a liderar o elenco, o projeto da RTVE retrata um dos momentos que mais marcaram a história da Humanidade e leva-nos pelos mares de todo o mundo.

“Sem Limites” narra a história da primeira volta ao mundo. Realizada por Simon West (“Tomb Raider”), a sua apresentação ao público coincide com a celebração do quinto centenário da expedição. Durante seis episódios, a história garante ação e aventura pelos detalhes de uma viagem pelo desconhecido e pelo retrato da épica história de um grupo de marinheiros liderados por Fernão de Magalhães e, mais tarde, Juan Sebastián Elcano.

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Com um elenco de várias nacionalidades, incluindo o talento nacional Gonçalo Diniz, como Duarte Barbosa, “Sem Limites” viajou pelo mundo para as suas filmagens. E, sendo uma história que marcou o mundo e com sangue luso, a Magazine.HD não deixou escapar a oportunidade de saber mais sobre este projeto.

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Rodrigo Santoro e Álvaro Morte são Fernão Magalhães e Juan Elcano em “Sem Limites” | Cr. Raúl Tejedor © RTVE

Numa conversa exclusiva, Rodrigo Santoro, que interpreta precisamente o navegador português Fernão de Magalhães, desvendou um pouco do processo de um projeto com origem histórica.

Sabendo que estava a interpretar alguém real, o ator brasileiro contou-nos o porquê de ter aceite o projeto mas também todo o esforço que fez para mostrar a personagem de Magalhães tal como ele era. Deixando antever um pouco do seu trabalho e o seu processo, Rodrigo Santoro conseguiu ainda deslumbrar-nos quando deixou escapar respostas num sotaque inteiramente português – algo que ele assegura-nos estar presente na série e em cenas com Gonçalo Diniz.

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Assim, convidamos-te também a conhecer um pouco mais sobre “Sem Limites”, que estreia na Prime Video já a 24 de junho.

Rodrigo, em relação à série, “Sem Limites”, qual foi a parte da história que mais o atraiu para aceitar o projeto?

Eu acho que é uma história fascinante. Desde o momento que Magalhães sai em busca desta missão, deste objetivo. Desde o momento em que ele se convence que este estreito existe e ele vai em busca desse sonho, até à sua morte. É uma trajetória meteorica e absolutamente intensa. E muito interessante, complexa, cheia de complexidade. Uma história muito fascinante. Além de ser história, história da humanidade. Então me atraiu imediatamente. E a própria personagem do Magalhães é uma personagem que tem uma imagem muito polémica. Me interessava chegar na essência desse homem, não nos títulos do herói, do vilão, do traidor, do que seja, das opiniões diversas. Mas quem teria sido esse homem?

Rodrigo Santoro
“Sem Limites” conta a história de uma das expedições de Fernão de Magalhães © Prime Video

E como é que foi a preparação para o papel? Porque há muita história sobre Fernão de Magalhaes, muitas histórias sobre esta viagem. Como é que entrou na personagem?

Bom, começa com uma pesquisa muito grande e longa, até pela internet. Comecei pela internet e depois fui para as biografias e a biografia do Pigafetta, que era um italiano escriba que documentou a viagem. E depois eu trabalhei com uma historiadora que me conseguiu alguns documentos históricos, como o próprio testamento de Magalhães. E aí tinha muitas informações interessantes para eu entender e me aproximar de quem teria sido esse homem e dos seus conflitos, das contradições, do que ele desejava, os seus sofrimentos, questões humanas, não heróicas e humanas. Esse foi o meu, o meu foco inicial. Depois disso eu trabalhei também a questão do sotaque. O sotaque em português, que era diferente do meu sotaque materno e em espanhol também, porque o espanhol latino americano e o castelhano norte americano é diferente do castelhano falado na Espanha. Então é um trabalho muito técnico, aí nas línguas. Depois de vir para Madrid, comecei a trabalhar também coreografias de lutas, porque eu faço sempre o trabalho com os meus dublês (duplos).

Os dublês vêm para o set e eles relaxam. E eu gosto de fazer as minhas coisas. Quando me deixam fazer, eu faço. Nesse caso, fiz todas.

Sim, pegando no tema dos duplos e das cenas de acção. Como é que foi trabalhar com Simon West, conhecido por trabalhos como Tomb Raider? Como é que foram as filmagens no local? Tiveram mais filmagens no sítio ou muitas cenas de estúdio?

Muitas cenas de estúdio. Demos a volta ao mundo sem sair do lugar. Basicamente, mas também tivemos muitas locações e filmamos País Basco, Navarra, Sevilha. E o estúdio em Madrid. Também estivemos em República Dominicana por duas semanas. Então tivemos várias locações e um bom tempo no estúdio, com o barco e a reprodução do barco num chroma todo azul, onde a gente trabalhava muito com a imaginação. Que é o trabalho no chroma, projetar a imagem em si e acreditar nelas para convencer o espetador.

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Rodrigo Santoro tem orgulho em fazer as suas próprias cenas de ação © Prime Video

E como é que foi a interação com o resto do elenco? Principalmente com o Álvaro, que interpreta a outra personagem principal da história. O elenco é composto realmente por atores de várias nacionalidades por isso, como é que foi a relação de todos?

Bom, com Álvaro, eu o conhecia pelo seu trabalho na “Casa de Papel”. Ele ficou muito famoso e eu só o conhecia daí. E trabalhamos juntos porque a relação do Elcano e Magalhães é uma relação muito importante nessa, nessa série, nesta história. O recorte que é feito, está muito baseado nesta relação. Então, nós trabalhamos num processo de colaboração mesmo para tentar aprofundar a relação dos dois, construindo a cada cena detalhes subtis, mas coisas que a gente é uma relação antagónica a princípio, mas que, como são complementares, um precisa do outro. De certa forma, eles vão aprendendo a se respeitar, se aproximam e o resto do elenco, muitos espanhóis, na sua maioria atores, grandes atores espanhóis muito conhecidos, inclusive aqui na Espanha. E é muito bom ter atores muito bons, mesmo que não estejam em personagens tão grandes, mas todos fazendo muito bem os seus papéis. Acho que dá muita força para a narrativa. Estávamos em pandemia. Então, o distanciamento, máscaras e testes todos os dias. Então o processo foi que foi bastante difícil.

Como é que foi voltar à televisão? O último grande projeto tinha sido já em 2020, com “Westworld”. Quais as maiores diferenças entre televisão e filme? E tendo em conta que foi filmado durante a pandemia.

É que essa é a diferença. Trabalhar durante a pandemia e com todos os protocolos e as limitações e exige muito mais, é muito mais difícil. Você tem que estar emocionalmente, está sendo, influenciado por esta questão o tempo todo, tentando se proteger, muito concentrado além do que você tem que fazer além do personagem. A gente estava muito atento a tudo e a todos os protocolos que eram fundamentais para que a produção continuasse assim. Mas eu não faço essa diferença de um filme para uma série. São trabalhos, são personagens e alguns… Enfim, numa série você tem a possibilidade de desenvolver a personagem. Mais e mais longo processo, o espectador pode acompanhar um gráfico mais desenhado da personagem, enquanto num filme você tem duas horas para contar uma história, então é mais curto, mas são personagens.

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De todos os momentos da série, qual foi o seu favorito? Destaca alguma cena de ação em particular ou momento da história?

Eu acho que a morte, a morte, verdade. É muito, me emocionei vendo e é muito e muito forte. E, bom, eu espero que o público português assista, porque eu trabalhei muito, inclusive para colocar cenas faladas em português. Estava tudo em espanhol, e eu consegui cenas no começo da história e também o Marco junto com o Duarte Barbosa, que é feito pelo Gonçalo Diniz. Isso e toda vez que Magalhães fala com o Duarte Barbosa, “Vamos falar em português” e falamos em português. Então a língua portuguesa está aí. Não foi fácil de conseguir, mas conseguimos porque estava aí defendendo património português. Também tinha que estar a língua, tinha que estar as origens do personagem. Então Gonçalo esteve junto nesse processo também. Então espero que o público prestigie. Apesar da produção ter sido espanhola, quem sabe uma próxima é um outro personagem português? Será uma produção portuguesa? Espero que sim.

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Liderados pelo português Fernão de Magalhães, 239 marinheiros partiram de Sevilha a 10 de agosto de 1519. Três anos mais tarde, apenas 18 marinheiros famintos e debilitados regressaram no único navio que resistiu à viagem, liderados pelo marinheiro espanhol Juan Sebastián Elcano. Viajaram 14.460 léguas, sempre de oeste para leste, completando a primeira volta ao mundo, uma missão quase impossível e que visava encontrar uma nova rota até a “ilha das especiarias”, que acabou por mudar a história da Humanidade ao demonstrar que a Terra é redonda. Uma proeza que transformou para sempre o comércio, a economia, a astrologia e o conhecimento do planeta, e que é considerada um dos maiores feitos da história.

TRAILER | RODRIGO SANTORO É FERNÃO MAGALHÃES

Conheces a história deste momento da navegação? Ficaste curioso(a) em ver Rodrigo Santoro como Fernão Magalhães?

Marta Kong Nunes

Fanática de cinema e séries por pura paixão, sou da geração Disney mas também das Tartarugas Ninjas, Motoratos e afins. Já passei pela obsessão de vários géneros de cinema e apesar de me considerar eclética, nada me tira o gozo de um bom filme de acção (por muito irrealista que seja). Séries também se devoram por cá, mas a magia de um filme, será sempre a magia de um filme!

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