Sem Saída | © Photo by Kirsty Griffin / 2021 20th Century Studios. All Rights Reserved

Sem Saída (No Exit), em análise

Filmado em sequência e num local de acção, “Sem Saída” é o novo filme Hulu a chegar à Disney+. Repleto de suspense e twists, poderá surpreender alguns.

Estando a passar ao lado de muitos fãs do cinema, talvez por ter estreia exclusiva em plataforma de streaming, “Sem Saída” (“No Exit”) é o novo projecto da Hulu. Com um elenco de jovens actores, apresenta-se como um thriller de suspense onde nem tudo é óbvio e que promete trazer alguma intriga para o ecrã. Com argumento de Andrew Barrer e Gabriel Ferrari, o filme inspira-se na novela homónima de Taylor Adams.

No Exit
Havana Rose Liu é a grande protagonista de “Sem Saída” © 20th Century Studios

Não sendo para todos os efeitos uma grande obra prima da sétima arte, a nova longa-metragem de Damien Power encaixa-se no seu leque de projectos que tendem a cair no espectro do terror e do suspense, como por exemplo “Killing Ground” (2016) e “Peekaboo” (2011). Com uma narrativa que se centra em meia dúzia de personagens, e que se apresenta num só local de acção, “Sem Saída” é uma boa surpresa por não se enquadrar necessariamente nos clichés do género.

[Nota: Esta análise está livre de spoilers, procurando não revelar quaisquer pontos chave do filme]

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Com muita tensão e plot twists que conferem o entretenimento na dose certa ao filme, “Sem Saída” acontece numa cabana remota nas montanhas, em plena tempestade de neve e sem qualquer sinal de civilização à volta. Ainda que a primeira parte decorra de forma ‘natural’, e com particular ênfase na construção da história, em particular da personagem principal, a parte final traz consigo uma camada de violência que o início do filme não deixava antever.

Tendo apenas 90 minutos (uma raridade nos tempos de hoje), o filme tem um andamento relativamente rápido, não criando tanto foco no background das personagens, o que por vezes nos falta neste contexto. No entanto, por vezes são lançadas migalhas sobre o que as levou àquele momento com eventuais motivos e contexto para as suas acções. Havana Rose Liu, que tem aqui a sua grande estreia como protagonista de uma longa-metragem, surpreende como a jovem Darby. Forte mas vulnerável, Havana Rose Liu consegue carregar o peso de personagem principal e manter a atenção centrada em si, mesmo quando partilhando o ecrã por exemplo com Dennis Haysbert, uma cara já bem conhecida do público. De um talento notório, a jovem actriz consegue em pouco tempo deixar passar a coragem e a vulnerabilidade da sua personagem de um modo que nem sempre é fácil de o fazer.

Havana Rose Liu
“Sem Saída” promete suspense e plot twists que surpreendem o espectador © 20th Century Studios

Em termos de narrativa “Sem Saída” não se destaca por ser um grande original mas também não pode ser considerado mais uma história ‘do mesmo’ já que surpreende por não incorporar alguns dos clichés mais característicos deste tipo de histórias. Apesar de apostar nas personagens com problemas pessoais, de falta de inteligência até, e que são logo indicativo de certas acções ou linhas de enredo; sendo este talvez um dos erros do filme, poderemos até dizer que é uma consequência das ideias de construção de argumento que não fazem sentido e que retiram um pouco o potencial que a história poderia ter no geral. Apesar disso, há que reforçar que independentemente de como as personagens foram construídas as mesmas foram apresentadas de forma exímia por qualquer membro do elenco. Desde os mais experientes, como Dennis Haysbert e Dale Dickey, que trazem uma boa dose de ‘veteranos’ ao filme, como também Danny Ramirez e David Rysdahl que tão bem contracenam com Havana Rose Liu.

E, porque um filme não se faz apenas pela história e argumento, há que realçar também a visão e o trabalho do realizador, Damien Power. Habituado a colocar nos ecrãs histórias com um certo toque de terror, Power consegue de forma exímia oferecer uma visão clara e firme da história de “Sem Saída”. Com uma atmosfera propícia conseguida pela localização – fica já agora a nota que este foi um filme filmado em sequência -, aliada a uma história de suspense e mistério, o realizador consegue encontrar o equilíbrio certo no modo como filma dentro e fora da cabana, centrando claramente uma visão mais violenta para todas as cenas exteriores e fazendo assim uma distinção clara dos locais.

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Nesse sentido, sabendo que o final quase entra em discordância com o resto do filme, pelo menos em termos de tipo de acção, não podemos dizer que não seja impactante. Bem, o final não nos deixa propriamente felizes ou desiludidos, seja pelo twist ou pela acção em si, mas apesar de tudo dá-nos uma conclusão. E isso é mais do que vários filmes do género dão, já que mantêm o suspense em aberto muitas vezes na tentativa de mais um filme. “Sem Saída” não o faz nem precisa, pois esta história é para se contar como foi contada (bem, talvez prolongássemos mais para termos mais contexto mas, no geral, não está mal).

  • Marta Kong Nunes - 75
  • Manuel São Bento - 80
78

CONCLUSÃO

Uma agradável surpresa, “Sem Saída” (“No Exit”) é um thriller repleto de suspense e com twists que mantêm o espectador sempre em alerta. Com um local de acção apenas, a narrativa é construída de forma inteligente e cria uma atmosfera convidativa ao mistério. Centrando-se mais na história do que num elenco de estrelas como tantos filmes se concentram agora, é apesar de tudo um filme mediano mas que fica ligeiramente acima do típico “filme de fim-de-semana à tarde”. Vale no entanto os actores e os plot twists.

Pros

  • newcomer Havana Rose Liu, que tem aqui o seu primeiro grande papel de protagonista;
  • A cinematografia cuidada, especialmente tendo em conta que todo o filme se centra praticamente num único local de acção;
  • Os plot twists da narrativa que são de facto inesperados e muito bem-vindos para manter o suspense do início ao fim.

Cons

  • Falta de contexto para a situação de algumas das personagens;
  • Diálogos fracos entre as personagens são no entanto bastante evidentes em certos pontos do filme;
  • Uma cena final que não parece estar em concordância com o resto do filme (em termos visuais)
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Marta Kong Nunes

Fanática de cinema e séries por pura paixão, sou da geração Disney mas também das Tartarugas Ninjas, Motoratos e afins. Já passei pela obsessão de vários géneros de cinema e apesar de me considerar eclética, nada me tira o gozo de um bom filme de acção (por muito irrealista que seja). Séries também se devoram por cá, mas a magia de um filme, será sempre a magia de um filme!

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