Star Wars | As roupas de Rey e Finn, os heróis da nova era

 

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Os grandes heróis de Star Wars: O Despertar da Força são Rey e Finn, dois protagonistas que surpreendem tanto pelas suas histórias como pelas suas fantásticas roupas.

Quando aparece em cena pela primeira vez, Finn (John Boyega) aparece-nos como apenas mais um stormtrooper num mar de violenta uniformidade. As suas ações rapidamente o distinguem dessa massa de mortífera desumanidade, uma distinção que se torna incontornável quando um guerreiro moribundo deixa uma tenebrosa marca de sangue no capacete do equipamento de Finn, então chamado de FN-2187.

Star Wars O Despertar da Força

Quando o enredo começa realmente a avançar, depois da cena de abertura de O Despertar da Força, FN-2187 vai-se progressivamente distanciando da imagem anónima de stormtrooper. Primeiro, retira o seu capacete, um ato que desafia as convenções do universo cinematográfico Star Wars. Um stormtrooper com uma face humana, ao invés da fronte rígida e assassina a que estamos habituados é um choque visual que é apenas exacerbado quando, após uma explosiva fuga e despenhamento no meio do deserto, o ex-stormtrooper vai retirando a sua armadura de proteção.

Star wars O Despertar da Força

Sem o equipamento branco, o que resta é uma base preta, simples e quase elegante, que lembra o figurino de Luke Skywalker no Episódio VI. Esta semelhança a Luke é atenuada quando Finn, assim batizado pelo heroico Poe Dameron (Oscar Isaac), coloca o casaco do seu companheiro de fuga que ele inicialmente julga estar morto. O casaco de cabedal castanho confere a este herói um estilo descontraído e decididamente moderno, ao mesmo tempo que alguns detalhes na construção da peça insinuam algum futurismo num figurino caracterizado pela simplicidade. Uma base preta e um casaco são suficientes para Finn, que rapidamente adquire a imagem de um herói clássico, de um rebelde, de um herói da Resistência.

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Star wars O Despertar da Força

O figurino de Rey (Daisy Ridley), a grande revelação de Star Wars: O Despertar da Força é bastante diferente da indumentária de linhas simples e clássicas que o seu companheiro de aventura enverga.

Star wars O Despertar da Força

Narrativamente falando, Rey é uma espécie de Luke Skywalker para a nova era da saga e o seu figurino exacerba esta faceta da personagem. É difícil ver a sua indumentária modesta, em tons creme, tecidos leves e desenho maioritariamente funcional e não encontrar algo de Luke no seu estilo. Esta ligação não é completamente óbvia, sendo que Kaplan empregou alguma refrescante subtileza no seu design. A túnica de inspiração japonesa que Mark Hamill envergou em 1977, por exemplo, é referenciada simplesmente pelo lenço cruzado que Rey utiliza.

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Ainda mais fascinante que a relação estabelecida entre este visual e a clássica imagem do jovem Luke Skywalker é o minucioso detalhe com que Kaplan concebeu esta indumentária. O turbante que Rey enverga na sua primeira cena, por exemplo, é uma t-shirt de mangas compridas que assim serve a dupla função de lhe proteger os cabelos da areia, como de lhe dar algum abrigo do frio do deserto caso Rey acabe por ter de passar a noite ao relento. Os óculos de proteção que ela usa são feitos a partir de um capacete de stormtrooper, como se Rey tivesse criado esta peça depois de explorar a carcaça de uma das antigas naves do Império que se encontram espalhadas pelo deserto do seu planeta.

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Star wars O Despertar da Força

Este lado engenhoso, prático e heroico que se reflete tanto nas ações de Rey como na sua aparência, ajuda a tornar a personagem na mais interessante e surpreendente protagonista que a saga teve até hoje.

Star Wars O Despertar da Força

Muito se tem falado do papel das mulheres no cinema de ação, aventura e ficção científica, sendo que Star Wars tem sido um constante exemplo do sexismo inerente a tais géneros cinematográficos. O Despertar da Força é uma reviravolta refrescante na história da saga, oferecendo-nos a nossa primeira heroína como protagonista do filme, assim como evitando reduzi-la a apenas mais um interesse romântico, uma vítima indefesa, ou uma mulher masculinizada de modo a ser poderosa. Rey é um raio de luz na negrura sexista da saga Star Wars e o seu figurino é parte desse triunfo, nunca a reduzindo a objeto de beleza e ostentoso luxo como Padmé Amidala, ou a um objeto erótico como Leia em O Regresso do Jedi.

Como cereja no topo do bolo, há uma estranha semelhança no visual de Rey e nos figurinos das mulheres de Mad Max. Estrada da Fúria, outro magnífico blockbuster deste ano que decidiu abranger o seu olhar a metade da população do nosso planeta que normalmente é ignorada ou menosprezada por este tipo de cinema.

Rey é claramente a heroína principal desta nova era da saga Star Wars e ainda bem, afinal, já é 2015!

 

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Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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