melhores bandas sonoras de 2018

TOP 2018 | 15 grandes bandas-sonoras de cinema

De “Suspiria” a “Bohemian Rhapsody”, 2018 foi um ano de grande cinema e com grande cinema também vieram grandes bandas-sonoras.

Quer sejam composições instrumentais nomeadas para Óscares ou coleções de canções cuidadosamente escolhidas para um filme em particular, 2018 foi um ano cheio de estupendas bandas-sonoras. De modo geral, foi um ano de grande cinema também, mesmo que os prémios da indústria e críticos tendam a refletir um ecossistema artístico bem mais medíocre. Por isso mesmo, aqui pela Magazine HD propomo-nos a criar listas, estes tops, que relembram o tipo de excelência que se registou nos grandes ecrãs do ano passado.

Agora, como já deu para perceber, chegou a vez de se listarem as grandes bandas-sonoras do ano. Como critério de escolha existe somente a necessidade de os filmes terem estreado entre 1 de janeiro e 31 de dezembro de 2018 em cinemas portugueses. Assim sendo, excelentes bandas-sonoras como a que Carter Burwell compôs para “A Balada de Buster Scruggs” ficam de fora, mas é necessário impor algum limite. De facto, tão extraordinário foi o cinema do ano passado, que esta lista podia ter muitas mais páginas do que as quinze que já tem.

As composições de Carter Burwell para o novo western dos irmãos Coen ficou fora da lista.

Em termos mais subjetivos, houve uma tentativa de considerar tanto o valor das bandas-sonoras enquanto álbuns musicais em mérito próprio assim como parte integra de um objeto artístico cinematográfico. Ou seja, existem aqui algumas escolhas que podem não ser tão extraordinárias assim ouvidas fora de contexto, mas ganham valor dentro dos filmes para os quais foram criadas.

Antes de efetivamente se nomearem as 15 bandas-sonoras que dão título a este artigo, resta fazer-se uma necessária menção honrosa. Afinal, quando uma banda-sonora é tão popular que despoleta a criação de novos projetos musicais por si só, há que se aplaudir. Tal foi o caso da banda-sonora de “Mamma Mia! Here We Go Aggain”.

A sequela ao musical de 2008 foi um delicioso sucesso este verão, assim como suas músicas. A versão cantada por Cher de “Fernando” dos ABBA, foi tão aclamada, de facto, que a cantora decidiu fazer todo um álbum de covers dos ABBA. Face ao apelo risonho do filme em questão, não podemos achar tal fenómeno estranho.

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Sem mais demoras, segue as setas para descobrires 15 das melhores bandas-sonoras do ano. Os filmes, ao invés de estarem ordenados por ordem de preferência, encontram-se pela ordem da sua estreia em Portugal.




CHAMA-ME PELO TEU NOME

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Compositor: Sufjan Stevens (Canções originais), Vários Artistas

As bandas-sonoras dos filmes do realizador Luca Guadagnino nunca são somente um adorno musical da narrativa. Em “Chama-me Pelo Teu Nome”, a música serve de discurso paralelo e complementar à história de amor de Elio e Oliver, estando em constante diálogo com o que se vê no ecrã. Isso nunca é mais óbvio ou mais sublime que nas cenas acompanhadas pelas composições de Sufjan Stevens, que escreveu duas canções originais para o filme. A primeira, “Mystery of Love” ilustra o fulgor imersivo da paixão juvenil, seu mistério e desconhecido. A segunda, “Viseons of Gideon”, marca a última cena e é como que a tese final da obra, evocando a efemeridade de imagens virtuais, vídeos, enquanto Elio chora com um coração partido. É uma simbiose de cinema e música que mais nenhuma obra superou em 2018.

– CA

MÚSICA | OUVE “MYSTERY OF LOVE”, CANÇÃO NOMEADA PARA O ÓSCAR




LINHA FANTASMA

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Compositor: Jonny Greenwood

Depois de alguns anos a colaborar com Paul Thomas Anderson em alguns dos filmes e bandas-sonoras mais loucamente originais do cinema americano atual, Jonny Greenwood finalmente foi reconhecido pela Academia de Hollywood pelo seu assombroso trabalho em “Linha Fantasma”. Indo buscar inspiração a melodias populares do pós-guerra e aos estilos de Bernhard Herrmann e Franz Waxman, o guitarrista de Radiohead concebeu uma banda-sonora de aparência clássica, mas com o sabor venenoso de uma obra experimental. Sua repetição de temas em constante mutação e desconstrução para simbolizar o desenvolvimento do romance central do filme é o trabalho de um génio, por exemplo. Acima de tudo, esta é uma banda-sonora perfeita para o objeto cinematográfico a que pertence, sendo portadora de uma beleza que encanta ao mesmo tempo que esconde em si complexidades abrasivas e desafiantes, quase violentas, para o espectador (ou ouvinte) atento.

– CA

MÚSICA | OUVE UMA DAS FAIXAS DA BANDA-SONORA




BLACK PANTHER

Black Panther
Compositor: Ludwig Goransson e Kendrick Lamar

A banda-sonora de “Black Panther” contém músicas originais de Ludwig Goransson e canções também originais de Kendrick Lamar e merece destaque pela dedicação de Ludwig, que viajou para África para conseguir obter uma totalidade de músicas com sonoridades verdadeiramente africanas e com a sua energia própria. Kendrick Lamar envolveu vários artistas neste projeto, criando canções catchy que serão certamente um ponto forte para captar a atenção e interesse dos mais jovens.

– MJS

 

MÚSICA | OUVE UMA DAS FAIXAS DA BANDA-SONORA




WONDERSTRUCK – MUSEU DAS MARAVILHAS

Wonderstruck
Compositor: Carter Burwell

Carter Burwell tem-se vindo a afirmar como um dos grandes compositores do cinema contemporâneo. Suas recentes colaborações com o cineasta Todd Haynes são de particular valor e inspiração, incluindo “Wonderstruck – Museu das Maravilhas”, onde a música tem um papel inestimável. Dizemos isto pois metade do projeto assume a forma de um filme mudo para ilustrar a perspetiva da protagonista e a cultura cinematográfica dos anos 20. Aí, Burwell é o comandante da emoção, suas melodias ditam o ritmo da narrativa, orientam a atenção do espectador. Ele faz da música o condutor da orquestra de reações sentimentais que é a audiência. Na outra parte do filme, suas composições são igualmente brilhantes, evocando ritmos dos anos 70 sem traírem o discurso musical estabelecido na história muda.

– CA

MÚSICA | OUVE UMA DAS FAIXAS DA BANDA-SONORA




NUNCA ESTIVESTE AQUI

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Compositor: Jonny Greenwood

Apesar de terem sido as melodias classicistas de “Linha Fantasma” a valeram a Jonny Greenwood uma nomeação para os Óscares, tão ou mais extraordinário foi o seu trabalho de sonoridades híbridas e eletrónicas para “Nunca Estiveste Aqui” de Lynne Ramsay. O filme é como um tratado sobre a representação de violência em cinema, elevada do horror visceral a algo quase transcendente. Tal dinâmica repete-se na música que está sempre a tentar encontrar o equilíbrio entre o apelo meio opressivo do caos e a ordem embelezada de uma melodia. Nos momentos certos, esse equilíbrio vacila e ora o caos ou a ordem tomam domínio do filme e resultam em momentos tão sensorialmente impactantes que quase levam o espectador ao choro. Não se tratam de acidentes, mas sim do ato de um mestre da sua arte, capaz de até tornar o desequilíbrio em mais uma ferramenta do seu arsenal. Hipnótico e imersivo, “Nunca Estiveste Aqui” não seria a obra-prima que é sem as composições de Greenwood.

– CA

MÚSICA | OUVE UMA DAS FAIXAS DA BANDA-SONORA




HEREDITÁRIO

Hereditário
Compositor: Colin Stetson

A banda sonora de “Hereditário”, editada pela Milan Records, foi composta por Colin Stetson, um músico conhecido por já ter trabalhado tanto ao vivo como em estúdio com bandas e artistas como Arcade Fire, The National, Tom Waits e Bom Iver, entre outros. Esta banda sonora não se afasta muito das músicas que Stetson já lançou a solo mas, onde nos seus álbuns individuais se sente algo de paranóico, nestas músicas reina medo e um suspense que eleva o filme a outro nível. Podemos dizer que este é um dos melhores álbuns de banda sonora original de filmes de terror, porque se afasta das convenções tradicionais, nas quais normalmente existem sonoridades agudas e altas que contrastam com o resto da música (criando o efeito de susto), conseguindo sons mais intimamente intensos.

– MJS

 

MÚSICA | OUVE UMA DAS FAIXAS DA BANDA-SONORA




KIN

KIN
Compositor: Mogwai

No final de junho de 2018 partilhámos a notícia de que os Mogwai iam lançar um álbum com as músicas compostas para o filme “KIN”, que nos chegou em agosto. Publicada pela Temporary Residence, esta banda sonora mantém-se sempre num registo de pós-rock e música experimental, apesar de se afastar um pouco da anarquia de Mogwai para nos apresentar músicas mais calmas. No entanto, contém muito o uso de sintetizadores, algo já comummente encontrado na banda, aqui associados ao facto de este ser um filme futurista.Sendo provavelmente o melhor que “KIN” apresenta, dentro de todos os aspetos do filme, esta banda sonora destaca-se porque apresenta uma junção extremamente harmoniosa de sons mais naturalistas e despidos (como as teclas simples) e o uso de sonoridades eletrónicas que nos lembram os anos 80.

– MJS

 

MÚSICA | OUVE UMA DAS FAIXAS DA BANDA-SONORA




MANDY

Mandy critica
Compositor: Jóhann Jóhannsson

Em 2018, o mundo do cinema perdeu um dos seus mais promissores compositores. Foi o ano em que nos despedimos de Jóhann Jóhannsson , o islandês que fez história ao tornar-se a primeira pessoa da sua nacionalidade a ganhar prémios da indústria cinematográfica americana com filmes como “Sicario”, “A Teoria de Tudo” e “O Primeiro Encontro”. Os seus últimos trabalhos só servem de mais prova ao génio e testamento ao seu legado, especialmente o extraordinário “Mandy”. Esse filme, uma mirabolante odisseia de violência, dor e surrealismo de Panos Cosmatos, quase funciona como um videoclip das composições de Jóhannsson, tão grande é a ênfase nas criações do islandês. Entre amorfias ameaçadoras e épicas passagens em sintetizadores, esta é uma banda-sonora tão invulgar como brilhante e encerra a carreira de Jóhannsson numa nota de triunfo artístico insuperável.

– CA

MÚSICA | OUVE UMA DAS FAIXAS DA BANDA-SONORA




ASSIM NASCE UMA ESTRELA

assim nasce uma estrela
Compositor: Vários Artistas

Apesar de toda a música ser diegética e de os Globos de Ouro terem classificado “Assim Nasce Uma Estrela” como um drama, não como um musical, o filme de Bradley Cooper depende tanto das suas canções enquanto elemento narrativo como qualquer sucesso da Broadway. A banda-sonora reflete essa importância, tanto no que diz respeito ao aspeto da composição e letras, como no patamar mais técnico da gravação em si. Lady Gaga e seu coprotagonista realizador cantaram e gravaram todas as canções frente a audiências, em busca da autenticidade e do fulgor visceral de uma atuação ao vivo. O resultado é uma banda-sonora que tem o sabor de um grande álbum concerto de outra época da História do Rock. “Shallow” é o ponto alto, pois claro, mas há que se destacar o melodrama desavergonhado de “I’ll Never Love Again” e as batidas pop e deliberadamente simplistas de “Why Do You Do That”.

– CA

MÚSICA | OUVE “SHALLOW”, CANTADA POR LADY GAGA E BRADLEY COOPER




O PRIMEIRO HOMEM NA LUA

O Primeiro Homem na Lua
Compositor: Justin Hurwtiz

A banda sonora de “Primeiro Homem na Lua”, é composta por Justin Hurwitz, que compôs também a banda sonora de filmes como “La La Land” (que venceu o Óscar de Melhor Banda Sonora Original) e “Whiplash”. O facto da banda sonora ter começado a ser discutida pelo compositor e realizador em 2017 não é surpreendente, pois as músicas de “O Primeiro Homem na Lua” transmitem bem o esforço e dedicação que lhe foi dada. Para além de contar com uma orquestra de 94 pessoas, Hurwtiz decidiu usar instrumentos pouco usuais e antigos como o sintetizador Moog e máquinas como as Leslie (amplificador e altifalante). Primeiramente, as músicas foram gravadas apenas com instrumentos de cordas mas, ao ser modificada na Leslie, ficou com um som muito trémulo, pelo que o compositor decidiu acrescentar metais, instrumentos de sopro, de percussão e ainda uma harpa. Esta banda sonora é certamente uma das melhores de 2018 porque consegue unificar os sentimentos de beleza e simultaneamente de alguma solidão, transmitindo na perfeição a ambição e insegurança que retratam este acontecimento.

– MJS

 

MÚSICA | OUVE UMA FAIXA DA BANDA-SONORA




HALLOWEEN

Halloween
Compositor: John Carpenter

O remake do famoso “Halloween”, lançado em 2018, precisamente 40 anos depois, conta com o compositor da banda sonora original, John Carpenter, com o seu filho Cody e com Daniel A. Davies. Partindo da banda sonora original, criaram para este remake músicas mais eletrónicas e também mais fiéis aos instrumentos musicais usados, continuando a ter a alma do toque de Carpenter. Apesar de se poder dizer que esta banda-sonora não é 100% original, ela sofreu como que uma atualização, tornando-se mais moderna e usando efeitos minimalistas contemporâneos, para produzir um resultado intenso que deixa o ouvinte numa ansiedade interminável.

– MJS

 

MÚSICA | VIAJA ATÉ 1978 COM ESTE REMAKE




BOHEMIAN RHAPSODY

Bohemian Rhapsody
Compositor: Queen

Este é um daqueles casos no qual a banda-sonora fala por si só. Os Queen foram uma banda que marcaram uma geração, um modo de vida e a história da música. Tendo em conta que os membros da banda tiveram uma participação ativa em “Bohemian Rhapsody“, o resultado é uma banda-sonora que percorre os seus maiores êxitos, incluindo gravações de concertos que ficaram para a história.

– MJS

MÚSICA | TENTA OUVIR SEM CANTAR




SUSPIRIA

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Compositor: Thom Yorke

Como já dissemos antes, as bandas-sonoras dos filmes de Luca Guadagnino nunca são meros adornos musicais à narrativa. No caso de “Suspiria”, isso não podia ser mais verdade, sendo que o tom de todo o projeto é estabelecido pelas idiossincrasias musicais de Thom Yorke. É graças ao compositor que este épico de terror com ramificações históricas e sociológicas é sempre tingido pelo fantasma omnipresente do desconforto sónico, assim como pela melancolia que tudo infeta. As suas canções originais, mais ainda que as passagens instrumentais, quase funcionam como esgares irónicos face ao sofrimento humano que o filme vê como êxtase dos seus temas e formalismos. Somente a fricção meio hedionda, meio sedutora, entre a carnificina do clímax e a sonoridade triste e estranhamente calma de “Unmade” seria razão suficiente para a presença de Yorke e “Suspiria” nesta lista.

– CA

MÚSICA | OUVE “UNMADE” DE THOM YORKE




HOMEM-ARANHA: NO UNIVERSO ARANHA

Homem-Aranha No Universo Aranha
Compositor: Daniel Pemberton

O filme “Homem-Aranha: No Universo Aranha” tem dois álbuns editados, um deles com a banda-sonora original composta por Daniel Pemberton, à qual nos referimos. Se há algo que esta banda-sonora é, é inovadora, motivo pelo qual merece o destaque das bandas-sonoras de 2018. Inicialmente, as músicas foram gravadas com uma orquestra e passadas a vinil, sendo posteriormente riscada por um DJ, que o foi fazendo à medida que via o filme, voltando a regravar em orquestra para poder haver uma melhor adaptação entre músicas tão diferentes. Pemberton conseguiu juntar harmoniosa e surpreendentemente dois mundos musicais distintos, que nos trazem sentimentos de otimismo, tal como o próprio filme.

– MJS

 

MÚSICA | OUVE A BANDA-SONORA COMPLETA




O REGRESSO DE MARY POPPINS

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Compositor: Marc Shaiman

Os criadores da sequela de “Mary Poppins” tinham um desafio enorme nas mãos – recriar a magia do original para uma nova geração e nova narrativa. Para o compositor Marc Shaiman, o desafio era ainda maior quando consideramos que muitos críticos e cinéfilos consideram o filme de 1964 como um dos melhores, ou mesmo o melhor, musical original na História do Cinema. Face a tal legado, já houve muitos que se disseram desapontados com as canções do novo filme. Contudo, quando encaradas fora dessa comparação, as músicas da sequela são deliciosos cocktails de classicismos de uma Hollywood de outros tempos e a magia da Disney atual. Além disso, as canções podem não ser instantaneamente memoráveis, mas são comoventes, poderosas e apresentam uma admirável variação tonal, desde o humor sacarino de “Can You Imagina That” até à redenção emocional de “Nowhere to Go But Up”, passando pelos trocadilhos britânicos de “A Cover Is Not the Book”.

– CA

MÚSICA | OUVE “NOWHERE TO GO BUT UP”

Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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