50 Melhores Canções de 2018

5. boygenius, “Me & My Dog” (boygenius)

São apenas seis as canções que compõem o EP do supergrupo de Julien Baker, Phoebe Bridgers e Lucy Dacus e qualquer uma das seis teria espaço nesta compilação das melhores canções do ano. No entanto, é justo afirmar que “Me & My Dog” é o objeto de destaque e a canção mais representativa desta excecional surpresa de 2018: boygenius. A canção, sobre uma separação em vias de ser cicatrizada (algures no cosmos e na companhia de um cão) é indubitavelmente de Brigders, que generosamente a partilha com Dacus e Baker. É nessa partilha que se ouvem as harmonias mais radiantes do ano, curiosamente numa canção sorumbática mas com texturas e emoções de alcance cósmico. (DR)

I wanna hear one song without thinking of you/ I wish I was on a spaceship/ Just me and my dog and an impossible view

Melhores Canções de 2018 | “Me & My Dog”

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4. Yo La Tengo, “For You Too” (There’s a Riot Going On)

Poucas bandas são tão consistentes musicalmente quanto os Yo La Tengo. Trinta-e-três anos após o lançamento do seu primeiro álbum de estúdio, Ride The Tiger, os indie-rockers mantém-se como um dos nomes basilares da música alternativa. Em “For You Too”, o principal destaque do mais recente disco da banda norte-americana, There’s A Riot Going On, a familiar secção melódica, fundamentada na distorção do baixo eléctrico, conduz o desabafo de Ira Kaplan pela rota da redenção. Uma acolhedora canção sobre o nobre processo de auto-consciencialização e reconciliação interior. Única e inconfundível, a sonoridade dos Yo La Tengo pinta-se em tons de laranja e amarelo, residindo nas manhãs de Outono, no aroma a cigarros e café, no belo céu estrelado. Ontem, hoje, para sempre. (DAP)

But if it’s not too late/ If I could protect you, whenever you expect me to for you
Whenever there’s hurting things are uncertain/ Maybe I could be that guy, I’d like to try

Melhores Canções de 2018 | “For You Too”

3. Interpol, “If You Really Love Nothing” (Marauder)

Dave Fridmann que me perdoe, mas se querem perceber o que vale esta canção é a versão ao vivo na BBC Radio 6 Music que têm de ouvir. É pelo menos a que aqui consagramos, uma vez que nenhuma outra interpretação revela tão nitida e afectivamente a inteligente composição, tensa e delicada, da que é para nós seguramente uma das melhores canções de 2018. Emerge a polifonia da voz e de todas as guitarras (ouvindo-se finalmente o baixo) e torna-se mais claro o quanto a angústia sem repouso se deve à estrutura da canção – desde o número ímpar de compassos de algumas secções e à sempre ambígua progressão de acordes até a certos acentos dados pela guitarra rítmica ou à batida minimalista e repetitiva mas crucialmente enervante da bateria. E a letra?

A música dos Interpol é elusiva, tendo sido sempre e tornando-se sempre cada vez mais difícil de reconduzir a um momento no tempo. É impossível referenciá-la a outra coisa que não seja a própria identidade da banda, que resiste tanto às marés da vida como das tendências na música pop. Tudo porque se ama alguma coisa. O quê talvez não se saiba muito bem, mas sabe-se que sem isso é impossível permanecer. Nestes tempos em que, porque tudo vale, tudo vale o mesmo e, por isso, nada vale muito, nunca as absurdas letras de Paul Banks vibraram tão sentidamente. Como ele, esperamos encontrar o caminho de regresso a casa e, chegando ao final, quando nos perguntarem se fomos felizes, responder que “splendid I bled my whole life”. (MPA)

If you really love nothing/ How could you be there/ You could just leave forever

Melhores Canções de 2018 | “If You Really Love Nothing”

2. Beach House, “Dive” (7)

Todas as canções de 7 são obra-primas, mas “Dive” é talvez o melhor exemplo do dream pop sublime e encantador dos Beach House de 2018, sem grande mensagem, e nenhuma bandeira, que não seja o convite a baixar a luz e as guardas para nos deixarmos envolver nele e saboreá-lo. A estrutura de “Dive” é exemplar e reflete a genialidade da composição e o cuidado orgânico sempre posto nesta como em muitas outras músicas dos Beach House, desde a criteriosa produção que empolga qualquer sistema de alta fidelidade, às mudanças de tempo que se colam à memória à criação de ambiente e espacialidade que nos faz sonhar e afastar por breves instantes dos pesadelos do dia a dia, com menos sombras, mas mais luz. (RR)

“Tell her something/ Tell her nothing/ Tell her that you’re/ waiting”

Melhores Canções de 2018 | “Dive”

1. Car Seat Headrest, “Bodys” (Twin Fantasy)

Twin Fantasy foi considerado (para a maioria de nós) o nosso melhor álbum de 2018 e talvez o mais consensual. Várias músicas nele incluídas poderiam figurar neste Top 50, mas a “Bodys” reúne da melhor forma a genialidade da banda e do seu líder Will Toledo. Não importa se genuíno lo-fi ou dance punk, ou se as piscadelas de olho aos Strokes são maiores que as referências aos Beach Boys. A batida e entrada de “Bodys” vão ficar na melhor história da música contemporânea, a par de muitas entradas dos Doors ou dos Who, tal como a sua melodia, ritmo, estrutura ou as suas dissertações trágico-cómicas continuarão a fazer-nos dançar, rir e chorar (à maioria de nós) como poucas. (RR)

I’m sick of meaning, I just wanna hold you. I would speak to you in song, but you can’t sing, as far as I’m aware. We’re thin (most of us). We’re alive (most of us). Is it the chorus yet?

Melhores Canções de 2018 | “Bodys”

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Maria Pacheco de Amorim

Literatura, cinema, música e teoria da arte. Todas estas coisas me interessam, algumas delas ensino. Sou bastante omnívora nos meus gostos, mas não tanto que alguma vez vejam "Justin Bieber" escrito num texto meu (para além deste).

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