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Rabo de Peixe T3 (Netflix) – Primeiras impressões

Estreou na passada sexta-feira 10 de abril na Netflix a 3.ª e última temporada de “Rabo de Peixe” (2023-26, Augusto Fraga), a segunda série portuguesa da plataforma depois de “Glória” (2021, Pedro Lopes).

Com muito mais sucesso que a primeira série, “Rabo de Peixe” inspira-se num acontecimento real quando em 2001 uma grande quantidade de cocaína deu à costa nesta vila açoriana. A série está, neste momento, no 2.º lugar das mais vistas da Netflix em Portugal.

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Qual a narrativa de Rabo de Peixe?

A série “Rabo de Peixe” centra-se num grupo de 4 amigos – Eduardo, Sílvia, Rafael e Carlinhos – que vivem na vila e, tal como o resto da população, assistem à ‘invasão’ da cocaína na sua terra. Eduardo consegue recolher uma parte significativa de cocaína do mar e convence os amigos a fazer negócio.

A droga era transportada num navio italiano e os seus donos vão andar atrás da mesma. Com um negócio arriscado, a polícia também está no encalce nos só dos jovens amigos mas de todos os outros que guardam o produto.

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Na segunda temporada, a ação intensifica-se com a presença da máfia brasileira que se apresenta como a verdadeira dona da cocaína. Com um final de temporada 2 bastante complicado para Eduardo – que acaba preso – a temporada 3 abre com ele a jurar vingança por quem o meteu atrás das grades.

Fazem parte do elenco da série nomes como José Condessa (que interpreta Eduardo), Helena Caldeira (Sílvia), Rodrigo Tomás (Rafael), André Leitão (Carlinhos), Maria João Bastos (Inspetora Frias), Afonso Pimentel (Ian), Kelly Bailey (Bruna), Salvador Martinha (Francisco), João Pedro Vaz (Banha), entre outros.

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O que mais há para contar?

Rabo de Peixe T3E1
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“Rabo de Peixe” sempre foi uma série muito apoiada no ‘story-telling’ do modelo americano, com a América a ser tão mencionada como um lugar mítico onde tudo é melhor. Eduardo e Carlinhos chegaram lá mas foram presos e lá se foi a ideia da grande América.

Na segunda temporada, a história sofreu uma reviravolta com a introdução de uma máfia brasileira que se apresentou como a verdadeira dona da cocaína deixada na vila açoriana. Foi então que a vida se complicou para o grupo dos 4 jovens amigos – que, durante uns tempos, eram apenas 3, já que Rafael, dado como morto, afinal, sobreviveu depois de ser amarrado por Arruda (Albano Jerónimo). Mas, no final da segunda temporada, todo este cartel foi assassinado e a droga teria passado para as mãos de João Canto Moniz (Joaquim de Almeida).

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Para lá do argumento que ficou bastante inexplicavelmente sem sentido, houve um lado de ação que se foi intensificando mediante o risco. Contudo, chegados à temporada 3 – e analiso aqui apenas o primeiro episódio que foi o único que vi até ao momento – parece que a história de “Rabo de Peixe” ainda ficou mais vazia.

Se, no início, “Rabo de Peixe” foi alvo de crítica por não ter atores a falar no dialeto da vila, agora, a situação é bastante mais relevante. Podemos suspender a descrença em absoluto da falta de açorianidade na série. No entanto, não podemos suspender um argumento que já não diz nada de nada e parece existir apenas para manter o êxito da fórmula.

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As personagens seguem o seu percurso, menos Eduardo e a inspetora

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A temporada 3 de “Rabo de Peixe” abre com Eduardo a sair da prisão, 3 anos após o seu encarceramento. Aliás, a temporada já terminava erradamente dessa forma. Para quê terminar uma temporada com o avanço da narrativa? Não faria mais sentido terminar com Eduardo a ser preso e ponto final?

É Sílvia e Rafael que o vão buscar e ele afirma sem relutância que se quer vingar de quem o levou para a prisão. Ainda assim, como é que ele fará isso? Os brasileiros estão mortos. Ele não sabe ao certo quem ficou com a droga… A intenção faz todo o sentido mas como metê-la em prática?

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Eduardo regressa para uma vila bastante diferente. A cocaína já não está assim tão presente na vida dos habitantes. Sílvia e Rafael formaram uma família e ganham a vida a fazer passeios turísticos. Já Carlinhos, curado do vício, está preso num emprego que julgava ser bem diferente a cantar num cruzeiro. Todos seguiram em frente, menos Eduardo que quer saber quem levou a cocaína. Já para não falar da complicada morte do Tio Joe (Pêpê Rapazote) que ainda lhe afeta, claro.

Do mesmo modo, a inspetora Frias está de restos depois de lhe raptarem a filha.

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Outra inovação na nova temporada de “Rabo de Peixe” é o facto de a mesma passar a ser narrada por Rafael. De recordar que as duas primeiras tiveram a narração de Arruda. Se ainda fazia algum sentido a narração post-mortem de Arruda na temporada anterior com Sílvia a sofrer com a morte do pai, agora, questionamos: porquê o Rafael? O centro disto tudo não é o Eduardo? Não faria mais sentido ser Eduardo o narrador?

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Começa a Justiça da Noite e dá-se o regresso da maldição

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A certa altura um dos suspeitos que Eduardo vigia leva-o até um padre (Miguel Monteiro). Eduardo e Rafael reparam que o padre estará a fazer um transporte ilegal de malas e arranjam forma de ficar com uma delas, com a ajuda de Carlinhos.

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Aquilo que parecia ser um negócio onde roubam um ostensório de ouro é, na verdade, algo mais… Enquanto o ostensório é uma peça chinesa sem valor, Rafael percebe que as hóstias que estão na mala que roubam é, afinal, cocaína.

Neste primeiro episódio conhecemos ainda uma nova personagem: Pedro (Ângelo Rodrigues), marido da inspetora Frias que assiste também à recolha do distintivo da polícia por parte de Francisco. Ele terá chegado a Rabo de Peixe certamente após o rapto da filha e tenta dar ânimo à mulher Paula.

Os quatro jovens amigos chantageiam o Diretor de Segurança do Porto (José Neves) que tem estado a ajudar o padre a passar clandestinamente as malas. O objetivo: descobrir que tem a droga que levaram do contentor. O diretor acaba preso por responsabilidade do grupo e surge uma pequena sequência de animação que acaba por ser uma das coisas mais bem conseguidas do episódio.

Entretanto, Eduardo tenta arranjar trabalho. No entanto, com o seu passado na prisão – que ainda o persegue nas suas memórias -, não consegue. Por fim, risca o Diretor de Segurança do Porto dos seus alvos e mete o Dr. Lessa (Marco Paiva) como o seu próximo objetivo. O episódio termina com Eduardo a ser atacado e a cair inconscientemente. Está dado o mote para uma nova perseguição. Alguém sabe o que Eduardo está a fazer…

Algumas conclusões sobre o início da T3 de Rabo de Peixe

Rabo de Peixe T3E1
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A narrativa deste início da terceira temporada apresenta-se como uma aparente mudança de ciclo para as nossas personagens. No entanto, tudo muda com umas hóstias ‘envenenadas’.

Em termos gerais, do ponto de vista técnico, não há nada a apontar. Por exemplo, a pequena sequência de animação e o novo genérico final são uma mais-valia do 1.º episódio da T3. Rabo de Peixe também se apresenta, como sempre, como um local visualmente impactante na imagem, apesar de ‘sujo’, captando, assim, a essência da vila (nesse aspeto, não há nada a apontar; e acreditem em mim que já lá estive fisicamente). É óbvio que há coisas filmadas fora da vila ou em estúdio mas isso passa despercebido do contexto geral. Há um ou outro plano um pouco desnecessários – como a panorâmica da câmara até à fotografia da filha desaparecida da inspetora -, mas aceitamos. O som, a música e a montagem também estão bons, atingindo a qualidade internacional que uma série original da Netflix implica.

Contudo, há um problema grave neste início da 3.ª temporada – e que já surgia um pouco da 2.ª temporada – a falta de inovação e o vazio do argumento. O produto já está gasto e não há nada de novo a acrescentar. A droga reaparece, de forma inacreditável, perante estes amigos e serve para reciclar o argumento. No entanto, na verdade, não há nada de novo. É mais do mesmo. Esperemos que até ao final da temporada eu mude de ideias e haja algo surpreendente e de qualidade no argumento desta série, mas tenho poucas esperanças.

Rabo de Peixe T3E1

Conclusão

  • “Rabo de Peixe” é a segunda série portuguesa da Netflix e a primeira com grande sucesso (incluindo, a nível internacional). Regressou este mês com a terceira temporada.
  • Uma série sempre muito apoiada no ‘story-telling’ típico das produções norte-americanas, esta temporada aparenta ser apenas o reciclar de uma fórmula que nada traz de novo.
Overall
5/10
5/10
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