Alfredo Tavares © Central Casting

Alfredo Tavares | Entrevista ao português mais solicitado de Hollywood

Falamos com o simpático Alfredo Tavares, o artista português e é também um dos figurantes mais solicitados de Hollywood.

A MHD falou com um dos portugueses mais queridos do momento em Hollywood. Trata-se de Alfredo Tavares, um dos figurantes mais solicitados nas produções cinematográficas e televisivas que todos vêem e seguem e que promete continuar a conquistar os espectadores em 2022. Alfredo Tavares é um sonhador nato que gosta de ação, gosta de atuar perante o movimento da câmaras e que sempre soube o que queria fazer, embora tenha-se deixado seguir pela maré durante muitos anos.

Alfredo Tavares
Alfredo Tavares como polícia de “Venom: Tempo de Carnificina” © Alfredo Tavares

Alfredo Tavares nasceu em Aveiro numa familia bastante humilde, e aos 10 anos mudou-se para o Porto com a sua família. Em 1999 dá o salto para a França, onde acabou por trabalhar como engenheiro eletrotécnico, área na qual se havia formado na Universidade do Porto anos antes. Passada mais de uma década na profissão, o nosso Alfredo quis fazer as malas e ir à procura da sua carreira de ator. Não foi fácil, mas sabia que podia tirar algo daí. Apesar dos momentos pessoais mais complicados, Alfredo mostra-se sorridente perante a nossa entrevista. Parece que sabe que algo de melhor está por vir.

Na representação começou um pouco tarde, em 2018, mas a sua forma humilde de contar histórias e, por certo, de dar vida a personagens icónicas da sétima arte em audições, despertou a atenção dos maiores autores do cinema, de Quentin Tarantino a Ridley Scott.

Na verdade, Alfredo Tavares teve um seu minuto especial em “Era Uma Vez em Hollywood” (2019) onde substituiu Kurt Russell em algumas cenas. Já foi motorista de Margaret Thatcher na série de Peter Morgan “The Crown” e esteve em “Brigerton”, outra série histórica da Netflix. Mais recentemente, vestiu a farda de polícia em “Venom: Tempo de Carnificina” (2021), de Andy Serkis. Outros trabalhos incluem a série “Investigação Criminal: Los Angeles” com Daniela Ruah, “The Nevers” de Joss Whedon ou “For the People”, onde teve direito a algumas falas.

Talvez ainda te esteja a perguntar como foi possível para Alfredo Tavares dar o salto da engenharia para a arte de representação… Vamos lá saber um pouco sobre o seu percurso e o que futuro lhe reserva.

Lê Também:   Luzzu | Entrevista a Alex Camilleri sobre o filme mais realista de Malta

MHD: É mais fácil ser engenheiro eletrotécnico ou ser ator-figurante que faz de engenheiro, de motorista, de polícia?

Alfredo Tavares: Eu sinto-me mais à vontade, quando são personagens de combate. Gosto de ação, literalmente de ver pessoas em luta. Eu preciso de ação para o tempo passar mais rápido. Eu, passado 16 anos em engenheira eletrotécnica, fiquei cheio. Fiquei cansado de estar sentado, de estar sempre a reparar, escrever e criar. Eu preciso de sair fora.

Alfredo Tavares
Alfredo Tavares como motorista na série “The Crown” © Alfredo Tavares

MHD: Quando começou a sua paixão pelo cinema? Qual a primeira memória cinematográfica?

Alfredo Tavares: Eu sempre gostei dos filmes do Bruce Lee, do Chuck Norris e do Jean-Claude Van Damme. Foi com eles que cresci. Um dia, quando era engenheiro eletrotécnico em Paris na Siemens, perguntei aos meus colegas o que poderia fazer além daquilo. Eles diziam-me “porque não fazes de ator de cinema? Tu tens uma boa cara para a câmara, a tua forma de ser… devias tentar”. Eu fui para uma escola de França, a Cours Florent e fiz uma audição. Depois o júri pegou em mim. Éramos 200 candidatos, e só ficaram 20. Foi algo realmente difícil.

Para a audição fiz uma cena do Marlon Brando do “Um Elétrico Chamado Desejo” (Elia Kazan, 1951) em que ele fica completamente transtornado e deita tudo ao chão, ao discutir com a melhor amiga da mulher. Fiz essa cena e gostou da minha força. Gostava de ter ido logo para o cinema, mas era obrigado a fazer dois anos de teatro. Segui tudo à risca e depois fui formado em cinema. Não tinha como regressar a fazer o engenheiro. A seguir veio Hollywood.

Mandei a minha candidatura para a New York Film Academy, onde se formaram alguns dos grandes nomes de Hollywood, como o Al Pacino. Queriam saber quando poderia ir fazer uma audição. Foi então que apresentei o monólogo do Anthony Hopkins como Hannibal Lecter em “O Silêncio dos Inocentes” (Jonathan Demme, 1991). Ficaram todos com medo e do meu lado de psicopata (risos).

Foi aí que começo o meu sonho e depois de uma série de perguntas, mandaram-me para o Central Casting de Los Angeles, a melhor agência de figuração dos Estados Unidos. Em apenas uma semana tive o contacto para o “Big Little Lies”, a série com a Nicole Kidman e a Reese Witherspoon. Soube-me bem estar ali.

Lê Também:   West Side Story | A lendária Rita Moreno em entrevista exclusiva

MHD: Como foi participar em “Era Uma Vez em Hollywood”, do Quentin Tarantino?

Alfredo Tavares: Foi incrível, pois nunca pensei estar a filmar com quase 10 das maiores estrelas de Hollywood. Estava ao lado do Leonardo DiCaprio, do Brad Pitt, da Margot Robbie e ainda do Kurt Russell. Eu tive mesmo que substituir o Kurt Russell em algumas das suas cenas, porque o ator por questões de agenda, não conseguia estar presente todos os dias. Colocaram-me a câmara no ombro, colocaram-me uma peruca, e o Brad Pitt falava e eu não dizia nada. Há qualquer coisa que me aproxima do Kurt Russell e passei momentos espectaculares.

O Quentin Tarantino é uma pessoa tão simples, que aparece sempre de jeans e t-shirts para a rodagem. Não precisa de pulseiras em ouro, não precisa de fato e gravata e é uma pessoa bastante preocupada em conhecer os figurantes. Vinha até almoçar connosco! Perguntava-me o que eu queria e chamava a sua secretária para ir comprar aquilo que eu queria.

MHD: Qual o teu próximo projeto?

Alfredo Tavares: Eu estou praticamente em todos os grandes filmes como figurante, embora em alguns casos já tenho diálogo. Neste momento, estou em Londres a preparar-me para o novo filme do Ridley Scott sobre o Napoleão. É um filme de guerra e portanto estarei num campo de treino durante 15 dias.

Estou no grupo A, o grupo principal de figurantes, e até pode ser que me dêem algumas linhas de diálogo. Ainda não sei de nada, mas pode ser que o Ridley Scott goste de mim. Estarei pendente deste projeto até ao dia 8 de maio, portanto tenho uns bons meses de filmagens pela frente. Pode ser que o Ridley Scott me queira nos seus futuros projetos, porque o homem está incansável.

A conversa completa com Alfredo Tavares ficará disponível no podcast da Magazine.HD, disponível nas plataformas digitais.



Também do teu Interesse:


About The Author


Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *