Bullet Train © Big Picture Films

Bullet Train: Comboio Bala, em análise

Inúmeras razões convencem espetadores a visitar o cinema, algumas nem sequer relacionadas com o filme escolhido para a visualização. No entanto, “Bullet Train: Comboio Bala” contém muitos pontos a favor, sendo que David Leitch – cineasta conhecido por filmes de ação repletos de entretenimento como “John Wick”, “Atomic Blonde” e “Deadpool 2” – e a estrela principal Brad Pitt – juntamente com um elenco bastante chamativo – alcançam muito público, principalmente fãs de ação desmedida com um toque de humor que cumpra com a promessa de deixar o balde de pipocas vazio.

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Ao contrário de outros colegas do mundo da crítica, não considero um “crime” que um filme não seja mais do que pura diversão, sem mensagens profundas nem arcos complexos. Obras como “Bullet Train: Comboio Bala” têm tanto de cinema como qualquer outro projeto mais requintado e sofisticado, até porque, no fundo, tudo é subjetivo dentro da sétima arte. Se um cineasta possui como missão principal criar sequências de ação que deixem a audiência com níveis de adrenalina elevados, queixos no chão e olhos esbugalhados, conseguindo, de facto, cumprir esse seu objetivo, como pode alguém caraterizar tal obra como algo irrelevante, desprezível ou menos válido que outros tipos de histórias?

“Bullet Train: Comboio Bala” segue uma fórmula de Hollywood que, sendo bem executada, dificilmente resulta em qualquer tipo de falhanço. Leitch pega numa premissa simples e direta – protagonista tem de entrar e sair de um comboio para roubar uma mala – coloca um ou vários elementos disruptores – vários assassinos presentes no mesmo comboio – usa os mesmos para gerar situações de alta tensão – sequências de luta através das múltiplas carruagens – e, por fim, interliga os vários enredos isolados para formar uma narrativa conjunta com um mínimo de coerência e lógica associada – algo que não costuma receber grande preocupação por parte dos argumentistas.

Bullet Train
© Scott Garfield

O realizador traz consigo a energia frenética e a ação intensa da sua popular filmografia, abraçando a tontice maximalista que leva “Bullet Train: Comboio Bala” por caminhos abertamente e propositadamente exagerados, onde as leis da física são ignoradas para o bem do humor. Alguns espetadores não toleram qualquer tipo de desvio de como o mundo real funciona, principalmente quando a história se assenta naquilo que o público entende como o “nosso mundo”, mas na verdade, cabe sempre à equipa técnica demonstrar através do balanço tonal que o filme nunca se quis aventurar por linhas mais sérias. Aqui, Leitch não ilude nenhum membro da audiência: o tom leviano e espirituoso encontra-se sempre presente.

No entanto, “Bullet Train: Comboio Bala” surpreende com a magnitude e escala dos seus minutos finais – a não ser que tenham evitado os trailers, pois estes mostram TUDO – algo que contraria parcialmente a simplicidade e praticabilidade dos seus dois primeiros atos. Confrontos com coreografias interessantes dão lugar a efeitos visuais defeituosos, provavelmente devido ao pouco tempo e orçamento reduzido entregue a esse mesmo departamento. Assim, o final climático deixa ligeiramente a desejar algo mais, mas tal como o resto do filme, é suficientemente satisfatório. O ritmo bastante rápido ajuda a que as duas horas de duração não pareçam tão pesadas, apesar de se aceitarem ajustes ao segundo ato.

Brad Pitt
Bullet Train © Sony Pictures
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Onde “Bullet Train: Comboio Bala” realmente brilha é na escolha do seu elenco extraordinário. Pitt lidera um conjunto de atores fenomenais, sendo que Aaron Taylor-Johnson e Brian Tyree Henry roubam todos os holofotes ao interpretarem o duo cómico Tangerine e Lemon. Interações hilariantes do primeiro ao último segundo, emanando um química de tal forma impressionante que, desta vez, até apoio a criação de um spin-off com estas duas personagens. Obviamente, Pitt volta a demonstrar um alcance incrível, claramente divertindo-se enquanto um protagonista que só quer ter paz, mas o azar e a violência perseguem-no incessantemente.

Hiroyuki Sanada e Zazie Beetz são outros destaques pessoais, mas tal como o resto do elenco secundário, possuem muito pouco tempo de ecrã. Todas as personagens terminam subdesenvolvidas numa obra onde a ação, a comédia e os thrills são prioritários, impossibilitando “Bullet Train: Comboio Bala” de chegar a um patamar de qualidade soberba. Tal como referido acima, não existe nada de mal em criar uma obra de cinema com o único objetivo de entreter o público com aquilo que o mesmo procura, mas a não ser que o fator principal do género em questão seja verdadeiramente impressionante – “Top Gun: Maverick” é um excelente exemplo – um argumento tão formulaico e genérico como o de Zak Olkewicz raramente provoca uma ovação avassaladora.

BULLET TRAIN: COMBOIO BALA | DISPONÍVEL NOS CINEMAS A PARTIR DE 4 DE AGOSTO

Bullet Train: Comboio Bala, em análise
Bullet Train Poster

Movie title: Bullet Train: Comboio Bala

Movie description: Ladybug (Brad Pitt) é um assassino azarado determinado a fazer calmamente o seu trabalho depois de muitas missões terem descarrilado. O destino, no entanto, pode ter outros planos pois a última missão de Ladybug coloca-o em rota de colisão com adversários letais de todo o mundo – todos com objetivos relacionados, mas contraditórios – no comboio mais rápido do planeta.

Date published: 4 de August de 2022

Country: EUA

Duration: 126'

Director(s): David Leitch

Actor(s): Brad Pitt, Joey King, Aaron Taylor-Johnson, Brian Tyree Henry, Andrew Koji, Hiroyuki Sanada, Michael Shannon, Bad Bunny, Zazie Beetz, Logan Lerman, Karen Fukuhara, Masi Oka, Sandra Bullock

Genre: Ação, Thriller

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  • Manuel São Bento - 70
70

CONCLUSÃO

“Bullet Train: Comboio Bala” emprega o estilo maximalista de David Leitch numa narrativa propositadamente tonta guiada pela ação frenética e humor distinto. Apesar de não fugir às fórmulas conhecidas e não deixar nenhum espetador de queixo caído com alguma sequência de ação nunca antes vista, a execução de todos os momentos cinematográficos pretendidos é mais do que satisfatória, resultando num par de horas repletas de entretenimento. O elenco excecional faz valer o bilhete, sendo que todos os segundos com Aaron Taylor-Johnson e Brian Tyree Henry são genuinamente hilariantes. Brad Pitt brilha igualmente. Apesar dos efeitos visuais, do argumento e do desenvolvimento de personagem irem em classe económica, seria um “crime” não recomendar esta viagem.

Pros

  • Estilo maximalista de David Leitch.
  • Elenco sensacional com destaque para Taylor-Johnson e Tyree Henry.
  • Sequências de luta com níveis de entretenimento q.b.
  • Humor é o ponto mais forte.
  • Entrega o que promete, mais uns cameos engraçados.

Cons

  • Personagens subdesenvolvidas, torna-se difícil realmente nos importamos com as mesmas.
  • Efeitos visuais do terceiro ato deixam bastante a desejar.
  • Alguns enredos isolados podiam ter sido deixados de lado.
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Manuel São Bento

Um jovem engenheiro de 28 anos com uma paixão tremenda por cinema, televisão e a arte de filmmaking. Opiniões baseadas numa perspetiva imparcial de quem não vê trailers desde 2016. Membro de associações de críticos internacionais como GFCA, IFSC e OFTA. Aprovado no Banana Meter. Redes sociais através de @msbreviews.

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