Fleet Foxes (© Fleet Foxes/Nonesuch Records)

Vodafone Paredes de Coura 2018 | 15 Concertos a não perder

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O cartaz deste ano do Vodafone Paredes de Coura é bom demais para não aproveitar tudo lá e ficar a remoer depois. Isto é o que “máximo proveito” significa para nós.

À altura dos nomes com que fechávamos 2017, só mesmo esses nomes a abrir os festivais de 2018, tínhamos dito. O desejo cumpriu-se e os nossos números #1 e #2 – mas não só – juntam-se num único cartaz para, com os seus fragmentos de sentido e beleza, transfigurar a nossa praia bidimensional num céu em altura. Não se trata só de olhar para trás, contudo, que o Vodafone Paredes de Coura tem os olhos bem postos no presente e, antes que o ano acabe, podemos já ir lá ouvir ao vivo os discos cujos nomes preencherão a lista dos melhores álbuns de 2018.

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Vodafone Paredes de Coura | 15 agosto

Vodafone Paredes de Coura 2018
Linda Martini (© Ângelo Lourenço)

Linda Martini, Palco Vodafone – 21h20

Não dá para chegar tarde ao Vodafone Paredes de Coura, mas como se está de férias e a praia tem sido escassa este ano pode vir a tentação do atraso. Não tanto, contudo, que impeça de começar em bom solo português, com o último registo de uma das melhores e mais icónicas bandas nacionais. Os Linda Martini esperaram quatro álbuns para, chegado finalmente o quinto, espetar o próprio nome numa sempre proteica, mas muito sua, sonoridade pós-rock e nas canções implacáveis com que organizam um assalto sonoro à nossa praça de espreguiçados espectadores. Linda Martini, que se segue ao aclamado Sirumba (2016) e foi lançado a 16 de fevereiro, regressa, mas agora de forma bem mais complexa, à crueza de Casa Ocupada (2010), prometendo um começo cheio de energia do festival e lembrando-nos a razão por que as palavras “Linda Martini” – da banda ou do disco – estavam já, desde que a banda nasceu em 2003, solidamente gravadas no solo do rock português, destinadas a brilhar fulgurantes ao sol de 2018.

Vodafone Paredes de Coura 2018
King Gizzard & The Lizard Wizard (© Jamie WDZIEKONSKI)

King Gizzard & The Lizard Wizard, Palco Vodafone – 23h15

Logo a seguir, sem tempo para respirar, uma banda com o terço da idade dos Linda Martini e quase o triplo dos álbuns editados. Não é um problema destes últimos, cujo fluxo de lançamentos segue a normalidade do meio. É mesmo uma característica dos australianos King Gizzard & The Lizard Wizard, cujo abismo insondável de energia lhes permitiu editar cinco discos o ano passado (cinco, é isso mesmo, e são todos de estúdio, não há batota aqui), fora a já anterior prolífica discografia. Energia que nos levará a todos numa viagem psicadélica, seguramente acidentada, cheia de asceses da mais variada espécie (e algumas descidas, em mergulho), ainda sempre no primeiro dia do Vodafone Paredes de Coura. Para os iniciados que queiram saltar, dançar, gritar e cantar ao som, tanto das descargas elétricas, como dos ritmos bossa nova da banda, um pouco de estatística prevê que o estudo de Murder of the Universe (2017), Polygondwanaland (2017), Nonagon Infinity (2016) e Flying Microtonal Banana (sim, adivinharam, 2017) será recompensado. Quanto aos amigos de longa-data, já sabem o que esperar: uma performance imprevisível e a melhor versão actual de uma sonoridade que muitos tentaram renovar, limitando-se a estafá-la a ela e a nós.

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Maria Pacheco de Amorim

Literatura, cinema, música e teoria da arte. Todas estas coisas me interessam, algumas delas ensino. Sou bastante omnívora nos meus gostos, mas não tanto que alguma vez vejam "Justin Bieber" escrito num texto meu (para além deste).

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