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Megalopolis, a Crítica | Francis Ford Coppola decepciona no Festival de Cannes

O faraónico retro-futurista “Megalopolis”, de Francis Ford Coppola é uma grande decepção no Festival de Cannes. Gostava de gostar do seu novo filme mas confesso que a sensação é de uma tristeza, quase como a de perder algo que amava.

Depois de tanta expectativa, do segredo, do embargo e de tanta correria de uma sessão para outra e das quase 2h30 deste filme que tinha depositado tantas esperanças, a sensação é de uma enorme decepção e pena.

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A decepção é proporcional às esperanças! “Megalopolis” é uma pretensiosa utopia visual às vezes um pouco alucinada, que nem parece do realizador de “Apocalipse Now” e de dos outros filmes que tanto amei e me fizeram correr para o cinema.

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Roubei o título ‘o grande circo místico’ ao filme do realizador brasileiro Cacá Diegues — que por acaso vai passar aqui nas sessões especiais com o seu “Bye Bye Brasil” (1979), curiosamente um belo filme sobre a desilusão — porque além de “Megalopolis”, ter cenas com trapezistas de circo e muitas cenas mirabolantes é uma obra que possui um certo misticismo quase religioso, auto-complacente e aparentemente espectacular.

Embora, certos planos e flashes visuais — os momentos musicais sobretudo, fazem lembrar ‘No Fundo do Coração” — correspondam e relembrem o talento do grande cineasta, que marcou a nossa vida de cinéfilos. Porém, a maior parte das cenas deste filme faraónico parecem ter sido feitas por um velho cansado, que perdeu a esperança no mundo e sobretudo no cinema e na sua magia. E é pena, já que Coppola decerto queria fazer de “Megalopolis” um filme-síntese de toda a sua obra e uma espécie de “8 e 1/2” coppoliano, se me permitem o adjectivo.

Porém, talvez Coppola tivesse pensado demais neste filme, que segundo as suas palavras, reescreveu ‘300 vezes em quarenta anos’ e lhe faltassem o engenho de outras épocas.

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A primeira cena de “Megalopolis” é logo lindíssima de facto, com Adam Driver, no topo do Chrysler Building, em Nova Iorque, prestes a lançar-se no vazio, antes de parar no tempo e salvar-se no último minuto.

Somos brevemente conquistados, pelo poder das imagens, antes de aos poucos ir começando a cair das alturas, ainda mais altas das que o protagonista, um arquiteto visionário que sonha em criar uma cidade futurista confortável e sustentável, mesmo que isso signifique sacrificar os actuais habitantes, destruindo as suas casas.

Vale a pena sacrificar o presente no futuro? ‘Talvez sim, talvez não’, sugere decerto modo a ideia do filme. Porém, o que há de errado neste pensamento e o que pode ser discutido sobre ele? No fundo, no filme, a propósito disso, rigorosamente nada. Coppola dá a impressão que de repente coloca a cabeça no set para dar as suas instruções e que no resto do tempo, parece trancado no seu próprio mundo.




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“Megalopolis arde os olhos e fere o coração”

O resultado é ver um filme que se arrasta penosamente com um elenco fabuloso (Adam Driver, Nathalie Emmanuel, Aubrey Plaza, Giancarlo Esposito, Shia LaBeouf, Jason Schwarztman, Jon Voigt e Dustin Hoffman) completamente à deriva, mal dirigido ou em overacting, perdido em aforismos angustiantes, ou referências desajeitadas, preso a acontecimentos atuais, misturados com uma estética retro-futurista, que chega às vezes ao kitch e piroso.

As referências cinematográficas das obras anteriores de Coppola, chegam loucamente e em acenos a acontecimentos atuais, tão pesados ​​quanto um ataque de helicópteros de combate, mas sem a inspiração ou o génio de um só momento da Cavalgada das Valquírias ou do cheiro de napalm pela manhã.

Sem esquecer um acontecimento ridículo no palco no meio do filme, que não vale nem a pena falar. Tudo em “Megalopolis” é um pouco feio, ultrajante e desconfortável, questionando-se muitas vezes se Francis Ford Coppola é realmente o autor deste massacre que arde nos olhos e fere o coração. “Apocalypse Now” foi mal recebido no Festival de Cannes antes de receber a merecida Palma de Ouro de 1979. Contudo, parece-me duvidoso que “Megalopolis”, venha a experimentar um destino tão glorioso na história do cinema.

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Infelizmente, “Megalopolis” não nos surpreendeu mas convidamos-te a ver e a dizeres-nos qual a tua opinião sobre o novo projeto de Coppola.



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