"Invincible" ©Amazon Prime

Invincible, primeira temporada em análise

“Invincible” é a série de super-heróis que ainda não sabias, mas que adoras. Representa mais um marco para a Amazon e é uma referência da Image Comics. Animação terrífica, história coesa e cativante e toneladas de cenas de ação e violência é o que podem esperar.

Imaginem um rapaz meio humano, meio alien. O seu pai é o super-herói mais poderoso do planeta. Com a adolescência começam a aparecer os poderes a este rapaz, que fascinado com as aventuras do pai decide também ele tentar ser um super-herói. Ele é… E aqui, neste caso, devemos pôr: INVICIBLE! Mas também podíamos pôr Superboy da DC Comics ou qualquer outro super-herói genérico. Só que “Invincible” só segue as regras gerais e gastas do mundo dos super-heróis à superfície, na realidade a série é uma gema da Amazon e uma das grandes estreias deste ano!

“Invincible” teve a sua estreia televisiva em 26 de Março deste ano, na Amazon Prime, e a 1ª temporada terminou no passado dia 30 de Abril após 8 episódios. Cada episódio tem duração de cerca de 45 minutos, o que é algo peculiar para uma série de animação, mas uma aposta que fala por si. Antes do final da 1ª temporada, a Amazon já tinha renovado a série para uma 2ª e 3ª temporada. Ainda sem data de estreia confirmada, espera-se no entanto a 2ª temporada para 2022. A produção resultou duma colaboração entre Amazon Studios, a Image Comics e a Skybound Entertainment.

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Estávamos no ano de 2002, quando em Agosto, no comic Savage Dragon #102 da Image Comics, iria aparecer pela primeiríssima vez o jovem super-herói Invincible. Este deveu a sua criação a Robert Kirkman (“The Walking Dead”, “Outcast”) e aos artistas Cory Walker e mais tarde a Ryan Ottley, e viria em 2003 a ter a sua própria série regular, que seria publicada até 2018 durante 144 capítulos. O título seria um dos primeiros duma nova linha de super-heróis da Image e integraria no universo ficcional da companhia, o Image Universe, ao lado de personagens como Spawn, the Dragon, Angela, Bomb Queen e Witchblade.

“The Best Superhero comic in the Universe” era a reivindicação ousada que aparecia na capa dos últimos capítulos e, não podendo falar por toda a gente, a nível pessoal foi sem dúvida uma das sagas de super-heróis que mais me encantou desde o início e manteve a chama viva até ao fim.

Em 2008 foi criada uma minissérie de adaptação em motion comics pela Gain Enterprises, transmitida na MTV2 e disponível para download no iTunes e na Amazon. Patrick Cavanaugh dava a voz a Invincible. Notícias de uma nova adaptação surgiram em 2017, sobre um filme que estaria ao encargo da Universal Pictures e que contaria com Seth Rogen e Evan Goldberg na produção. Entretanto o projeto foi selecionado pela Amazon para uma série televisiva, e o resto é história.

Invincible
“Invincible” ©Amazon Prime

“Invincible” conta com um elenco de luxo. Nos três papéis principais temos: Steven Yeun (“Minari”, “The Walking Dead”) a dar voz a Mark Grayson a.k.a. Invincible; Sandra Oh (“Killing Eve”, “Grey’s Anatomy”) como Debbie Grayson, mãe de Mark e mulher de Omni-Man; e J.K. Simmons (“Zack Snyder’s Justice League”, “Spider-Man”) no papel de Nolan Grayson/Omni-Man, o maior super-herói da Terra. A lista de personagens é extensa mas destacamos ainda: Gillian Jacobs no papel de Atom Eve, Walton Goggins na voz de Cecil Stedman, Rex Sloan/Rex Splode dobrado por Jason Mantzoukase, Ross Marquand e Zachary Quinto a darem vozes a Rudolph “Rudy” Connors/Robot, Kevin Michael Richardson como os Mauler Twins e Mark Hamill a dar vida a Art Rosenbaum. A título de curiosidade, muitos dos atores que entram em “Invinvicle” entraram previamente noutra adaptação da Image Comics para a Cartoon Network, na série “Generator Rex”.

A série de animação de super-heróis para adultos gira em torno de Mark Grayson, um garoto de 17 anos cujo pai é o Omni-Man, um super-herói extraterrestre da raça Viltrumite. Mark herda a gama completa de super-poderes de Omni-Man e vamos assim acompanhar a sua transformação num super-herói sob a orientação do seu pai.

Invincible
“Invincible” ©Amazon Prime

Depois de “The Boys” é a vez de “Invincible” brilhar como a série de ouro de super-heróis da Amazon. As duas séries têm em comum as abordagens fora da caixa, os temas adultos e a violência explícita e o uso de gore. E estas são algumas das características que destacaram e promoveram “The Boys”, sendo que também resultam a favor de “Invincible”.

Robert Kirkman está diretamente envolvido na produção da série e na criação dos argumentos, pelo que a 1ª temporada segue o material de origem, sendo uma boa adaptação que certamente agradará aos fãs dos comics. Outro ponto de destaque é sem dúvida a animação, cujos traços dos ambientes e das personagens também remontam à origem na banda desenhada. O departamento de animação atinge o seu expoente nas cenas de ação, sendo que o season finale é a cereja no topo do bolo da temporada, tanto em termos visuais como narrativos.

“Where I Really Come From” é o oitavo e último episódio da 1ª temporada de “Invincible” e contêm tudo aquilo que distingue a série. Os twists que a história dá revelam o que há de original nesta abordagem ao mundo dos super-poderosos. Um dos grandes prós de “Invincible” é a continuidade dada à narrativa, a conservação do espirito de super-heróis com inovações para algo novo e fresco, existe um real crescimento das personagens, perdas que não podem ser recuperadas e vilões que não são reusados sem motivo. É uma história com princípio, meio e fim e, todas as grandes histórias assim o são. Se a batalha final entre Superman e General Zod, em “Man of Steel”, deixou fãs de boca aberta e com os níveis de excitação ao máximo, o confronto final de “Invincible” não fica de todo atrás. Aliás, uma das razões porque a série sai por cima é na liberdade que é dada, ao ser uma produção com classificação para adultos, onde existe autonomia quase total para o uso e abuso de cenas violentas.

Invincible
“Invincible” ©Amazon Prime

Como referido anteriormente, o elenco de luxo reflete-se num rico rol de personagens, que são na sua maioria recorrentes e secundárias e não apenas figurantes. A família Grayson é sem dúvida o centro da ação, com Debbie Grayson a ter um papel ativo, mas os plots não se ficam por aí e estendem-se em todas as direções. Samantha Eve Wilkins/Atom Eve é uma das personagens que revela mais potencial; Cecil Stedman é como o Nick Fury de “Invincible”; os antigos e os novos “Guardians of the Globe” possuem cada um deles personalidades e características distintas que cativam, nomeadamente queremos ver onde leva a história entre Robot e Monster Girl; quem não adora os vilões Mauler Twins? Veremos mais de Allen the Alien? Este é um dos aspetos que a curto prazo pode ser considerado um contra, devido ao elevado volume de informação apresentado, mas que a médio/longo prazo é mais um dos pilares que manterão a série sólida e criarão várias linhas de interesse para diferentes fãs.

Em termos de receção geral, a série está com 98% no Rotten Tomatoes a nível critico e com 91% a nível de audiência, e com 8,8 no IMDB. Por aqui mal podemos esperar pela nova temporada, para descobrir mais sobre os Viltrumites, sobre a GDA e sobre o futuro de Mark.

Conseguem ser “Invincible” e ter nervos de aço para aguardar até à nova temporada?

Invincible, em análise
Invincible

Name: Invincible

Description: Quando Mark Grayson herda superpoderes aos 17 anos, une-se ao pai, que é um dos maiores heróis da Terra. Todos os seus sonhos se concretizam - até que um evento chocante muda tudo.

  • Emanuel Candeias - 88
88

CONCLUSÃO

“Invincible”  representa mais um marco para a Amazon e é uma referência da Image Comics. Só segue as regras gerais e gastas do mundo dos super-heróis à superfície, conseguindo trazer trazer novidade e cativar. Tal como a série “The Boys”, as abordagens fora da caixa, os temas adultos, a violência explícita e o uso de gore são alguns dos pontos que destacam “Invincible”. A presença de Robert Kirkman na produção garante uma adaptação fiel ao material de origem, que esperemos que não descarrile no futuro como em “The Walking Dead”.

Pros

  • Animação terrífica
  • História coesa e cativante
  • Toneladas de cenas de ação e violência

Cons

  • Começo genérico e seguindo os clichés do género de super-heróis
  • Muita informação e muitas personagens introduzidas de uma só vez
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