LEFFEST ’17 | Lista de vencedores e Observações finais

Com o final da 11ª edição do LEFFEST, resta fazerem-se algumas ultimas observações sobre o festival, antes de dar por encerrada a cobertura do mesmo.

 

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TESNOTA (2017) de Kantemir Balagov

 

A 11ª edição do Lisbon & Sintra Film Festival teve a sua cerimónia de encerramento no passado sábado, dia 25 de novembro, sendo que efetivamente o festival só terminou no dia seguinte. Nessa cerimónia, o júri presidido pelo cineasta canadiano David Cronenberg divulgou as suas escolhas para os prémios do festival. “Tesnota”, um filme realista social russo com admirável ambição formal e dramática, foi o grande vencedor, tendo ganho o Prémio Jaeger-LeCoultre para Melhor Filme. A obra do russo Kantemir Balagov foi ainda premiada com o galardão Revelação TAP, que foi atribuído à atriz Olga Dragunova, que interpreta a abrasiva mãe da protagonista de “Tesnota”.

Cronenberg e o resto dos jurados atribuíram ainda o Prémio Especial do Júri “João Bénard da Costa” à primeira longa-metragem narrativa do realizador dominicano Nelson Carlo de Los Santos Arias,” Cocote”. No panorama das curtas-metragens, um júri composto por Bette Gordon, Stéphanie Argerich e Olga Roriz, atribui o prémio máximo ao filme “A Man, My Son” de Florent Gouëlou. As curtas-metragens “Heimat” de Emi Buchwald e “Les Yeux Fermés” de Léopold Legrand foram ainda destacados com menções honrosas.

 

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CHAMA-ME PELO TEU NOME (2017) de Luca Guadagnino

 

Para além destas honras decididas por júris oficiais, houve ainda outro prémio, desta vez decidido pelo público. Este prémio NOS – Escolha do Público foi dado a “Chama-me Pelo teu Nome” de Luca Guadagnino. Esta apaixonante história de amor entre um estudante universitário americano e o filho do seu professor tem vindo a causar furor e conquistar audiências ao longo da sua longa travessia pelo circuito dos festivais de cinema. Parece que o público lisboeta também se rendeu.

O filme de Guadagnino foi também o filme mais bem-recebido da cobertura da Magazine HD do festival, e, desde a sua estreia comercial nos EUA, a obra já bateu os recordes do ano para maior lucro dividido pelo número de salas americanas que, de momento, exibem o filme. O sucesso crítico e comercial está a catapultar o filme para o estatuto de frontrunner na corrida aos Óscares. Note-se como já nos Gotham Awards e nos National Board of Review Awards, o filme acabou por ser premiado.

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A temporada dos prémios está a começar, mas já se denotam outros dos grandes títulos do ano, incluindo filmes do LEFFEST, para além do romance gay de Guadagnino e companhia. “The Disaster Artist” já valeu a James Franco o prémio Gotham para Melhor Ator e recebeu também o galardão do National Board of Review para Melhor Argumento Adaptado. “Três Cartazes à Beira da Estrada”, “O Quadrado”, “Corpo e Alma” e “Lucky” foram anteriormente celebrados em alguns dos festivais de cinema mais prestigiados da Europa e talvez façam o mesmo nos próximos meses entre as associações que dão prémios de cinema.

É claro que prémios não são barómetros de qualidade absoluta, Aliás, algo fascinante no LEFFEST é o modo como o festival junta em si cinema experimental como “Cocote”, ao lado de severas obras com estéticas difíceis e abordagem desafiantes e ainda obras de prestígio mainstream de Hollywood. Essa abertura a todo o tipo de cinema também se reflete no resto do festival fora da seleção oficial, onde artistas de todo o mundo são convidados a participar em conversas, masterclasses e outros eventos casuais onde se pode estabelecer diálogo com os cinéfilos de um modo impossível noutros festivais com atmosferas mais rígidas e formais.

 

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O SOL DO MARMELEIRO (1992) de Victor Erice

 

Em conclusão, esta foi mais uma triunfante edição do LEFFEST, algo particularmente relevante quando consideramos que foi o primeiro ano em que o festival se desenrolou parcialmente em Sintra. A presença de Isabelle Huppert e Robert Pattinson foi especialmente maravilhosa, assim como a exibição de uma série de restaurações de filmes outrora existentes em cópias de má qualidade. Quando se tratam de feitos cinematográficos como “O Sol do marmeleiro” de Victor Érice, tal restauração é algo merecedor de louvores heroicos.

Para quem estiver interessado, fica aqui a lista de todos os filmes analisados pela Magazine HD durante a cobertura do 11º LEFFEST. Carrega nos títulos para abrires os textos em questão.

 

ANÁLISES DA COBERTURA MHD DO 11º LEFFEST:

EM COMPETIÇÃO:

FORA DE COMPETIÇÃO:

 

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Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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