Amy Adams como Anna Fox | Foto de Melinda Sue Gordon, via Netflix

A Mulher na Janela | A última paranóica produção de Joe Wright

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Fazemos uma análise à produção de “A Mulher na Janela”, o novo filme de Joe Wright encabeçado por Amy Adams e Gary Oldman.  

Pode parecer algo cliché afirmá-lo, mas todos sabemos o quão difícil é produzir um filme, Martin Scorsese, Steven Spielberg, Woody Allen, Clint Eastwood também o sabem. Joe Wright parece ser apenas o mais recente nome na lista de produções paranóicas e até infernais. Não importa se o realizador, o produtor ou o argumentista são grandes nomes de Hollywood ou apenas jovens a começar o desafio de deixar uma marca na história da sétima arte. Todos, à sua maneira, veêm-se confrontados com uma série de questões relacionadas com os momentos intensos de produção e pós-produção de um objeto de arte. Como acontece regularmente , há sempre um filme amaldiçoado com esse fado e este ano temos o caso paradigmático da adaptação de “A Mulher na Janela”. O seu lançamento aconteceu finalmente na Netflix no passado dia 14 de maio, após um conjunto de delirantes incidentes.

Em 2021, “A Mulher na Janela” não é um caso isolado. Nos últimos meses, “A Liga da Justiça de Zack Snyder”, versão do realizador com quatro horas de duração estreado na HBO Portugal, tem serviço para preencher as páginas da imprensa, sobretudo pelas denúncias feitas contra o o realizador/produtor Joss Whedon, envolto em polémicas e confrontos com praticamente toda a equipa técnica da respetiva adaptação da banda desenhada da DC Comics. “A Mulher na Janela” não só teve problemas na produção, relacionadas com alterações no mercado de ações de distribuidoras de Hollywood, como foi praticamente o filme mais afetado pela pandemia COVID-19.

A Mulher na Janela | Trailer Oficial

A história é sobre uma mulher que entre os profundos problemas com álcool e depressão, sofre ainda de agorafobia (o transtorno de ansiedade e medo de se encontrar numa situação ou local no qual não consegue escapar). Com um medo extremo de sair de casa, acompanhamos a personagem de Amy Adams ao longo do seu dia a dia, nos minutos em que é enfrentada por delírios e ataques de pânico e na sua obsessão em observar a vizinhança. A temática parece-te familiar não é assim? Tudo em “A Mulher na Janela” está próximo da obra de Alfred Hitchcock “Janela Indiscreta” (1954) não só em termos conceptuais, como naquilo que decorre ao longo dos seus 100 minutos de duração. Há, de facto, um tratamento atribulado nesta narrativa adaptada do best-seller de A.J. Finn, ele mesmo sem esconder as similitudes com a trama com James Stewart e Grace Kelly.

Desde logo, percebe-se o quão difícil era adaptar uma obra neste estilo, por muito suspense e tensão que se tentasse criar. Como se não bastassem as comparações sugestivas a outras obras do cinema, a produção de “The Woman in the Window” ficou marcada por refilmagens e ainda por um escândalo de fraude. Não foi nada fácil o seu caminho das páginas ao (grande) ecrã.

Agora que passaram alguns dias desde a sua estreia e tivemos oportunidade de assisti-lo com calma e reflexão, decidimos perceber quais os problemas de “A Mulher na Janela” e se ainda vale a pena assistir a este thriller na Netflix, que aparenta ser um dos mais chatos candidatos a pior filme de 2021.

Ansioso por descobrir os factos curiosos sobre a produção do novo filme de Joe Wright? Segue com as setas e desvenda a odisseia de “A Mulher na Janela”.  

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Virgílio Jesus

Era uma vez em...Portugal um amante de filmes de Hollywood (e sobre Hollywood). Jornalista e editor de conteúdos digitais em diferentes meios nacionais e internacionais, é um dos especialistas na temporada de prémios da MHD, adepto de todas as formas e loucuras fílmicas, e que está sempre pronto para dois (ou muitos mais!) dedos de conversa com várias personalidades do mundo do entretenimento.

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