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Posso Olhar Por Ti | Entrevista com o realizador Francisco Lobo Faria

Filme madeirense “Posso Olhar por ti” está quase a estrear nas salas de cinema. Falámos com o realizador Francisco Lobo Faria.

O filme “Posso Olhar Por Ti”, que marca a estreia de Francisco Lobo Faria como realizador, está prestes a chegar às salas de cinema nacionais – acontece na próxima quinta-feira, dia 30 de março. O drama entretanto aclamado em vários festivais internacionais, é um retrato honesto da infância e pré-adolescência nos nossos dias, que pretende apontar aos comportamentos dos adultos.

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A produção é a primeira 100% madeirense a chegar às salas comerciais de todo o país e, segundo o jovem cineasta de 30 anos, pretende provocar “um pequeno abanão” na consciência dos espectadores. Já premiado na Austrália e até na Índia, “Posso Olhar por Ti” serviu de palco para Francisco Lobo Faria mostrar ao mundo o talento dos seus alunos, os jovens que participam no filme.

Por Olhar Por Ti | Trailer do filme de produção madeirense

“Posso Olhar por Ti” retrata um grupo de crianças organizado em prol de um objetivo comum e para o alcançar, desenvolvem a sua veia empreendedora, exploram os seus talentos e capacidades, falham, desentendem-se, mas não desistem. Independentemente da crença, raça ou nacionalidade, conhecendo a história de alguém, é possível perceber o quanto somos todos iguais e se quebrem as barreiras da indiferença. No filme, a amizade, a proximidade e as dificuldades dos adolescentes parece motivar a ajuda entre uns e outros.

No elenco de “Posso Olhar Por Ti” estão os nomes de Martim Lobo, Laura Silva, Francisca Madeira, Tiago Valente, Iago Fernandes, Matilde Gouveia, Eduarda Sousa. Contam-se também participações especiais de caras conhecidas do grande público como Ângelo Rodrigues, Sylvie Dias, Carla Galvão, Luís Simões, Mauro Hermínio e Carolina Torres. Falámos com o cineasta nascido na Madeira, que nos revelou um pouco do seu trajeto profissional até à concretização desta experiência cinematográfica que finalmente poderá ser vista no grande ecrã.

MHD: Será que nos poderias contar um pouco do teu percurso em cinema e teatro? Como nasceram estas paixões?

Posso Olhar Por Ti
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Francisco Lobo Faria: O cinema chega à minha vida como uma vertente daquilo que tinha feito até então na arte de representação. Para mim, o cinema e o teatro sempre tiveram uma proximidade muito forte. Vi no teatro, à medida que fui aprofundado o meu conhecimento, uma maneira de abordar o objeto artístico de forma específica, numa perspetiva única. O teatro existe na minha criação no âmbito do pós-dramático, e quando começo a escrever uma narrativa, tenho a tendência imediata a pensar na dentro de uma linguagem cinematográfica. No cinema, posso sussurrar e no teatro tenho de falsear o sussurro.

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MHD: Em que momento nasceu a ideia para “Posso Olhar Por Ti”?

Posso Olhar Por Ti
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Francisco Lobo Faria: Nasceu de um contexto muito particular. “Posso Olhar Por Ti” vem depois dos meus trabalhos nos filmes “Eternity and a Day” e “Feiticeiro da Calheta” (num contexto mais regional), e da minha formação em cinema com o Luís Fonseca, o meu professor na Escola Superior de Teatro e Cinema. Este foi o fator diferenciador, porque deu-me uma visão teórica, que me permitiu capacitar.

Quando comecei a escrever “Posso Olhar Por Ti” estava a lecionar e impressionei-me com o trabalho dos meus alunos. Assim que comecei a alimentar aquilo que tinham em si próprios deram-me uma resposta maravilhosa. A dada altura senti que era professor de miúdos, arrisco-me a dizer, melhores do que eu fui nas suas idades. Senti que, como atores, seriam maiores do que eu e essa deve ser a intenção de um professor. Estava tão impressionado com a qualidade atingida, que seria uma hipocrisia enorme formá-los e não lhes dar um palco para mostrarem os seus talentos. Se a vontade de fazer cinema já existia, “Posso Olhar Por Ti” tornou-se uma urgência.

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MHD: O filme já venceu o prémio de Melhor Longa-Metragem Internacional no ‘Golden Lion Internacional Film Festival’, que decorre na cidade de Calcutá e também venceu o prémio de melhor elenco juvenil no Titan Internacional Film Festival’, da Austrália. Como te sentes pelo reconhecimento internacional?

Francisco Lobo Faria: Sinto uma enorme gratidão por alguém que olha para aquilo que fizemos. Estou feliz pelos meus atores, mas continuo a ter a mesma ideia sobre mim mesmo, em relação aos meus sucessos e fracassos. Isso não mudou com a atribuição dos prémios.

Sinto-me satisfeito por alguém estar a olhar para o trabalho e perceber que isto pode ser o princípio, não só para mim, como também para outras pessoas com muito valor no contexto cinematográfico nacional. Nem sempre uma pessoa consegue viver com dignidade naquela que é a sua arte.

MHD: Como conseguiste apoio de produção para “Posso Olhar Por Ti”?

Francisco Lobo Faria: Tenho mesmo de agradecer em quem acreditou em mim. As primeiras pessoas a acreditarem no “Posso Olhar Por Ti” faziam parte do Município do Porto Moniz, nomeadamente o vereador da cultura Nélio Sequeira, com uma visão brutal e que, desde o início esteve dentro do projeto. Na nossa primeira reunião falei-lhe do filme, mostrei-lhe o argumento e a resposta que tive foi de uma sensibilidade impressionante.

Contei também com o apoio do Governo Regional – da Direção Regional da Cultura e da Madeira Film Commission – e com o apoio de alguns organismos privados, como por exemplo o apoio do Duarte Reis, entre outros parceiros que se foram juntando. O filme foi rodado antes da pandemia, no verão de 2019, e a COVID acabou por dificultar um pouco a nossa vida, com a pós-produção a ser feita à distância.

Posso Olhar Por Ti
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MHD: Sentes que o “Posso Olhar Por Ti” pode ser uma oportunidade para a Madeira abrir portas a novas vozes do cinema regional?

Francisco Lobo Faria: Essa é a minha luta e a minha visão. Agora faltam mais pessoas juntarem-se a mim. É um sonho tão grande que consigo viver dentro dele, por algum tempo, quando me atrevo a mergulhar nele. Quão poderosa poderá ser uma política estruturada de apoio ao cinema, com base no mérito, na Região Autónoma da Madeira?

MHD: O que gostarias de dizer aos espectadores do teu filme?

Francisco Lobo Faria: Quero que venham de coração aberto e que se permitam reflectir o mundo através da visão destas crianças, que parecem estar a fazer alguma coisa infantil, mas estão a abordar a algo que nos toca a todos e poderá ajudar a tornar o mundo num lugar melhor.

“Posso Olhar Por Ti” estreia em várias salas dia 30 de março. No Funchal estará em exibição nos cinemas Cineplace – Madeira Shopping



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