Plainclothes, com Tom Blyth, vai abrir o Queer Lisboa ‘25
A 29ª edição do Queer Lisboa já está quase a chegar e a sua programação promete mais um festival que reúne o melhor cinema LGBT+ de todo o mundo. Entre as novas informações divulgadas sobre o programa, destaca-se “Plainclothes” de Carmen Emmi, com Tom Blyth e Russell Tovey no elenco.
O filme fez furor em Sundance e terá as honras de abrir o Queer Lisboa, iniciando as festividades num tom sombrio e uma história que cruze obsessões e mentiras. Trata-se da história de um polícia que, na Nova Iorque dos anos 90, é incumbido de aliciar homossexuais para depois os prender. Só que, no meio deste jogo de gato e rato, desenvolve-se uma ligação genuína entre o predador policial e sua presa.
Em contrapartida, “Between Goodbyes” de Jota Mun será o filme de encerramento, trazendo uma visão de cinema queer à coreana. O documentário estreou no ano passado em seu país de origem, espantando o público com uma visão intimista sobre os cismas sociais que impõem barreiras intransponíveis entre a juventude LGBT+ e as gerações mais velhas. Dentro da sua história factual, a câmara segue uma mulher lésbica que, na vida adulta, tenta entrar em contacto com a sua família biológica na Coreia do Sul.
Alexander Skarsgård em êxtase fetichista
Mas as últimas novidades do Queer Lisboa não se ficam pelo princípio e fim do festival. Dentro da secção Panorama, Harry Lighton irá apresentar “Pillion”, uma adaptação literária que conta com Harry Melling e Alexander Skarsgård nos papéis principais. O drama retrata a relação entre dois homens dentro de dinâmicas BDSM, mesclando a imagética e práticas fetichistas com o mundo das motos e suas subculturas. Em Cannes, a crítica e o público renderam-se a um projeto cujo erotismo tem dado que falar e certamente também causará muito choque e deleite entre as audiências lisboetas.
No contexto do cinema lusófono, “Morte e Vida Madalena” de Guto Parente terá direito a uma sessão especial, enquanto a curta “When We Dead Awaken” de Paula Tomás Marques vai passar no programa Queer Focus. Essa secção, com curadoria de Ana David e Caio Soares, será dedicada ao tema “Contaste que Eras Trans?” que assim ditará os filmes selecionados.
Entre esses restantes filmes encontram-se outros títulos chamativos como “Dreams of Sunlight through Trees” de Theo Jean Cuthand e “By Hook or by Crook” de Silas Howard e Harry Dodge. Este último é um marco da filmografia trans na esfera independente americana, estando quase a celebrar 25 anos desde a sua estreia original em janeiro de 2001.
O coletivo Queer Cinema for Palestine destaca-se dentro do programa Resistência Queer, uma das secções mais novas do festival. “No Pride in Genocide” é uma coleção de curtas em defesa da dignidade e da vida dos Palestinianos face ao presente genocídio a acontecer em Gaza. O Médio Oriente também será explorado noutras fitas, como é o caso da longa-metragem “The Crowd” do iraniano Sahand Kabiri. Por seu lado, “State of Firsts” de Chase Joynt propõe-se a examinar a subida da extrema-direita nos EUA ao mesmo tempo que faz o perfil de Sarah McBride, a primeira pessoa abertamente trans a ser eleita para o Congresso americano.
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O cinema pela Palestina como Resistência Queer.
Convém dizer que nem todas as notícias se referem somente ao festival na capital portuguesa. Por exemplo, o programa “No Pride in Genocide” também vai ser apresentado na cidade invicta, em mais uma edição do Queer Porto. “The Crowd” também é transversal aos dois festivais, mas a secção Resistência Queer da festa nortenha inclui títulos exclusivos. Em “Queens of Joy,” Olga Gibelinda documenta as vidas e a arte de drag queens a viver numa Ucrânia em estado de guerra. “In Hell with Ivo” de Kristina Nikolova também se conforma ao modelo retratista, dando a conhecer outro lado do cantor búlgaro Ivo Dimchev.
No que se refere à sessão de abertura, o Queer Porto conta com “Duas Vezes João Liberada,” uma proposta de meta-cinema já premiada no IndieLisboa. É difícil descrever a proposta artística de Paula Tomás Marques, pois tanta da obra parte dos limites impostos à produção, as soluções encontradas, e uma problemática autorreflexiva entre a câmara e seu sujeito, a atriz e seu papel.
Vai ao site oficial do Queer Lisboa e do Queer Porto para ler todos os detalhes. Tanto as novidades anunciadas hoje como outros filmes já confirmados anteriormente. Pessoalmente, mal posso esperar para ver “Peter Hujar’s Day”, uma nova obra de Ira Sachs – famoso por obras como “Passages” e “Frankie” – com Rebecca Hall e Ben Whishaw envolvidos num diálogo prolongado, perspicaz e profundo. Puro cinema, portanto.
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O Queer Lisboa decorre de 19 a 27 de setembro e o Queer Porto será entre 4 e 8 de novembro. Não percas a cobertura dos festivais, aqui, na Magazine HD!
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