"Retrato da Rapariga em Chamas"/"Tenet"/"O Ninho" | © Midas Filmes/© NOS Audiovisuais

TOP MHD | Os melhores filmes de 2020

2020 foi um annus horribilis sem precedentes, mas o cinema foi uma das poucas fontes de alívio durante esses malditos meses. Chegado o fim, a MHD, decide constatar quais foram os melhores filmes do ano que passou, desde intrigas da Velha Hollywood até romances setecentistas.

Este ano que passou foi um ano para esquecer. Tanto horror aconteceu, desde a pandemia a violência racista, que não censuraríamos ninguém que quisesse apagar 2020 dos livros de História na sua mente. Apesar disso, nem tudo foi mau. O cinema, por exemplo, foi bastante bom e trouxe-nos várias maravilhas que ajudaram a tornar o confinamento um pouco mais tolerável. Ao contrário do que muitos dizem, em 2020, o cinema manteve os seus níveis de excelência e, em alguns casos, até rebentou com a escala.

A maior mudança paradigmática do ano foi certamente a razia de megaproduções dos grandes estúdios, blockbusters cheios de efeitos especiais, gigantescos orçamentos e receitas de bilheteira a condizer. “Os Novos Mutantes”, “Tenet” a “Mulher-Maravilha 1984” lá tentaram, mas os lucros das salas têm estado em baixo. Esperamos que isso não signifique o fim da sala de cinema como a conhecemos, é claro. Por muito que gostemos dos streamers, nada substitui o êxtase de ver um filme no grande ecrã, qual janela para outro mundo que se abre na escuridão.

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Esperemos que, com o advento de vacina, possamos todos voltar em segurança às salas de cinema. Até lá, continuamos a celebrar o cinema dentro e fora de casa, com máscara ou no televisor. Mesmo reduzido ao monitor de um portátil, o cinema vai sobreviver. Já sobreviveu ao advento da longa, do som, da cor, da televisão, do 3D e tanto mais, que não vai ser o COVID-19 a deitar abaixo a sétima arte. O cinema mantém-se forte e nós cá estamos para o celebrar.

Foi num processo com duas rondas de votos que apurámos o nosso top 10 MHD do ano que passou. Em termos de critérios de elegibilidade decidimos contar com todo o filme, longa-metragem ou curta, que tenha sido distribuída em Portugal, quer seja em sala, num serviço de streaming ou Video on Demand. Para começar, vamos ter menções honrosas e depois é fazer contagem decrescente até chegarmos àquele que a redação do site julgou o melhor filme de 2020.

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Sem mais demoras, aqui fica o nosso Top MHD oficial. Usa as setas para navegares o artigo e não te esqueças de deixar comentário caso tenhas algo a acrescentar.

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MENÇÕES HONROSAS

soul critica disney+
© Disney

Primeiro, antes de nos aventurarmos pelo top 10, ficam aqui umas menções honrosas. Nenhum destes filmes teve pontuação suficiente para chegar ao topo nas nossas duas rondas de votos, mas tiveram seus fãs ferrenhos. Talvez até encontres os teus favoritos aqui. Eles são:

TUDO ACABA AGORA de Charlie Kaufman – Desde o tempo em que escrevia os filmes de Spike Jonze que Charlie Kaufman se tem vindo a afirmar como uma das mentes mais endiabradamente criativas do cinema moderno. Em “Tudo Acaba Agora” ele enredou e realizou um filme que olha para dentro da mente do artista, para as suas inspirações e frustrações. Trata-se de uma obra introspetiva, quase opressiva, que sustenta seu jogo graças às performances brilhantes de Jessie Buckley e Jesse Plemons.

UM AMIGO EXTRAORDINÁRIO de Marielle Heller – Quando primeiro se falou num drama biográfico sobre Fred Rogers, houve quem se amedrontasse com conjeturas de um meloso exercício em nostalgia babada. A fita de Marielle Heller foge a tais fados graças a uma sagaz reconfiguração temática. Longe de ser um filme sobre ídolos da televisão infantil, esta é uma autópsia de masculinidade tóxica com uma prestação formidável de Tom Hanks no seu centro.

AMERICAN UTOPIA de Spike Lee – Em tempos de muito tormento e desespero sem fim, é difícil esquecer as mágoas do mundo e acreditar que há esperança para o futuro. Sem negar a miséria presente ou o sofrimento histórico, David Byrne conjurou esse inefável raio de esperança nos palcos da Broadway. Spike Lee apontou-lhe as câmaras e o resto é história e um dos melhores filmes-concerto das últimas décadas.

O HOMEM INVÍSIVEL de Leigh Whannell – Nesta época de constantes remakes e reboots, “O Homem Invisível” representa um ideal platónico. Ao invés de repetir a mesma charada que já foi contada mil vezes, Leigh Whannell redefine a figura titular como um namorado abusivo e faz da sua vítima a protagonista da história. No final, dessa alquimia saiu uma criação aterrorizante, tão psicologicamente acutilante quanto rica em visões de violência cinematográfica. Elisabeth Moss é simplesmente sublime no papel principal.

SOUL – UMA AVENTURA COM ALMA de Pete Docter e Kemp Powers – A Pixar continua a sua tradição de entreter miúdos e fazer graúdos pensar sobre as grandes questões da nossa existência. Qual é o sentido da vida? O que é identidade? Viver sem propósito vale a pena? Estas são algumas das questões propostas por esta mirabolante história que se desenrola entre planos metafísicos ao som de jazz contemporâneo.

Com estas menções honrosas despachadas, passemos ao top 10…

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Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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