"Era Uma Vez... em Hollywood"/"Parasitas"/"Nós" | © Big Picture Films/© Alambique/© NOS Audiovisuais

TOP MHD | Os Melhores Filmes de 2019

2019 foi o último ano de uma década e representou mais um período de grande cinema a agraciar as audiências portuguesas. Chegado o fim do ano, a MHD, decide constatar quais foram os melhores filmes dos últimos 12 meses, desde intrigas reais a histórias de mafiosos envelhecidos.

Para os cinéfilos portugueses, o ano passado começou com os resquícios da corrida aos Óscares. Filmes que já tinham feito furor do outro lado do Atlântico finalmente chegaram às salas lusitanas, trazendo-nos obras como “Se Esta Rua Falasse”, “A Favorita” e o eventual vencedor do Óscar para Melhor Filme “Green Book”. Muito se passou entre essa alvorada do ano e o crepúsculo de dezembro.

O verão foi palco de uma série de blockbusters fracassados, mas a Disney lá confirmou a sua hegemonia e os Vingadores da Marvel dominaram o mundo. Cannes trouxe-nos os deleites mirabolantes de Bong Joon-ho e os filmes de artistas veteranos assinados por Almodóvar e Tarantino. Em Portugal, celebrou-se o apogeu de “Variações” e a negrura de “Raiva”. Mais tarde, com o fim da estação mais quente, veio o regozijo com a seleção de “A Herança” para o Festival de Veneza.

Lê Também:
Festival de Veneza 2019 | De A Herdade, a sul do Tejo até ao Lido

Nessa Bienal, o júri de Lucrecia Martel surpreendeu ao condecorar o “Joker” de Todd Phillips com o Leão de Ouro. Essa fantasia de Gotham City depressa chegou aos cinemas portugueses e as audiências nacionais bem concordaram com a euforia da cineasta argentina. Com o outono, também vieram mais filmes de prestígio e algumas surpresas agradáveis como as strippers vingadoras de “Ousadas e Golpistas” ou as lágrimas de Brad Pitt em “Ad Astra”.

Depois veio o inverno e consigo as épocas festivas. Contudo, ao invés de prendas maravilhosas, os deuses da cinefilia reservaram-nos umas boas doses de carvão para por no sapatinho. O novo Star Wars desapontou e “Cats” horrorizou. Felizmente, a Netflix esteve cá para abafar a dor e nos fazer chorar de emoção e não por desapontamento. “O Irlandês” vingou e “Marriage Story” arrasou, “Atlantique” foi melhor ainda e até “Klaus” teve maravilhas para oferecer ao espectador generoso.

Lê Também:
Star Wars: Episódio IX - A Ascensão de Skywalker, em análise

Enfim, foi um grande ano, uma grande forma de terminar a década e um milagre de cinema que transcendeu as salas e chegou até aos nossos computadores. Por tudo isso, decidimos cumprir a tradição MHD e eleger os nossos favoritos do ano, os dez melhores filmes de 2019. Para nos atualizarmos a um mundo moderno, este ano abrimos portas a tudo o que for filme estreado ou em sala ou plataforma de distribuição portuguesa. Ou seja, filmes da Netflix também marcam presença.

Muitos membros da redação votaram e aqui estão os resultados…

MENÇÕES HONROSAS

dor e gloria critica
© Pris Audiovisuais

Primeiro, antes de nos elaborarmos no top 10 final, ficam umas menções honorárias. Nenhum destes filmes teve pontuação suficiente para chegar ao topo nas nossas duas rondas de votos, mas tiveram seus fãs ferrenhos e apoiantes apaixonados. Talvez até encontres os teus favoritos aqui. Eles são:

DIVINO AMOR de Gabriel Mascaro – Um perverso gesto de subversão contra um Brasil cada vez mais emaranhado nos moralismos venenosos de um cristianismo evangélico e fanático. Imagens inesquecíveis marcam este drama cheio de nudez voluptuosa, formalismo duro e cru assim como uns valentes néones.

DOR E GLÓRIA de Pedro Almodóvar – Autoficção na sua vertente mais deliciosa e mais colorida. A memória flui e com ela vem um tsunami de melancolia e oportunidades perdidas, amores do passado e atores rancorosos tão prontos a perdoar como a trazer consigo novos vícios. Este é o “8 ½” do melhor realizador espanhol da contemporaneidade.

AD ASTRA de James Gray – A busca de significado da Humanidade é a busca de um filho pelo amor do pai. Ambas as odisseias se aglutinam em tableaux cor de âmbar e terminam numa conclusão ácida e vácua. No entanto, no epíteto do vazio há humanismo a desabrochar e o último gesto do épico espacial é um de compaixão.

VINGADORES: ENDGAME dos Irmãos Russo – O épico de todos os épicos, este capítulo climático do MCU é cinema de entretenimento sobre o efeito de esteroides. Formalmente não há muito a celebrar e o conteúdo intelectual da coisa é pobre. Contudo, as emoções que desperta são intensas, desde a miséria com que tudo começa até ao triunfo melancólico que funciona como um murro no estômago e pôs milhões de pé a bater palmas ao ecrã prateado do cinema.

ROCKETMAN de Dexter Fletcher – Depois do degredo de “Bohemian Rhapsody” bem precisávamos de uma cinebiografia decente sobre um ícone gay dos anos 70 e 80. “Rocketman” cumpre a promessa de qualidade crescente e ainda nos oferece um deleite musical do tipo que raramente vemos nas salas hoje em dia. Taron Egerton ganhou o Globo de Ouro por este desempenho como Elton John e é fácil perceber porquê- Ele é elétrico!

Com estas menções honrosas despachadas, passemos ao top 10 em si…




10. ATLANTIQUE de Mari Diop

Atlantique Leffest 19
© Netflix

Em maio passado, Mati Diop tornou-se na primeira mulher de ascendência africana a competir na secção principal do Festival de Cannes. É um ultraje que tenha demorado tanto tempo a tal se confirmar, mas Diop é uma maravilhosa maneira de começar este caminho na direção de um cinema mais diverso. Dizemos isto pois, apesar da realizadora se estar só a estrear no mundo das longas-metragens, “Atlantique” é aquele tipo de obra-prima que esperamos ver associada ao nome de um mestre consagrado da arte. Não admira que ela tenha ganho o Grande Prémio (2º lugar) do júri oficial da Croisette.

Antes de chegar à Netflix, este filme ainda teve direito a maravilhar o público português com uma breve passagem pelo LEFFEST. Aquando dessa exibição, a nossa crítica Maggie Silva escreveu:

Inicialmente algures entre o drama romântico e o realismo, “Atlantique” evolui, naquele que podemos considerar um segundo ato, para uma estrutura e tom bastante diferentes. Esta transição é orgânica, nada forçada e para lá de imaginativa. O clima do filme torna-se mais mágico, mas também mais pesado. Não é mais um conto realista sobre emigração e populações pobres e exploradas, é um realismo mágico, é uma obra repleta de suspense, de sobrenatural, de uma mística única, até com alguns laivos de terror. É ardente, contagiante, e não nos abandona depois de abandonarmos a sala de cinema.




09. EM CHAMAS de Lee Chang-Dong

burning em chamas critica indielisboa
© Alambique

Por vezes, o público português tem de esperar eternidades até que um filme cá chegue. Foi o que aconteceu com o mais recente filme de Lee Chang-Dong. Originalmente, “Em Chamas” estreou no Festival de Cannes de 2018 e chegou à maioria dos mercados internacionais nesse mesmo ano devido a uma enchente de críticas adoradoras e muita conversa sobre a possibilidade de ir competir pelo Óscar para Melhor Filme Estrangeiro. As esperanças do Óscar ficaram por terra, mas as críticas positivas nunca vacilaram.

Felizmente, a obra coreana lá veio para os cinemas e para o público português. Primeiro, contudo, teve paragem obrigatória na programação do IndieLisboa de 2019. Aquando dessa exibição, o nosso crítico Cláudio Alves teve isto a dizer sobre o filme:

O que é real e o que é uma ilusão nascida das lacunas da nossa observação, do preconceito e do medo, do desejo e da mentira, é outro tema e dinâmica que abrange toda a narrativa e desenvolvimento de personagens. O exemplo máximo disso é o gato que parece tirado diretamente das ponderações de Erwin Schrödinger, mas também temos a história sobre estufas a arder que dá nome ao filme ou mesmo os talentos de Hae-mi enquanto atriz e mimo. Num momento hipnótico, testemunhamos o detalhado processo de ela a comer uma laranja, quando nas mãos da mulher só há ar e vazio. Quando uma das três figuras desaparece, é difícil saber se se tratou de um evento violento ou mais uma performance do vazio. Jong-su, de qualquer modo, não deixa que as suas reações violentas sejam comedidas pela dúvida.




08. KNIVES OUT: TODOS SÃO SUSPEITOS de Rian Johnson

knives out critica
© Pris Audiovisuais

2019 foi um bom ano para Rian Johnson. Depois de um par de anos a ser massacrado por uma fação vocífera dos fãs da Guerra das Estrelas, o realizador foi vingado quando “A Ascensão de Skywalker” desagradou a gregos e troianos apesar de cumprir tudo aquilo que Johnson tinha subvertido. Os críticos muito o aplaudiram e, melhor ainda, foi o modo como o seu filme mais recente provou ser ainda mais estrondoso que qualquer ópera espacial sobre a luta entre o bem e o mal.

Também se trata de uma batalha primordial entre forças malignas e justiceiros do Bem. Só que o cenário é mais contemporâneo, o modelo mais perto do mistério clássico de Agatha Christie e o humor mais negro e afiado. Aquando da estreia de “Knives Out” nos cinemas portugueses, foi isto que o crítico Cláudio Alves teve a dizer sobre a trama:

Apesar da maravilha que é o argumento, a estrutura bizantina do enredo e a montagem afiada, o ingrediente secreto no meio de tudo isto é a sinceridade emocional que Johnson e companhia trazem aos seus afazeres paródicos. É isso que faz com que “Knives Out” se eleve acima dos impulsos mais didáticos e vistosos que maculam o engenho. Assim se revela a chave do sucesso. Trata-se disso e da prestação sem igual de Ana de Armas como Marta. Todos os atores estão perfeitos, mas é ela que tem de sustentar as reviravoltas mais explosivas do filme e balançar os desvios tonais. Rimo-nos muito graças à performance deliberadamente apatetada de Toni Collette, adoramos os sotaques de Daniel Craig e queremos aplaudir a malícia arrogante de Chris Evans, mas Ana de Armas é a verdadeira estrela de “Knives Out” e esta, no fim, é a sua história. É um conto de ódio e privilégio venenoso, um retrato da toxicidade do dinheiro herdado e um hino contra uma classe desproporcionalmente poderosa.




07. NÓS de Jordan Peele

canais tvcine
© 2019 Universal Studios and Perfect Universe Investment Inc. All Rights Reserved.

“Foge” foi um autêntico fenómeno cultural e posicionou logo Jordan Peele como um dos cineastas emergentes mais importantes da atualidade. A façanha valeu-lhe um Óscar e uma autêntica montanha de expetativas em relação ao seu projeto seguinte. Muitos foram aqueles que previram que o realizador iria espalhar-se ao comprido na sua segunda longa-metragem, mas o cineasta trocou-lhes as contas e assinou uma obra quiçá ainda mais magistral que a primeira.

Aquando da estreia de “Nós” e seus pesadelos sobre duplos e mundos subterrâneos, o nosso crítico Cláudio Alves escreveu as seguintes palavras sobre o filme:

Referimo-nos ao trabalho dos atores, quase todos a interpretar dois papéis, cuja contribuição para o balanço tonal entre horror e comédia, entre desespero cósmico e ação sanguinária, é inestimável. Lupita Nyong’o, em particular, mostra tudo o que vale, rendendo-se por completo às demandas mais hediondas do guião e telegrafando desde início as reviravoltas paralisantes que encerram a história. Seu pânico é sempre sombreado por uma instabilidade desconcertante, enquanto a monstruosidade vocal que ela traz à vilã é tão aterrador como hipnotizante, sugerindo como, talvez, os autores da violência possam ser mais vítimas que suas presas violentadas. Esse gesto de empatia é o derradeiro golpe de génio deste filme que nos faz ter medo de nós próprios e ver no espelho o maior monstro de todos.




06. O IRLANDÊS de Martin Scorsese

o irlandes netflix melhores filmes de 2019
© Netflix

O espectro da Morte e a impiedosa força do Tempo assombram as figuras de “O Irlandês” em frente e atrás das câmaras. Este é um filme sobre pessoas que têm mais vida atrás das costas que pela frente e é feito por artistas na mesma fase crepuscular da vida. Quando se pensa na vida de outros como contagens decrescentes até ao dia do adeus, quando os ressentimentos passados coagulam em verdades cósmicas e o olhar acusador de uma filha se converte no dedo acusador de Deus – é nesses tempos que se conta uma história como a de “O Irlandês”.

Os atores são magistrais e assim também é a mão que guia a câmara. O pesar de anos de experiência guia cada gesto e apesar de ter uma duração monumental, não há perdas de tempo nesta odisseia. Tudo é cortado com judiciosa disciplina por Thelma Schoonmaker e até os efeitos menos bem conseguidos do rejuvenescimento digital se aglutinam a uma tese sobre memórias de juventude vistas pelo prisma da mente idosa. É maravilhoso e assustador em igual medida. Aqui ficam umas palavras que Daniel Rodrigues escreveu sobre o assunto, quando viu o filme nos EUA:

Nesta sua viagem nostálgica de três horas e meia de duração, Martin Scorsese reencontra-se com as obras-primas. O Irlandês é uma entrada magistral na longa e profícua carreira de um cineasta que, aos 77 anos de idade, ainda é capaz de forjar um retrato tão vívido e melancólico sobre a fatalidade da experiência humana.




05. HISTÓRIA DE UM CASAMENTO de Noah Baumbach

marriage story critica netflix
© Netflix

Adam Driver, Scarlett Johansson e Laura Dern estão no bom caminho para a glória dos Óscares graças à sua prestação num dos melhores filmes originais da Netflix em 2019. “Marriage Story” também conhecido como “História de Um Casamento” é um soberbo exercício de autoficção por parte de Noah Baumbach que aqui desenterra os demónios do seu matrimónio e divórcio da atriz Jennifer Jason Leigh. O resultado final é lúcido e lacerante, tão cheio de inesperado humor como de titânicas cenas que nos derretem ou nos horrorizam com sua intimidade.

A obra estreou originalmente no Festival de Veneza, de onde saiu sem nenhum prémio, mas depressa veio conquistar espetadores por todo o mundo graças à distribuição apressada da já referida Netflix. Cá em Portugal nunca chegou aos cinemas, mas nós conseguimos ver o filme, apesar de tudo. Talvez para um retrato de discórdia doméstica, o melhor seja mesmo vê-lo em casa. Aqui ficam umas palavras do crítico Cláudio Alves acerca do filme:

“Marriage Story” é uma obra cuidadosamente criada, com ritmos precisos e movimentos de câmara bem orquestrados, figurinos escolhidos a dedo e uma filmografia que é bela e modesta em igual medida. Este filme é daqueles que faz doer, mas também diverte com surpreendente comédia. Ele compensa a dor com a flor da catarse e o milagre do entendimento humano.




04. ERA UMA VEZ… EM HOLLYWOOD de Quentin Tarantino

Era uma vez em Hollywood
© Big Picture Films

Ao som de uma das melhores bandas-sonoras do ano, a nova magnum opus de Quentin Tarantino desenrola-se como uma carta de amor a um passado perdido por entre as marés sangrentas da História. Trata-se de uma obra atípica na oeuvre do seu realizador, uma meditação solene mais do que uma paródia de ação. Há espaço para suspense e uns quantos epítetos de violência, é claro, mas o tom geral é de elegia e homenagem. Este é um funeral para a Los Angeles de 1969 e o paraíso de cinema que ela representava.

Quando fizemos o nosso top MHD da filmografia do realizador, foi isto que Cláudio Alves teve a dizer sobre “Era Uma Vez… em Hollywood” e sua relação vinculada com o poder do cinema:

Esse poder do cinema, essa fuga do real trágico em prol da ficção balsâmica, está presente em toda a obra. Veja-se, por exemplo, como o hábito de Tarantino revitalizar a carreira de atores caídos em desgraça agora passou do seu plateau para a história do filme. Veja-se como a Sharon Tate fantasiada vê, no cinema, a Sharon Tate cuja promessa de estrelato foi roubada pela faca de uma supremacista branca. Veja-se como, apesar de ser um conto de fadas, “Era Uma Vez… em Hollywood” não acaba com um final risonho. Afinal, a Hollywood dos grandes estúdios já morreu e, em 1969, não havia a nada a fazer, pois não Charles Manson que matou essa Hollywood. Essa Hollywood matou-se a si própria.




03. DEMOCRACIA EM VERTIGEM de Petra Costa

democracia em vertigem critica indielisboa
© NETFLIX

A Netflix esteve mesmo a bombar em 2019. Até no panorama do documentário político se afirmou como um campeão irresoluto. Neste caso, estamos a referirmo-nos a “Democracia em Vertigem” onde a cineasta Petra Costa assina um poderoso tratado em como o político e o pessoal são indissociáveis. Ela conta a História da sua família e conta também a História da nação, desenhando um retrato do Brasil como uma dança precária entre progressismos sociais e o chamamento sirénico do fascismo.

Na conjetura atual, em que Bolsonaro celebra a ditadura do passado e ameaça o progressismo do futuro, este documento filmado é mais importante que nunca. Costa galvaniza o coração dos seus espetadores e enfurece-os, atiça as chamas do descontentamento e chora a perda da esperança. Aquando da passagem do filme pelo IndieLisboa, isto foi o que Cláudio Alves teve a dizer sobre a experiência:

“Democracia em Vertigem” não é um filme ingénuo nem é feito para uma audiência ingénua. Aqui temos um documentário político que se atreve a encarar a necessidade de compromisso na mesma medida que chora essa mesma potencial traição ideológica. Na sala do Cinema São Jorge em que o filme foi exibido, ouviram-se aplausos durante a projeção, marcando ocasiões em que figuras no ecrã pareciam resumir a indignação com que Petra Costa insufla o coração do espectador. Ao som dos aplausos, vemos a democracia morrer e com aplausos celebramos este elogio final, este funeral cinematográfico cuja conclusão é uma final expressão de insegurança e incerteza. Também eu aplaudi, pois temos aqui um grande filme, mas também queria chorar.




02. PARASITAS de Bong Joon-ho

© Alambique

Desde que estreou em Cannes e conquistou a Palme d’Or que os “Parasitas” de Bong Joon-ho têm vindo a fazer tremer o mundo. O filme é um autêntico fenómeno, tendo alcançado improvável sucesso popular e financeiro em par com o triunfo crítico que é. Ninguém fica indiferente para com tamanho feito, quer sejam aqueles que franzem o nariz com mau gosto ou aqueles que se rendem por completo ao seu feitiço e juram fidelidade ao culto de Bong.

Tal é o impacto da coisa que muitos peritos já preveem que este possa ser o primeiro filme não-anglófono a ganhar o Óscar para Melhor Filme. Não nos vamos por a fazer tais especulações, mas admitimos a perfeição de “Parasitas” e celebramo-la. Aqui ficam as palavras do crítico Cláudio Alves aquando da estreia do filme nas salas de cinema portuguesas:

É cruel? Sim. É perverso? Sem dúvida. É cinema e do melhor. “Parasitas” acorda e magoa, faz rir e chorar, choca e transtorna. A sua história é retorcida e difícil de explicar. É melhor nem o fazer, pois desvendar os seus mistérios seria trair o génio que nos concedeu esta ambrósia cinematográfica. Vão ver “Parasitas”, vão acordar. Depois todos choramos em conjunto, partilhamos a dor e voltamos à nossa vida como hospedeiros. Pelo menos, durante duas horas, podemos esquecer as nossas mágoas e perdermo-nos nas de outros tão parecidos connosco. Podemos triunfar ao seu lado, ver um ritmo preciso, imagens perfeitas e, por momentos, aguentar e até desfrutar do horror de servir e perder o nome, de perder a identidade e ser alimento de uma carraça com uma voz cheia de dinheiro.




01. A FAVORITA de Yorgos Lanthimos

european film challenge a favorita veneza
© Big Picture Films

Apesar da popularidade de muitos outros filmes, houve uma escolha que se manteve no topo das listas de muitos editores da MHD. “A Favorita” é o nosso filme favorito de 2019, assinalando mais uma vitória para a obra de Yorgos Lanthimos que, há uns meses, também já tinha conquistado os Óscares MHD de 2019. Enfim, não é uma vitória inesperada, mas também não é uma vitória imerecida.

Contando a história de intriga palaciana e romance lésbico que uniu três mulheres na corte da Rainha Ana de Inglaterra, a comédia negra reflete sobre temas de poder e amor, de performance social e a voracidade daqueles que querem ganhar a qualquer custo. Tudo é bom aqui, desde os figurinos estilizados até às prestações imaculadas de um elenco perfeito. Não é por acaso que Olivia Colman apareceu do nada e arrancou o Óscar das mãos de Glenn Close. Aqui ficam umas palavras que originalmente publicámos aquando da estreia do filme em Portugal:

“A Favorita” é um filme desconfortável em todos os seus aspetos e é nesse desconforto, feito de verdades humanas feias a marinar em estilização alienante, que germina seu génio. Por entre risos de escárnio e danças mirabolantes, esta história vai traçando um jogo em que não há vencedor possível, mostrando a fragilidade do coração humano e sua capacidade para a crueldade egoísta. Quem procurava amor, acaba por se encontrar separada da única pessoa que realmente a amou. Quem procurava poder, acaba exilada da mulher a quem dedicou a alma e do país a quem dedicou a vida. Quem queria fugir à humilhação da subserviência, acaba por se condenar à posição de escrava sexual de uma gárgula moribunda. No fim, a miséria é a única certeza e constante. Miséria sob a forma de infinitos coelhos batizados com o nome de crianças que nunca chegaram a ver a luz do Sol.




TOPS INDIVIDUAIS DA EQUIPA MHD

Joker
© NOS Audiovisuais

Ana Inês Carvalho

  1. VINGADORES: ENDGAME dos Irmãos Russo
  2. COMO TREINARES O TEU DRAGÃO 3 de Dean DeBlois
  3. HOMEM-ARANHA: LONGE DE CASA de Jon Watts
  4. KNIVES OUT: TODOS SÃO SUSPEITOS de Rian Johnson
  5. MALÉFICA: MESTRE DO MAL de Joachim Rønning
  6. MARIA, RAINHA DOS ESCOCESES de Josie Rourke
  7. O REI LEÃO de Jon Favreau
  8. ROCKETMAN de Dexter Fletcher

 

Cláudio Alves

  1. PARASITAS de Bong Joon-ho
  2. A FAVORITA de Yorgos Lanthimos
  3. ATLANTIQUE de Mari Diop
  4. VIOLETA de Kantemir Balagov
  5. ERA UMA VEZ… EM HOLLYWOOD de Quentin Tarantino
  6. O IRLANDÊS de Martin Scorsese
  7. TECHNOBOSS de João Nicolau
  8. READY OR NOT – O RITUAL de Tyler Gilltett & Matt Bettinelli-Olpin
  9. DEMOCRACIA EM VERTIGEM de Petra Costa
  10. OUSADAS E GOLPISTAS de Lorene Scafaria

 

Daniel Rodrigues

  1. HISTÓRIA DE UM CASAMENTO de Noah Baumbach
  2. PARASITAS de Bong Joon-ho
  3. O IRLANDÊS de Martin Scorsese
  4. TOY STORY 4 de Josh Cooley
  5. A FAVORITA de Yorgos Lanthimos
  6. DOR E GLÓRIA de Pedro Almodóvar
  7. DEMOCRACIA EM VERTIGEM de Petra Costa
  8. ERA UMA VEZ… EM HOLLYWOOD de Quentin Tarantino
  9. KNIVES OUT: TODOS SÃO SUSPEITOS de Rian Johnson
  10. JOKER de Todd Phillips

 

Inês Serra

  1. PARASITAS de Bong Joon-ho
  2. A FAVORITA de Yorgos Lanthimos
  3. JOKER de Todd Phillips
  4. ERA UMA VEZ… EM HOLLYWOOD de Quentin Tarantino
  5. HISTÓRIA DE UM CASAMENTO de Noah Baumbach
  6. OS DOIS PAPAS de Fernando Meirelles
  7. O IRLANDÊS de Martin Scorsese
  8. NÓS de Jordan Peele
  9. LE MANS ’66: O DUELO de James Mangold
  10. KNIVES OUT: TODOS SÃO SUSPEITOS de Rian Johnson

 

João Fernandes

  1. VINGADORES: ENDGAME dos Irmãos Russo
  2. AD ASTRA de James Gray
  3. JOHN WICK 3: IMPLACÁVEL de Chad Stahelski
  4. KNIVES OUT: TODOS SÃO SUSPEITOS de Rian Johnson
  5. HOMEM-ARANHA: LONGE DE CASA de Jon Watts
  6. POKÉMON: DETETIVE PIKACHU de Rob Letterman
  7. OS MORTOS NÃO MORREM de Jim Jarmusch
  8. READY OR NOT – O RITUAL de Tyler Gilltett & Matt Bettinelli-Olpin
  9. OUSADAS E GOLPISTAS de Lorene Scafaria
  10. HISTÓRIA DE UM CASAMENTO de Noah Baumbach

 

José Vieira Mendes

  1. A PORTUGUESA de Rita Azevedo Gomes
  2. DEMOCRACIA EM VERTIGEM de Petra Costa
  3. DIVINO AMOR de Gabriel Mascaro
  4. AQUARELA: A FORÇA DA NATUREZA de Viktor Kossakovsky
  5. ERA UMA VEZ… EM HOLLYWOOD de Quentin Tarantino
  6. PARASITAS de Bong Joon-ho
  7. TRISTEZA E ALEGRIA NA VIDA DAS GIRAFAS de Tiago Guedes
  8. UM DIA DE CHUVA EM NOVA IORQUE de Woody Allen
  9. HISTÓRIA DE UM CASAMENTO de Noah Baumbach
  10. VARIAÇÕES de João Maia

 

Luís Telles do Amaral

  1. A FAVORITA de Yorgos Lanthimos
  2. NÓS de Jordan Peele
  3. ERA UMA VEZ… EM HOLLYWOOD de Quentin Tarantino
  4. STAR WARS: EPISÓDIO IX – A ASCENSÃO DE SKYWALKER de JJ Abrams
  5. KNIVES OUT: TODOS SÃO SUSPEITOS de Rian Johnson
  6. JOKER de Todd Phillips
  7. BACURAU de Juliano Dornelles e Bleber Mendonça Filho
  8. AD ASTRA de James Gray
  9. RASTEJANTES de Alexandre Aja
  10. UM ATO DE FÉ de Roxann Dawson

 

Maggie Silva

  1. PARASITAS de Bong Joon-ho
  2. HISTÓRIA DE UM CASAMENTO de Noah Baumbach
  3. EM CHAMAS de Lee Chang-dong
  4. A FAVORITA de Yorgos Lanthimos
  5. ATLANTIQUE de Mati Diop
  6. BOOKSMART – INTELIGENTES E REBELDES de Olivia Wilde
  7. DIAMANTINO de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt
  8. JOKER de Todd Phillips
  9. TOY STORY 4 de Josh Cooley
  10. J’AI PERDU MON CORPS de Jérémy Clapin

 

Marta Kong Nunes

  1. VINGADORES: ENDGAME dos Irmãos Russo
  2. ERA UMA VEZ… EM HOLLYWOOD de Quentin Tarantino
  3. NÓS de Jordan Peele
  4. KNIVES OUT: TODOS SÃO SUSPEITOS de Rian Johnson
  5. ROCKETMAN de Dexter Fletcher
  6. JOHN WICK 3: IMPLACÁVEL de Chad Stahelski
  7. O IRLANDÊS de Martin Scorsese
  8. FROZEN 2: O REINO DO GELO de Jennifer Lee e Chris Buck
  9. OUSADAS E GOLPISTAS de Lorene Scafaria

 

Miguel Simão

  1. JOKER de Todd Phillips
  2. DESTROYER de Karyn Kusama
  3. LE MANS ’66: O DUELO de James Mangold
  4. MARIA, RAINHA DOS ESCOCESES de Josie Rourke
  5. AD ASTRA de James Gray

 

Rui Ribeiro

  1. MARIA, RAINHA DOS ESCOCESES de Josie Rourke
  2. A FAVORITA de Yorgos Lanthimos
  3. JOKER de Todd Phillips
  4. AD ASTRA de James Gray
  5. ERA UMA VEZ… EM HOLLYWOOD de Quentin Tarantino
  6. LE MANS ’66: O DUELO de James Mangold
  7. STAR WARS: EPISÓDIO IX – A ASCENSÃO DE SKYWALKER de JJ Abrams
  8. O IRLANDÊS de Martin Scorsese
  9. ROCKETMAN de Dexter Fletcher
  10. GREEN BOOK de Peter Farrelly

 

Virgílio Jesus

  1. ERA UMA VEZ… EM HOLLYWOOD de Quentin Tarantino
  2. DOR E GLÓRIA de Pedro Almodóvar
  3. PARASITAS de Bong Joon-ho
  4. AD ASTRA de James Gray
  5. SE ESTA RUA FALASSE de Barry Jenkins
  6. ROCKETMAN de Dexter Fletcher
  7. OUSADAS E GOLPISTAS de Lorene Scafaria
  8. MIDSOMMAR – O RITUAL de Ari Aster
  9. TOY STORY 4 de Josh Cooley
  10. NÓS de Jordan Peele

Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

Cláudio Alves has 1693 posts and counting. See all posts by Cláudio Alves

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.