"Era Uma Vez... em Hollywood"/"Parasitas"/"Nós" | © Big Picture Films/© Alambique/© NOS Audiovisuais

TOP MHD | Os Melhores Filmes de 2019

2019 foi o último ano de uma década e representou mais um período de grande cinema a agraciar as audiências portuguesas. Chegado o fim do ano, a MHD, decide constatar quais foram os melhores filmes dos últimos 12 meses, desde intrigas reais a histórias de mafiosos envelhecidos.

Para os cinéfilos portugueses, o ano passado começou com os resquícios da corrida aos Óscares. Filmes que já tinham feito furor do outro lado do Atlântico finalmente chegaram às salas lusitanas, trazendo-nos obras como “Se Esta Rua Falasse”, “A Favorita” e o eventual vencedor do Óscar para Melhor Filme “Green Book”. Muito se passou entre essa alvorada do ano e o crepúsculo de dezembro.

O verão foi palco de uma série de blockbusters fracassados, mas a Disney lá confirmou a sua hegemonia e os Vingadores da Marvel dominaram o mundo. Cannes trouxe-nos os deleites mirabolantes de Bong Joon-ho e os filmes de artistas veteranos assinados por Almodóvar e Tarantino. Em Portugal, celebrou-se o apogeu de “Variações” e a negrura de “Raiva”. Mais tarde, com o fim da estação mais quente, veio o regozijo com a seleção de “A Herança” para o Festival de Veneza.

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Nessa Bienal, o júri de Lucrecia Martel surpreendeu ao condecorar o “Joker” de Todd Phillips com o Leão de Ouro. Essa fantasia de Gotham City depressa chegou aos cinemas portugueses e as audiências nacionais bem concordaram com a euforia da cineasta argentina. Com o outono, também vieram mais filmes de prestígio e algumas surpresas agradáveis como as strippers vingadoras de “Ousadas e Golpistas” ou as lágrimas de Brad Pitt em “Ad Astra”.

Depois veio o inverno e consigo as épocas festivas. Contudo, ao invés de prendas maravilhosas, os deuses da cinefilia reservaram-nos umas boas doses de carvão para por no sapatinho. O novo Star Wars desapontou e “Cats” horrorizou. Felizmente, a Netflix esteve cá para abafar a dor e nos fazer chorar de emoção e não por desapontamento. “O Irlandês” vingou e “Marriage Story” arrasou, “Atlantique” foi melhor ainda e até “Klaus” teve maravilhas para oferecer ao espectador generoso.

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Enfim, foi um grande ano, uma grande forma de terminar a década e um milagre de cinema que transcendeu as salas e chegou até aos nossos computadores. Por tudo isso, decidimos cumprir a tradição MHD e eleger os nossos favoritos do ano, os dez melhores filmes de 2019. Para nos atualizarmos a um mundo moderno, este ano abrimos portas a tudo o que for filme estreado ou em sala ou plataforma de distribuição portuguesa. Ou seja, filmes da Netflix também marcam presença.

Muitos membros da redação votaram e aqui estão os resultados…

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MENÇÕES HONROSAS

dor e gloria critica
© Pris Audiovisuais

Primeiro, antes de nos elaborarmos no top 10 final, ficam umas menções honorárias. Nenhum destes filmes teve pontuação suficiente para chegar ao topo nas nossas duas rondas de votos, mas tiveram seus fãs ferrenhos e apoiantes apaixonados. Talvez até encontres os teus favoritos aqui. Eles são:

DIVINO AMOR de Gabriel Mascaro – Um perverso gesto de subversão contra um Brasil cada vez mais emaranhado nos moralismos venenosos de um cristianismo evangélico e fanático. Imagens inesquecíveis marcam este drama cheio de nudez voluptuosa, formalismo duro e cru assim como uns valentes néones.

DOR E GLÓRIA de Pedro Almodóvar – Autoficção na sua vertente mais deliciosa e mais colorida. A memória flui e com ela vem um tsunami de melancolia e oportunidades perdidas, amores do passado e atores rancorosos tão prontos a perdoar como a trazer consigo novos vícios. Este é o “8 ½” do melhor realizador espanhol da contemporaneidade.

AD ASTRA de James Gray – A busca de significado da Humanidade é a busca de um filho pelo amor do pai. Ambas as odisseias se aglutinam em tableaux cor de âmbar e terminam numa conclusão ácida e vácua. No entanto, no epíteto do vazio há humanismo a desabrochar e o último gesto do épico espacial é um de compaixão.

VINGADORES: ENDGAME dos Irmãos Russo – O épico de todos os épicos, este capítulo climático do MCU é cinema de entretenimento sobre o efeito de esteroides. Formalmente não há muito a celebrar e o conteúdo intelectual da coisa é pobre. Contudo, as emoções que desperta são intensas, desde a miséria com que tudo começa até ao triunfo melancólico que funciona como um murro no estômago e pôs milhões de pé a bater palmas ao ecrã prateado do cinema.

ROCKETMAN de Dexter Fletcher – Depois do degredo de “Bohemian Rhapsody” bem precisávamos de uma cinebiografia decente sobre um ícone gay dos anos 70 e 80. “Rocketman” cumpre a promessa de qualidade crescente e ainda nos oferece um deleite musical do tipo que raramente vemos nas salas hoje em dia. Taron Egerton ganhou o Globo de Ouro por este desempenho como Elton John e é fácil perceber porquê- Ele é elétrico!

Com estas menções honrosas despachadas, passemos ao top 10 em si…

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Cláudio Alves

Licenciado em Teatro, ramo Design de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Ocasional figurinista, apaixonado por escrita e desenho. Um cinéfilo devoto que participou no Young Critics Workshop do Festival de Cinema de Gante em 2016. Já teve textos publicados também no blogue da FILMIN e na publicação belga Photogénie.

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