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Trent Reznor e Atticus Ross, Biografia Não Autorizada

Neste artigo, ficamos a conhecer, Trent Reznor e Atticus Ross, criadores de algumas das mais interessantes bandas sonoras da última década.

Num ano há muito enterrado nas entranhas do tempo, um jovem para quem a música era tudo, arranjou um emprego como assistente de som e contínuo num estúdio de gravação profissional. Com a devida autorização do dono, o jovem utilizou os tempos mortos das instalações, para gravar demos das suas próprias músicas, dando assim início a uma carreira prolífica em bom conteúdo, que lhe garantiu um lugar de destaque no mundo da música. Foi com este humilde início que Trent Reznor se deu a conhecer ao mundo, lançando, em 1989, “Pretty Hate Machine”, um álbum idealizado e tocado pelo próprio Reznor, mas divulgado em nome daquela que viria a ser uma das bandas mais influentes da história, os Nine Inch Nails.

Reznor nasceu em New Castle, Pensilvânia e mostrou, desde cedo, uma inclinação para a música. Aos 12 anos começou a tocar piano e o resto da sua adolescência foi passada a tocar em pequenas bandas locais. Impulsionado por um Bowie já bem maturado e por uma vontade cáustica de explorar o mundo, Trent forma, em 1988, o projecto, Nine Inch Nails e um ano depois, chama a atenção do mundo com o seu primeiro álbum, “Pretty Hate Machine”. Trent tocou todos os instrumentos, com excepção da bateria e os sons que produziu deram-nos uma pequena amostra do que estava por vir. Sintetizadores distorcidos, guitarras berrantes e uma percussão mecânica e acentuada, criaram, em conjunto com os vocais sofridos de Trent, uma peça que chamou de imediato a atenção devido à paixão enfática que demonstrava.

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E se em “Pretty Hate Machine”, Trent estava apenas a experimentar com os meios a que tinha acesso, o mediatismo do projecto trouxe-lhe maiores possibilidades e o verdadeiro sucesso de Nine Inch Nails, aconteceu 5 anos depois do seu primeiro álbum, com o lançamento de “The Downward Spiral”, um álbum conceptual, gravado na casa onde Sharon Tate fora assassinada pelos súbditos de Charles Manson, que encontra Reznor com ideias muito mais bem definidas, apresentando uma miscelânea de géneros que vão desde o Rock Industrial, à música Electrónica, passando, aqui e ali, pelo pop, numa mistura que ficaria para sempre associada à estética sonora do projecto, nunca limitando, no entanto, as possibilidades exploradas por Trent nos seus futuros álbuns. “The Downward Spiral” obteve um sucesso imediato e é até hoje o álbum mais popular da discografia dos NIN, tendo influenciado, não só projectos de música industrial, que apareceram depois, bem como projectos que estavam já estabelecidos. Trent nunca parou de lançar álbuns sobre a chancela dos Nine Inch Nails, demonstrando em cada um a sua capacidade se adaptar à modernidade, sem nunca esquecer as raízes sobre as quais cresceu. Em 2005, “With Teeth”, quarto álbum de estúdio do projecto, NIN, apresenta nos seus créditos um nome que salta à vista, o do programador e co-produtor, Atticus Ross.

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Nine Inch Nails em “Twin Peaks (2017)” | ©Showtime Networks

Nascido em Londres em 1968, Ross começou a sua carreira a programar sintetizadores para o projecto de música electrónica, Bomb the Bass. A sua relação com Trent desenvolve-se em 1995 como membros da banda Tapeworm, que formaram em conjunto com Danny Lohner e Maynard James Keenan (Tool).

Uma colaboração inevitável, Trent Reznor e Atticus Ross tornaram-se um duo quando compuseram, em 2010, a banda sonora do filme “A Rede Social”. Os dois músicos já tinham trabalhado em música para cinema no passado, tendo Reznor produzido as bandas sonoras dos filmes, “Assassinos Natos”, de Oliver Stone e “Estrada Perdida” de David Lynch e Ross composto a banda sonora da série, “Toutching Evil” e de um dos segmentos do filme, “New York, I Love You”. Com “A Rede Social”, os dois compositores obtiveram um sucesso extremo, obtendo, no processo, um Óscar de melhor banda sonora. A música que criaram para o filme, é algo completamente diferente do que estamos habituados quando falamos de filmes biográficos, mas apesar disto, apresenta-nos uma estética sonora que se insere na perfeição nas temáticas e tons da narrativa. “A Rede Social”, deixou bem definido o “estilo” desta dupla, apresentando um som onde o sintetizador é usado para criar paisagens sonoras abismais, que enfatizam o drama e a tensão.

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O sucesso da colaboração de Reznor e Ross nas bandas sonoras, deveu-se, em grande parte, a How to Destroy Angels, banda que os mesmos formaram em 2009 com Rob Sheridan, colaborador assíduo de NIN e Mariqueen Maandig, esposa de Trent e antiga vocalista da banda, West Indian Girl. Com uma forte componente electrónica, mas uma estética sonora mais pop, os How to Destroy Angels contam já com um álbum e dois eps, nos quais é possível identificar o estilo que viria a marcar as bandas sonoras de Reznor e Ross.

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How to Destroy Angels | Al Pavangkanan, via Wikimedia Commons

Depois do sucesso de “A Rede Social”, Trent e Atticus voltaram a colaborar com David Fincher em 2011, tendo sido responsáveis pela banda sonora do filme, “Millenium 1- Os Homens que Odeiam as Mulheres”. O álbum arranca com um inigualável cover da “Immigrant Song dos Led Zeppelin”, aqui com voz de Karen O, e os instrumentais que se seguem, são povoados pelos sons aos quais os dois compositores nos tinham habituado. “Os Homens que Odeiam as Mulheres”, apresenta-nos melodias muito mais “negras”, melancólicas e frias que “A Rede Social”, adjectivos que casam na perfeição com as temáticas de uma narrativa que lida, maioritariamente, com as coisas feias do mundo. Três anos depois, com, “Em Parte Incerta”, os dois músicos voltam a demonstrar a sua mestria no que toca à criação do tom perfeito, com composições marcadas por sequências de sons que parecem belas na sua superfície, mas que revelam algo intrinsecamente mau, à medida que vamos ouvindo e nos vamos embrenhando cada vez mais nas melodias hipnóticas dos sintetizadores.

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Rooney Mara em “Os Homens que Odeiam as Mulheres” | ©Colombia Pictures

Em 2019, a HBO estreou a mini-série, “Watchmen”, sequela da novela gráfica homónima de 1986. A série apresenta-nos um presente futurista, seguindo a dinâmica da obra original. A série foi a segunda banda sonora de Reznor e Ross, para um projecto televisivo e a mesma, foi, no meio de todas críticas positivas do projecto, um dos pontos mais elogiados. Os dois músicos compuseram 3 volumes de música que, mais uma vez, nos apresenta uma forte componente electrónica, juntando aqui à mistura, uma influência notória de John Carpenter.

No final do ano passado, Trent Reznor e Atticus Ross apresentaram-nos a sua quarta colaboração com David Fincher, “Mank”, saindo da sua zona de conforto, os dois músicos criaram uma banda sonora composta por instrumentos de época que ajudam à credibilidade do período retractado, demonstrando assim uma tremenda versatilidade artística. Em Dezembro de 2020, a Pixar apresentou-nos “Soul- Uma Aventura com Alma”, filme que marca a primeira banda sonora dos dois compositores para um filme de animação. A música de Reznor e Ross, ambienta-se na perfeição às temáticas oníricas do filme e a mesma foi extremamente elogiada. Estes dois projectos e o sucesso dos mesmos, valeram aos dois artistas duas nomeações aos Globos de Ouro de melhor banda sonora, tendo, “Soul- Uma Aventura com Alma” saído como vencedor.

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Entre novas bandas sonoras e álbuns dos Nine Inch Nails, (Ross entrou, oficialmente para a banda em 2016), Trent Reznor e Atticus Ross vão, a cada projecto, explorando os limites do fazível e percorrendo os caminhos intrínsecos do som. Por agora, resta-nos esperar pelo próximo projecto da dupla, seja ele um novo álbum de originais, uma nova banda sonora, ou algo completamente alienígena ao mundo da música, porque com estes dois, nunca se sabe.

“SOUL- UMA AVENTURA COM ALMA” | A MAIS RECENTE BANDA SONORA DE TRENT REZNOR E ATTICUS ROSS.

Qual a melhor banda sonora desta dupla?

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