"Sensações São Tudo O Que Tenho Para Oferecer", mais uma curta portuguesa em Cannes 2024.@Portugal Film/Divulgação

Cannes 2024 | As minhas sensações…, na Semana da Crítica

A curta-metragem “As Minhas Sensações São Tudo O Que Tenho Para Oferecer”, de Isadora Neves Marques, é mais um filme português que vai estar em competição, agora na Semana da Crítica do Festival de Cannes 2024.

Foi hoje anunciada a seleção de curtas-metragens em competição da 63ª Semana da Crítica de Cannes, que inclui o filme português “As Minhas Sensações São Tudo O Que Tenho Para Oferecer” (20’), realizado por Isadora Neves Marques. É o quinto representante português no Festival de Cannes 2024, o maior evento mundial de cinema que irá decorrer com a suas secções paralelas de 15 a 23 de Maio.

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“As Minhas Sensações São Tudo O Que Tenho Para Oferecer” é também a quarta curta metragem da premiada realizadora, que em 2022 recebeu um Tigre no Festival de Roterdão com o filme “Tornar-se Um Homem na Idade Média”, ano em que foi igualmente a Representação Oficial Portuguesa – Pavilhão de Portugal da 59ª Bienal de Veneza, com a instalação fílmica “Vampires in Space”, do qual este novo filme selecionado para Semana da Crítica de Cannes 2024, parece ser um prolongamento. 

As Minhas Sensações São Tudo O Que Tenho Para Oferecer
Passado durante um fim de semana, “As Minhas Sensações São Tudo o Que Tenho Para Oferecer” desenha uma história sobre uma família e as suas expectativas. ©Portugal Film/Divulgação



FIM-DE SEMANA ALUCINANTE

Em “As Minhas Sensações São Tudo o Que Tenho Para Oferecer”, Lourdes (Ágata de Pinho) e Lana (Isadora Alves) conheceram-se telepaticamente usando “comprimidos sensoriais”, uma tecnologia que permite aceder às sensações físicas e emocionais de outras pessoas à distância. Após meses de relacionamento, Lourdes decide visitar a casa de campo dos seus pais, Vicente e Carl, (respectivamente Mário Afonso, Albano Jerónimo) para lhes apresentar a namorada. Lourdes e Lana são duas jovens mulheres um pouco sem rumo, que se conheceram usando essa nova biotecnologia.

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Passado durante um fim de semana, “As Minhas Sensações São Tudo o Que Tenho Para Oferecer” desenha uma história sobre uma família e as suas expectativas, diferenças de classe e isolamento psicológico, sob um fundo especulativo ou de ficção científica no qual nos será permitido aceder às sensações e pensamentos de outras pessoas através de um pequeno comprimido. A ideia do filme consiste em “uma surpresa especulativa e o carinho por uma ficção científica subtil que é uma qualidade natural dos meus filmes, como nas minhas curtas anteriores ‘Tornar-se um Homem na Idade Média’ (2022), ‘A Mordida’ (2019) e ‘Semente Exterminadora’ (2017), ou, numa versão mais radical, na instalação fílmica ‘Vampires in Space’ (2022)”, diz a realizadora, “Neste novo filme o elemento paranormal da telepatia é assumido como absolutamente banal na vida das personagens, sendo usado como pano de fundo para o desenrolar de dramas interpessoais e um confronto psicológico das personagens consigo mesmas num mundo em rápida aceleração e fragmentação social. Esta telepatia foi uma técnica perfeita para trabalhar com o elenco e a montagem”.

“A um nível mais teórico, este elemento especulativo é também revelador do modo como as tecnologias contemporâneas, das redes sociais à Inteligência Artificial, embora desenhadas para nos conectar, têm criado sentimentos profundos de isolamento e divisão, resultando numa crise generalizada de saúde mental e emocional. O filme propõe uma radicalização, tão emancipadora quanto assustadora, desta economia contemporânea de acesso e mediação: o que seria conectarmos com outros ao ponto de sentir física e emocionalmente o que a outra pessoa sente?”, conclui nas notas de intenções distribuídas à imprensa.

Isadora Neves Marques
“As Minhas Sensações São Tudo O Que Tenho Para Oferecer” (20’), realizado pela premiada Isadora Neves Marques. ©Portugal Film/Divulgação

TELEPATIA E DEPRESSÃO

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Segundo também a produtora Catarina de Sousa, da Foi Bonita a Festa esta ligação foi assumida pela equipa, “a equipa poesia, que entendeu o filme com uma sensibilidade desde o início; onde todos, apesar da depressão Domingos que assolou a rodagem e de todos os imprevistos que daí surgiram, foram incansáveis, criando naturalmente um vínculo afetivo e de aconchego entre todos, fechados uma semana durante a tempestade numa casa escolhida pela arquitetura quente e humanista. O filme foi rodado quase integralmente na Vill’Alcina do arquiteto Sérgio Fernandez em Caminha, um clássico de 1974 que tinha quer a humildade quer o cosmopolitismo que a Isadora procurava. É essa ligação, essa sensibilidade, essa arquitetura, a poesia que percorre todo o filme”.

JVM



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