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Do Livro à Tela | Bullet Train: Comboio Bala

Brad Pitt protagoniza “Bullet Train: Comboio Bala”, nesta adaptação cinematográfica do livro de Kōtarō Isaka. Será que o filme faz jus ao livro?

Um livro consegue ser muito mais do que palavras e frases impressas em folhas. Dependendo da imaginação de cada um, pode-nos levar aos mais maravilhosos mundos, e noutros casos, aos mais terríveis e assustadores lugares. A história é a mesma para todos, mas a nossa imaginação cria um “filme” à nossa medida. A partir das experiências da nossa vida, um determinado evento/local terá sempre um significado diferente consoante o leitor. Por isso, quando existe uma adaptação cinematográfica, o livro consegue ser (quase) sempre melhor que o filme. Em algumas excepções, chega, ou até ultrapassa, o nível do livro, como é o caso da trilogia de “O Senhor dos Anéis”, realizada por Peter Jackson.

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Milhares de livros deram ao cinema excelentes obras cinematográficas, como é o caso de “The Shawshank Redemption” e “Este País não é para Velhos”, escrito por Stephen King e Cormac McCarthy, respetivamente. Assim sendo, chegou uma nova adaptação às salas de cinema, com “Bullet Train: Comboio Bala”. Apesar do elenco de luxo, com nomes como Brad Pitt, Sandra Bullock, Aaron Johnson-Taylor, Bryan Tyree Henry e Michael Shannon, será que o filme aproxima-se do livro de Kōtarō Isaka?

A história passa-se num comboio de alta velocidade, conhecido como comboio bala, que liga Tóquio a Morioka. Nesta viagem encontram-se cinco personagens cujo as profissões poderão tornar-se violentas e mortais (para os outros). Durante a viagem, vamos descobrir outras personagens, mas o peso da narrativa recai sobre os cinco mencionados. 

Desde do início do livro, sentimos o peso psicológico de cada uma das personagens, assim como o estado das relações que todos têm entre eles, com menos ou mais intensidade. Algo que, por culpa do tempo de filme, e provavelmente, por culpa das escolhas artísticas, não está devidamente explorado no filme. Por exemplo, Kimura luta contra o seu passado, contra o alcoolismo, ao mesmo tempo que tenta vingar a atual situação do seu filho Wataru. Ao mesmo tempo, o Príncipe nunca perde uma oportunidade de referir que, ao mínimo deslize, irá ordenar a morte de Wataru. No filme, percebemos desde de cedo a relação de ódio entre Kimura e o Príncipe (no filme trocaram o sexo da personagem, interpretada por Joey Lynn King). Mas não sentimos o peso da relação, até parece um pouco trivial e banal. A única relação que o filme conseguiu replicar exemplarmente foi na dupla Limão e Tangerina. Tanto no livro como no filme, sentimos o poder e violência capazes de infligir aos outros, mas também sentimos o lado cómico da dupla.

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No que diz respeito aos acontecimentos relatados, dentro do possível, segue a história. Com a excepção da reta final do filme e alguns detalhes que foram substituídos ou omissos. Nesse sentido, percebemos desde de início, as motivações de cada uma das personagens, tanto no livro como no filme. Mas a partir daí, já há alguns “saltos” na história. No filme, deixaram de lado algumas interações entre Kimura e o Príncipe. Do nada, estamos na cena em busca da combinação da mala. No livro, esse acontecimento só acontece depois chegarmos a metade da leitura. 

Ao mesmo tempo, algumas personagens foram completamente deixadas de lado, como é o caso da Glória Matinal, a mãe de Kimura e a verdadeira importância do revisor. Em qualquer um dos casos, poderiam acrescentar mais profundidade ao filme. Por outro lado, estão as personagens que foram modificadas. No livro, estamos sempre a “ouvir” o relato de um antigo assassino impecável que ficava furioso quando o acordavam, e no final descobrimos que é o pai de Kimura. Na tela, foi um soldado do grupo de Minegishi. Além disso, o filme substitui a presença desse senhor do crime pela Morte Branca, que não está presente no livro. Além disso, o disfarce alegre que a Vespa (Zazie Beetz) usa, não entra nas contas do livro.

Após a morte de Tangerina, o filme seguiu outro caminho em relação ao livro. O Limão afinal está vivo, o Kimura, mesmo com o tiro que levou no abdómen, também está vivo e consegue prosseguir sem problema.

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Em suma, a adaptação cinematográfica de “Bullet Train” cumpriu o seu papel, no que diz respeito ao entretenimento. No entanto, quem leu e gostou realmente do livro/história, vai sentir a falta de rigor em alguns aspetos do filme. Uma vez mais, o livro bate o filme.

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Já leste o livro que inspira o filme? O que achaste da adaptação?

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