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Atores de Lusitânia falam sobre as difíceis gravações da nova série da RTP

Alguns atores que participam em “Lusitânia”, a nova série da RTP, estiveram à conversa com a Magazine.HD e revelaram os maiores desafios enfrentados.

Nos últimos tempos, a RTP tem cada vez mais investido na produção de minisséries portuguesas que retratam a cultura e a história do nosso país. Mais recentemente, o canal público lançou “Lusitânia“, uma série que fala sobre as lendas e mitos de Portugal, contados de forma altamente curiosa. Cada episódio conta uma história diferente, sendo que o primeiro começou a ser emitido a 13 de novembro. Para quem não conseguiu acompanhar a emissão desta série gravada em cenários lindíssimos do nosso país, os episódios continuam disponíveis na RTP Play.

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Após a estreia de “Lusitânia”, a Magazine.HD esteve à conversa com alguns dos atores que participam nos vários episódios da nova série nacional. Numa conversa descontraída, Soraia Tavares, Allex Miranda, Rita Loureiro e Maria João Pinho falaram sobre as dificuldades sentidas ao longo da gravação desta série. Além disso, a Magazine.HD teve ainda a oportunidade de conversar com Frederico Serra, o realizador de “Lusitânia”.




FREDERICO SERRA [REALIZADOR DE “LUSITÂNIA”]

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Magazine.HD: Como é que é o processo de realizar uma série sobre histórias populares que nem toda a gente conhece?

Frederico Serra: Realizar uma série, eu diria, sobre histórias que eu li e sobre uns argumentos que eu li. Eu acho que, mais do que é que é o tema é de como é que são feitas as histórias e como é que elas estão construídas. E isso para mim foi um desafio logo muito cativante. Quando li aquelas histórias, da maneira como estavam escritas pelo Nuno Soler, fiquei logo com o bichinho para as realizar, sabendo eu, com uma sensação agridoce, que ia ser muito complicado conseguir fazer uma série de época com o que nós sabemos, o tipo de financiamentos que existe em Portugal.

Magazine.HD: Tirando o financiamento, quais é que são assim os maiores desafios?

Frederico Serra: Os desafios foram muitos, mas eu acho que os desafios acabaram por ser muito mitigados por todo o processo criativo que envolveu… eu, mérito meu também, obviamente, mas toda a equipa que se envolveu para resolver e para tentar minimizar ao máximo os problemas que estavam subjacentes ao facto de ser uma série de época. Então, houve muito processo criativo de toda a equipa para tentar resolver isso.

Magazine.HD: Como é que se consegue tirar as ideias escritas por outra pessoa e transpô-las para o ecrã? É uma grande responsabilidade, não?

Frederico Serra: Sim e não [risos]. O cinema vive muito disso. O cinema vive muito de argumentos feitos por outras pessoas. O argumentista não é o realizador e o realizador não é o argumentista. Menos no cinema de autor que, à partida, o próprio argumentista é o realizador e vice-versa. Aqui, as histórias e a adaptação e, obviamente, o argumento para a televisão, feito pelo Nuno Soler, já estava muito bem escrito nesse sentido. Obviamente que houve depois um trabalho muito grande entre mim e ele de, não só, adaptar as circunstâncias e as possibilidades que nós tínhamos, como também, obviamente, coisas que eu ou ele não concordámos ou gostámos menos. Há um trabalho de escrita já muito feito para ser posto em ecrã. E depois há o trabalho de realização que é todo o trabalho de criação, de casting, de como é que vamos solucionar os problemas todos, das ações e não ações, as câmeras, etc.

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Magazine.HD: Qual das seis história foi a mais desafiante?

Frederico Serra: Eu acho que a mais desafiante pode ter sido “A Cidade Perdida” pelas dificuldades. Agora, houve umas que, pelas suas características,  criaram um desafio mais emocional, no sentido de ter muita vontade de fazer isto de uma maneira muito criativa e muito divertida. Eu acho que todas elas tiveram características diferentes no seu desafio. O projeto todo foi muito desafiante. E esse desafio também foi uma das coisas que me cativou, que foi como é que eu vou conseguir fazer esta série? Como é que eu vou conseguir fazer isto no ecrã? Esse desafio foi o mote, foi o despoletar de toda a minha energia.

Magazine.HD: Este projeto vive muito dos cenários naturais. Tornou tudo mais fácil ter sítios ainda com características próprias para esta série?

Frederico Serra: Sim, claro! Acho que o facto de ter ido para aquela zona, para ser mais específico, para a Beira Baixa e um pouquinho a Beira Alta [risos], foi, nitidamente, porque eu tinha esperança de encontrar ali muito do que eu imaginava, nomeadamente, a nível de vegetação, como a paisagem ainda muito preservada. E depois, quando eu vi Penha Garcia e quando eu vi Sortelha, para mim foi do tipo ‘este episódio tem de ser gravado ali e o outro além’.




SORAIA TAVARES – SALMA MALIQUE

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Magazine.HD: Quem és tu nesta na série “Lusitânia”?

Soraia Tavares: Então, eu faço de Salma, que é uma princesa Moura que se junta a um dos seus súbditos e a um ex-cavaleiro português para irem atrás do tal tesouro da ‘Cidade Perdida’ e perceberem o que é que se passa nessa tal ‘Cidade Perdida’, porque lá vão encontrar algumas soluções para o passado do pai da Salma.

Magazine.HD: Tem tudo para dar certo…

Soraia Tavares: Tem tudo para dar certo, que é o que ela diz [risos]. Mas muitas coisas, muitas peripécias acontecem no caminho. Eu acho que é assim um episódio muito divertido, com muita fantasia e muita aventura também.

Magazine.HD: Como é que preparaste para este papel?

Soraia Tavares: Olha, como é que eu me preparei? É engraçado porque eu quando fiz a audição estava a ir completamente com uma linha super séria e, de repente, quando tive a oportunidade de fazer mais uma prova, o Frederico [Serra] disse “não, não, isto aqui é tudo muito mais leve” [risos]. Tem sim a sua seriedade, a sua calma, mas isto é tudo muito mais leve. E, basicamente, eu acho que a minha preparação foi mesmo já mais no terreno, que também não tivemos muito tempo, foi tudo filmado em dez dias, se não me engano. E mesmo do momento em que eu fiquei até começar a filmar foi tudo muito rápido, e, portanto, eu concentrei-me em estar disponível depois no momento de gravar. Acho que foi tudo muito com a ajuda do Frederico, e eu acho sempre que toda a equipa faz conosco as nossas personagens, desde as roupas, a caracterização, mesmo depois em plateau. Eu acho que a preparação acabou tudo por ser assim no momento e percebendo ao longo do que íamos construindo, o que fazia sentido ou não.

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Magazine.HD: Houve assim alguma cena difícil de gravar?

Soraia Tavares: Para mim, o mais difícil foi tudo que foram cenas de mata, porque eu vinha cheia de picos, cheia de arranhões, bichinhos… e eu confesso que não lido muito bem com essas coisas. então para mim, isso foi o mais difícil. E estar ao sol. Eu acho que o físico foi o mais difícil, porque tudo o resto foi super easy going.

Magazine.HD: Achas que é mais difícil representar uma época que não é a nossa? É mais desafiante?

Soraia Tavares: Eu acho que sim, porque não sabemos bem qual é a postura a ter, o que é que podemos ou não podemos dizer. Eu nessas situações prefiro dizer exatamente como o texto é, para depois não estar a pôr uma palavra ou uma construção frásica que não soe estranha e que não fique assim meio fora de contexto.

Magazine.HD: E por fim, já conhecias alguma destas lendas?

Soraia Tavares: Não, e estou muito curiosa!




ALLEX MIRANDA – SALI

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Magazine.HD: Fala-me um bocadinho da tua personagem nesta série, por favor.

Allex Miranda: Eu faço a personagem Sali, que é um enviado do Califado, que vai fazer essa transição do que era o Califado Mouro para o que hoje nós conhecemos como Portugal. Essa personagem tem uma missão muito importante, que eu não vou revelar [risos]. Vão ter de assistir a série “Lusitânia” para poderem perceber do que é que eu estou a falar [risos]. Mas é uma série muito interessante. que tem várias nuances muito interessantes também da nossa própria contemporaneidade. Tem várias linguagens muito interessantes, várias caras novas, que também é essa a nova roupagem que a RTP aposta muito nisso, e dou os parabéns, desde já. Eu já trabalho com a RTP há dez anos, já tenho assim oito ou nove projetos e este é o primeiro baseado em contos folclóricos portugueses que a televisão portuguesa coloca no ar. E dou os parabéns à RTP por essa coragem, por essa ousadia, por esse vanguardismo de sempre de contar a história de Portugal através de uma nova perspetiva, através desses arquétipos que fazem a construção da nossa sociedade, através de contos, de lendas, essa pluralidade de histórias.

Magazine.HD: Como é que te preparaste para esta personagem?

Allex Miranda: Eu preparei-me através dos sonhos, neste caso, do argumentista, que é o Nuno Soler. Estivemos numa residência, no momento da filmagem, a conversar com o Nuno, e ele explicou-me muito do universo que ele já gostaria de beber, junto do muito também que eu já conhecia da história de Portugal, dessas várias nuances, dessa várias pluralidades também em que se constituiu Portugal. Tentámos trazer uma coisa mais leve, e não só uma personagem Moura que é um forasteiro e que vem invadir esse local, mas uma personagem muito mais humana, muito mais sensível também, que é um pouco do reflexo dos telespectadores. Nós temos um pouco de Maquiavel, mas também temos muito de angelical. Essa personagem transita nesses dois universos e tenta dialogar com o público. Afinal de contas, ele só está de passagem, como todos nós.

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Magazine.HD: Esta série fala sobre contos que são lendas mais locais. Já conheces alguma delas?

Allex Miranda: Eu não conhecia nenhuma dessas lendas. Eu sou brasileiro e, algumas no Brasil são muito próximas, acredito que essas lendas tenham sido levadas também para lá. Não conhecia e que bom que eu estou a conhecer uma nova ramificação de Portugal através da cultura. E isso eu tenho a certeza que a RTP vai fazer para milhões de telespectadores, tanto na RTP como na RTP Play.

Magazine.HD: Houve assim alguma cena mais difícil ou mais desafiante de ser gravada?

Allex Miranda: Houve duas cenas. Uma delas foi quando fizemos a parte da gravação interior em que nós tínhamos um único cenário, então nós atores tivemos que fazer quase que uma coreografia para tentar circular junto com as câmeras de modo a que não interferisse no resultado final de repetição de imagens [risos]. E uma outra foi tentar cavalgar. Tem uma cena muito delicada em que tínhamos que cavalgar muito rapidamente e num local íngreme num dia de chuva. Então, tinha inúmeras dificuldades, mas correu tudo bem. E no final vai ser interessante também ver que até esse mesmo pavor desse homem que está a entrar num novo local desconhecido está transmitido através dos olhos do ator e da personagem.




RITA LOUREIRO – ‘MULHER SÁBIA’

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Magazine.HD: Fale-nos um bocadinho da sua personagem em “Lusitânia”, por favor.

Rita Loureiro: A minha personagem é, digamos, uma mulher sábia que vive naquela aldeia e que tem que lidar com uma filha que vem contrariar uma série de regras e de, digamos, de mitos que se foram criando ao longo do tempo e que sustentam a força e a política e até a democracia, digamos, daquele sítio e daquela gente, daquela população. Essa filha, com a morte do pai, é uma das pretendentes ao trono, contestada por um outro sábio, que faz o Pedro Lacerda, eu sou a mãe dela e acho que ela está preparadíssima. Mas o que me preocupa aqui é a postura dela perante estas regras instituídas que ela quer comprometer. E é muito interessante exatamente esta luta de gerações e esta luta interior desta mãe que está num dilema que é o apoio à filha ou o apoio à tradição da qual ela também faz parte e que ela ajudou a criar.

Magazine.HD: Houve alguma preparação necessária para esta personagem?

Rita Loureiro: Falámos muito sobre o guião, sobre as personagens, sobre o enredo, os figurinos… Tudo ajuda, tudo é linguagem que nos vai conduzindo para o sítio certo daquilo que estamos a fazer. Falámos, houve muita conversa e depois decisões que foram tomadas em termos de visuais de como é que é a personagem. E depois, os próprios sítios onde nós filmámos eram tão fortes, os décors eram tão impactantes, eles já nos transportavam para outros sítios, e isso também fazia metade do trabalho.

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Magazine.HD: É mais desafiante quando temos que representar uma época que não é a nossa?

Rita Loureiro: De certa forma é… Nós trabalhamos sempre com a imaginação, mas há cenários que são muito longínquos da nossa realidade. E é desafiante, sim. Não sei se será mais desafiante, depende do próprio enredo em si, mas é muito desafiante. É muito bom, uma das coisas que eu senti foi que tinha que desacelerar completamente, porque nós hoje em dia vivemos numa velocidade mental e de resposta que não se enquadrava naquele sítio, naquela realidade. Isso é muito giro!

Magazine.HD: Houve alguma cena desafiante?

Rita Loureiro: Não, para mim não. Eu sei que no episódio houve mais para a Júlia Palha, provavelmente. A minha personagem era uma anciã muito sensata, digamos, e sábia. Não era ela o elemento da rotura naquela enredo. Ela observava só.




MARIA JOÃO PINHO – JUDITE

Maria João Pinho
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Magazine.HD: Pode-nos falar um pouco sobre a sua personagem em “Lusitânia”?

Maria João Pinho: Então, é uma curandeira, uma mulher muito conhecedora das nossas tradições de cura medicinais da altura. E ela ajuda uma rapariga da aldeia a gravidar e depois aquilo corre assim… não muito bem e tem consequências graves.

Magazine.HD: Como é que foi feita a preparação da personagem?

Maria João Pinho: Olha, foi estudar muito o guião, foi falar muito com o Nuno Soler, que nos esclareceu tudo. Tivemos ensaios em que discutimos por onde é que queríamos conduzir. E essa preparação ajudou-me, e depois todo o ambiente leva-te para aquilo, percebes? Filmares na mata, naqueles casebres, a direção de arte é incrível! Então, tu viajas naquilo, foi fácil. Eu adorei fazer isto!

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Magazine.HD: É mais desafiante quando estamos a representar uma época que não é a nossa?

Maria João Pinho: É muito diferente e é muito bom. É saíres… é permitires-te ir a outros sítios, e eu acho isso incrível!

Magazine.HD: Já alguma vez tinha feito alguma coisa deste género?

Maria João Pinho: Não. Já tinha feito coisas de época, mas não desta época.

TRAILER | LUSITÂNIA JÁ ESTÁ DISPONÍVEL NA RTP PLAY

Já assististe a algum episódio de “Lusitânia”? Qual a lenda que mais te impressionou?

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