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Eurovisão 2022 em Turim | Entrevista exclusiva a Marius Bear da Suíça

Falámos hoje com Marius Bear, o representante da Suíça na Eurovisão 2022 em Turim. Tentámos não chorar com tanta ternura.

Desde Itália, a Magazine.HD teve a oportunidade de falar com Marius Bear, o representante da Suíça na Eurovisão 2022 em Turim. Marius Bear mostrou-se risonho, alguns dias depois ao seu primeiro ensaio onde tivemos a oportunidade de ver como a sua atuação será bastante intimista.

O artista vai surgir no palco do Pala Olimpico e vai transportar-nos para um mundo de fantasia, para um mundo onde os rapazes e também os homens já feitos podem expressar-se livremente. Temos a certeza que Marius Bear vai colocar à prova mesmo quem tem um coração de ferro e que não se deixa arrebatar por nada.

“Boys do Cry”, a canção da Suíça na Eurovisão 2022

De certo modo, Marius Bear é o Salvador Sobral deste ano na Eurovisão. Quem não se lembra quando o nosso vencedor disse, que “música é sentimento, não é fogo de artifício”? O cantor suíço de 28 anos, nascido e criado em Appenzell, segue essas pisadas e traz uma canção completamente despida, sem a dimensão de espectáculo que normalmente está associada ao certame. Na verdade, apenas canta e encanta ao bom estilo das canções Disney. A sua música “Boys do Cry” é aquela que te vai fazer chorar do início ao fim, por isso prepara-te para ter os lenços por perto. Como ficou perceptível na nossa conversa com o artista, Marius Bear é um jovem simpático e apesar de se sentir privilegiado tem algo a dizer ao mundo.  Fã da Eurovision Song Contest desde miúdo, propõe um conceito de performance clássico, mas intenso.

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O artista esteve presente em várias festas eurovisivas e a energia sentida junto do público foi de completa ternura. Não é preciso atingir as notas mais graves para transmitir uma mensagem através da música. Para Marius há que ser autêntico, há que espalhar amor e sensibilidade. Marius Bear mostrou-se confiante com aquilo que vai apresentar, por muito que o público ainda não tenha percebido. Realmente, nos dias velozes em que vivemos, nem todos estão dispostos a deixar as suas emoções saírem cá para fora.

Marius Bear
© EBU / ANDRES PUTTING

Talvez a sorte esteja do lado deste artista, afinal não poderemos esquecer que a Suíça é um dos maiores países no Festival Eurovisão da Canção, com 50 das suas 61 canções a chegarem à Grande Final. No ano passado, por exemplo, Gjon’s Tears com conseguiu o 3º lugar com 432 pontos por “Tout l’Univers”. Enquanto aguardamos pela subida ao palco de Marius Bear na Eurovisão poderás ler a nossa entrevista a seguir. Tenta não chorar de tanta doçura, afinal Marius Bear é um verdadeiro gentleman.

MHD: Como te sentes ao estar no Festival Eurovisão da Canção 2022?

Marius Bear: Estou muito feliz de cá estar em Turim e de conhecer a cidade. Isto é um sonho. Não consegues imaginar.

MHD: E como é estar aí a representar o teu país, a Suíça?

Marius Bear: Estou muito contente, mas também sinto-me um pouco nervoso porque existe alguma pressão sobre os meus ombros. Não consigo deixar de pensar nas últimas prestações da Suíça do Festival Eurovisão da Canção. O meu país foi 3º em 2021 e 4º em 2019. Eu preciso de chegar lá e dar o meu máximo.

Marius Bear
© EBU / ANDRES PUTTING

MHD: A tua canção é realmente especial e tão profunda que me faz chorar todas as vezes que a oiço. Qual a mensagem por detrás da letra e música de “Boys do Cry”?

Marius Bear: Esta é uma música sobre mim, não sei dizê-lo de outra forma. Sou um homem muito emocional. Caminho pela vida com boas vibrações e gosto de saber que posso abrir o meu coração. Acho que continua a ser bonito quando consegues ser uma pessoa extremamente emotiva. Para mim foi um pouco complicado dizer qual a minha mensagem. O que pode um homem branco, rico e suíço dizer ao mundo? Eu cresci numa boa família e há pessoas neste mundo que sofrem bastante, que carregam uma enorme dor e eu estou agradecido pelas minhas origens.

Marius Bear
© EBU / NATHAN REINDS

Inicialmente tive um problema em entrar em mim mesmo, em perceber o meu mundo. Não sou aquele tipo de homem arrogante. Perguntava-me “o que sou eu? Como me posso definir como artista?”. Sou um homem dado às emoções, mas que não perde de todo a sua masculinidade, independentemente do que isso significa. Continuo a ser um homem muito alto, com 113 quilos e isso pode ser assustador. Mas eu gosto de ser meigo, gosto de dar carinhos.

MHD: Achas que as crianças têm dificuldade em expressar-se? Achas que existe algum limite ou imposição àquilo que sentem?

Marius Bear: Não são apenas as crianças. Hoje em dia, especialmente para os homens, acho que é muito difícil definir um modelo a seguir. Por um lado, existem homens agressivos, que se fazem de durões e que acabam por ser exemplo de uma masculinidade tóxica quando, por exemplo, dão chapadas ao vivo num palco. Por outro lado, existem homens que se sentem sozinhos, que são mais frágeis, e que não conseguem sair do seu corpo, não conseguem libertar os seus pensamentos. “Boys do Cry” é uma canção para eles. Para os homens que se sentem inseguros. Acho que essa foi a direção que segui. É uma canção que te aquece, é uma canção muito calorosa.

Suíça na Eurovisão 2022
© EBU / NATHAN REINDS

MHD: E sentes que as escolas e o sistema educacional são responsáveis pela perpetuação desta masculinidade tóxica? De que forma poderia ser combatida?

Marius Bear: Podem ser por tantas as razões. Em primeiro lugar, não sinto que seja fácil apontarmos apenas uma razão para que tal aconteça. Acho que é sobre cada indivíduo em si próprio. Cada indivíduo deve estar atento àquilo que sente. Não olhar para as coisas sempre com uma armadura e deve tentar abrir-se. Uma pessoa quando é tímida, deve olhar para si mesma e tentar descodificar onde pode mudar. Pouco a pouco.

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São os pequenos passos que fazem a diferença. É muito importante sair da zona de conforto, sair da área onde estás bem. Tentar olhar para vida, aceitá-la e distribuir amor. Acho que com isso vais fazer das coisas e do mundo um pouco melhores. Vais abrir os teus horizontes.

MHD: Sabemos que foste muito influenciado pelos filmes e canções da Walt Disney. Será que tens algum filme que te tenha marcado em criança e que jamais vais esquecer?

Marius Bear: Eu adoro o “Bambi” (1942). Sempre o considerei como um bom exemplo. Cresci com esta história e acho que é uma obra que te dá liberdade para chorar. Eu continuo a ter a mesma sensação com a banda-sonora, mesmo passados tantos anos desde que o vi pela primeira vez. Tenho este sentimento de que existe algo bonito nesta história.

bambi disney
“Bambi”

Na Eurovisão estão praticamente todos com fogos de artifício, todos querem atingir as notas mais altas, mas eu sinto que a minha música é diferente. Percebo que seja difícil para muitas pessoas conseguirem se envolver neste meu pequeno mundo, mas quero que olhem para a televisão e se sintam envolvidos por apenas 3 minutos. Se as pessoas sentirem o calor nos seus corações, então o meu trabalho está feito.

Eu poderia ter apresentado uma canção noutro género, poderia estar a gritar. Mas não quis fazê-lo. Eu não sou assim. Eu quero dar às pessoas alguma coisa. A Eurovisão não é sobre mostrar aquilo que tenho, mas antes de oferecer algo. Eu acho que isso pode ser igualmente intenso tendo em conta o palco, as luzes. A energia vai aparecer, vai sentir-se. De qualquer maneira, o público tem de estar predisposto a isso. As pessoas têm que entender aquilo que quis passar com “Boys do Cry”. Se não entendem agora e dizem que é uma canção aborrecida, poderão entender na minha atuação em palco. A magia vai acontecer. Se eu for capaz disso, será muito bom.

MHD: O que achas que a Eurovisão traz a um artista?

Marius Bear: Eu sinto que é uma experiência de uma vida. Mesmo que sejas um artista conhecido pelo mundo fora dificilmente vais atuar para mais 200 milhões de pessoas em todo o mundo. Isso nunca vai acontecer. Se pensarmos bem sobre isso, tenho a certeza que alguns artistas nem iriam para o palco (risos). Isto é tudo espectacular.

Marius Bear
© EBU / NATHAN REINDS

Sente-se também o amor do público pelo evento que é uma coisa impressionante. É como um clube de fãs de uma equipa de futebol. Eu já conheci pessoas da Alemanha que estão aqui em Turim e que me disseram que compraram bilhetes para os espectáculos, quando na verdade existem alguns espectáculos são todos iguais. Nós artistas temos que atuar 6 vezes! Eles estão aqui praticamente duas semanas antes do festival, para aproveitar ao máximo a energia e conhecer outras pessoas.

MHD: Algum artista da Eurovisão 2022 com quem gostarias de colaborar?

Marius Bear: Tenho estado a falar com o Sam Ryder, o representante do Reino Unido na Eurovisão 2022 e temos uma boa conexão. Eu tento não stressá-lo (risos). Também gostei de conhecer a banda Reddi da Dinamarca, são brutais. Também sou um admirador dos rapazes da Letónia. Gostaria ainda de falar com a Cornelia, da Suécia porque adoro a sua canção.

MHD: Muito obrigado Marius por esta entrevista! Boa sorte para a Eurovisão!

Marius Bear: Muito obrigado por seres fã da canção!

Virgílio Jesus

Era uma vez em...Portugal um amante de filmes de Hollywood (e sobre Hollywood). Jornalista e editor de conteúdos digitais em diferentes meios nacionais e internacionais, é um dos especialistas na temporada de prémios da MHD, adepto de todas as formas e loucuras fílmicas, e que está sempre pronto para dois (ou muitos mais!) dedos de conversa com várias personalidades do mundo do entretenimento.

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